Sonhar era uma atividade benéfica para a memória e um ser humano sonhava de sete a quatro vezes por noite, todos os dias.
E era em alguma dessas sete ou quatro vezes que Pen revivia o seu passado, através de sonhos que se tornavam seu pesadelo no sono.
Às vezes era somente por sonhar tanto com o que aconteceu, que ela não conseguia descansar a sua mente de um dia de trabalho.
Estava tão acostumada a esses sonhos que não se importava mais em espantar no meio do sono, suada e assustada.
Os sonhos as vezes pareciam tão real que Pen se perguntaga se por um segundo não havia voltado no passado e revivido o mesmo momento.
Suspirou enquanto se levantava da cama na ponta do pé, Brianna dormia pesadamente ao seu lado, não queria acordar ela.
Tomou um banho no quarto ao lado, queria se livrar do suor que brotou em seu corpo no processo do sono, e era um ótimo alívio para sua mente bagunçada.
Como não conseguia mais dormir foi para sua mesa de trabalho, tinha um cantinho em sua casa que continha livros e objetos de estudos.
Sempre estava resolvendo algumas coisas do trabalho em casa quando não terminava tudo na empresa, por isso tinha o seu cantinho em casa.
Amarrou o seu cabelo em um coque alto, gostava de estar confortável em casa, pegou o seu óculos e começou a trabalhar.
Raramente usava o óculos, tinha feito uma cirurgia a alguns anos atrás e o seu problema de vista tinha quase desaparecido, quase.
Ao menos agora ela tinha noção de estilo e o seu óculos não era tão chamativo como era no passado.
Não demorou mais que meia hora, a companhia da sua casa tocou, já sabia muito bem quem era aquela hora, já que ainda era madrugada.
Foi até a porta e abriu, saiu antes mesmo de receber a pessoa que estava do lado de fora.
--- Você é mesmo bem receptiva na sua casa, Pen.
--- Não preciso receber você já que está sempre aqui pela madrugada quando Brianna dorme aqui.
--- Ela está dormindo?
--- Como uma pedra, não sei como consegue dormir tão bem se passa o dia infernizando a vida dos outros.
--- Não fale assim da minha esposa.
--- Grande defensor é você, devo lhe dar um prêmio por defender ela tão bem.
--- É incrível como consegue tratar assim a pessoa que dá o seu sustento.
--- Você dá o meu sustento por que eu trabalho para tê-lo Benício, não haja como se fizesse caridade.
--- Claro, claro, sempre certa.
Pen voltou para a sua mesa de trabalho, sabia que Benício ficaria à vontade, nem precisava falar.
Ele foi para a cozinha, estava precisando de um café, fez também uma xícara para Pen, sabia que ela também estava precisando mais que ele.
Naquele momento ele tinha voltado na empresa, ficava até a madrugada trabalhando, já que Brianna sempre dormia com Pen.
Desse modo ele aproveitava e ficava até a madrugada e quando voltava passava na casa de Penélope.
E sempre que passava por ali encontrava ela acordava trabalhando em algum assunto da empresa, admirava o quanto ela era forte.
Os dias em que dormia sem nenhum pesadelo era raro, por isso Pen sempre dormia quando estava totalmente esgotada, aí poderia dormir a noite inteira.
Benício voltou da cozinha, deixou a xícara de café em cima da mesa em que ela trabalhava e se sentou na poltrona para tomar o seu.
--- Pesadelos de novo?
--- Como sempre.
--- Poderia resolver isso conversando com ele, porque você tem que ser tão teimosa?
--- Com que cara eu olharia para ele depois do que aconteceu?
--- Para com isso, você está tirando suas próprias conclusões de algo que só ele poderia decidir.
--- Não adianta, eu não vou olhar para ele, não depois do que aconteceu com ele por minha causa.
Mais uma vez Benício desistiu, não adiantava, nunca adiantou, Pen sempre tirava suas próprias conclusões.
Conversar com ela sobre aquele assunto era perca de tempo, deixaria que ela mesma tomasse essa decisão quando quisesse tomar.
A única coisa que poderia fazer era continuar sendo um amigo para ela, era o mínimo.
--- Espero que esteja pronta para lidar com o novo vice-presidente.
--- Nem um pouco, Theodore acabou com o único resto de sanidade que eu ainda tinha.
--- Também não precisa se preocupar tanto assim, ele é responsável e faz bem o trabalho dele, não vai precisar fazer o trabalho dele, como fazia o de Theodore, disso eu tenho plena certeza.
--- Ao menos isso não é?
--- Sim.
--- Quando irá tirar férias para viajar com Brianna?
--- Assim que o novo vice-presidente se acostumar com a empresa e com os negócios.
--- Brianna não fala em outra coisa, acho que se você não for nessa viagem com ela terá uma vida inteira de sofrimento porque ela não te deixará em paz.
Benício já sabia disso, por isso mesmo já estava planejando tudo para aquela viagem.
Conhecendo bem a amiga, Pen sabia que ela não iria descansar enquanto essa viagem não acontecesse.
Fechou o seu notebook, se sentou no sofá e se enrolou na manta que estava ali, sua mente estava mais uma vez cansada, e ela apagou em questão de segundos.
O sono chegou finalmente, Benício a observou e sentiu pena pela vida que ela levava, não tinha como não sentir compaixão.
A vida de Pen era tão complicada que ela tinha que trabalhar até mesmo para ter um bom sono, não sabia como ela ainda suportava.
Era admirável como ela ainda conseguia sorrir, tinha que admitir, Pen era uma pessoa incrível, tanto como profissional, como na vida pessoal.
Tinha sorte de ter se casado com a amiga dela e de brinde, ainda ganhar uma amizade ali.
Cobriu ela um pouco mais com a manta e seguiu para o quanto em que Brianna dormia, que era o quarto de Pen.
Se deitou na cama e fechou os olhos, dormindo logo em seguida, sua mente também estava cansada e seu descanso estava bem ali ao seu lado.
Pen não se importava que os dois dormissem em sua cama, desde que não fizessem nenhuma relação em sua cama, ela estava tranquila.
Ela também poderia ter um corpo quente para esquentar o seu naquela noite, mas o seu namorado dificilmente dormia com ela.
Por muitas vezes ela chegou a pensar que poderia ser traição, já que Brianna sempre induziu ela a investigar, mas desistiu.
Para Brianna tudo que Gael fazia era inventar uma boa desculpa e enganar sua amiga, mas ela nunca escutava.
Automaticamente só poderia esperar pelo pior, que Pen finalmente pudesse ver quem realmente seu namorado era.