Enquanto seu carro passeava pelas ruas de Roma, Ethan observava para fora da janela.
Seus olhos frios e sem nenhuma expressão não deixavam dúvidas de que ele estava de mau humor naquele exato dia.
Teve que adiar sua viagem de volta para Nova York simplesmente porque tinha problemas para resolver naquela cidade.
A cada segundo soltava um suspiro cansado, não aguentava mais aquele lugar, não depois que tinha mais uma vez a oportunidade de voltar para casa.
Por ser um bastardo, Ethan nunca teve escolha de voltar para casa, só poderia voltar se o pai permitisse e como ele era manipulado pela esposa, dificilmente podia voltar para casa.
Ethan morava em Roma desde os seus dezoito anos, passou quase onze anos ali, não havia gostado da experiência.
Somente o fato de estar ali por motivos do ódio da sua madrasta já não o agradava desde o início.
Roma era uma cidade bonita, mas Ethan odiava aquele lugar, perdeu muita coisa em sua vida, porque teve que largar tudo e ir morar naquela cidade.
Sua relação com a madrasta nunca foi boa, desde que foi largado na porta da casa do pai, ela sempre o odiou, desde o começo.
As palavras mais amorosas que ouviu dela, foi que era um bastardo e que não merecia o amor de ninguém, que era impossível alguém amar a ele.
Foi isso que o tornou um homem de gelo por dentro, mas isso não queria dizer que não amava alguém.
Ethan amava, só não era amado de volta, amava incondicionalmente uma mulher, que tinha certeza que jamais seria recíproco esse sentimento.
Pensar nisso deixava seu coração ainda mais quebrado, mas de alguma forma, se conformava com seu destino c***l, que não havia sido culpa dele.
--- O senhor está pronto para voltar para casa?
--- Sempre estive, Luca.
--- Acha que poderá vê-la após tanto tempo?
--- E porque eu não poderia?
--- Não se faça de bobo Ethan, você a ama, vê-la após tanto tempo trará o desejo de conquistar o coração dela à tona, acha que pode resistir a decisão do seu coração?
--- Irei me esforçar, como eu poderia dar esse tipo de vida a ela?
--- De qual tipo de vida está falando? Você tem tudo que precisa para ter uma vida confortável, é um homem gentil e amoroso, você só não encontrou a pessoa certa para demonstrar isso.
--- Meus problemas iriam assustar ela na primeira conversa.
--- Talvez ela tenha problemas piores que você.
--- Duvido muito, ela parece perfeita, de todas as formas, sempre foi assim, mesmo no passado.
--- Nunca vi um amor tão puro como o seu, essa garota tem sorte.
--- Eu que tenho sorte de poder sentir isso por ela.
--- Se você diz.
Luca era o motorista de Ethan, era ele quem levava o chefe, como o próprio chamava, para todos os lugares, estava com ele desde que o mesmo havia chegado em Roma.
Quando Ethan chegou ali, Luca estava desempregado, precisava de dinheiro para sustentar a família, havia se casado cedo e tinha um filho.
Desempregado e sem saber o que fazer, foi encontrado por ele na frente da mansão em que Ethan iria morar foi assim que se tornou motorista dele.
A mulher de Luca trabalhava como cozinheira e assim, ele não passou mais necessidade com o seu bom trabalho.
Ethan não admitia, mas o seu coração era bondoso, ele sempre ajudava como podia e nunca negava nada a alguém que precisasse.
Por isso Luca sempre acreditava que apesar da escuridão que o envolvia, havia também uma luz que dava sinal no interior dele.
Em casa, Ethan organizou todas as suas coisas, dessa vez não iria mais voltar, mesmo que seu pai o mandasse embora, agora era dono de suas decisões.
Na época que foi mandado para Roma, não tinha idade o suficiente para ir contra as vontades do pai, mas agora, as coisas eram diferentes.
Tinha consciência de que a esposa do pai não suportava vê-lo, mas dessa vez, não iria fazer o que ela queria.
Sua mala estava pronta, e seu coração pela primeira vez em muito tempo carregava também grande felicidade, iria voltar, finalmente.
Após tantos anos nem sabia se as coisas ainda eram como imaginava, o que conheceu no passado já devia ter se modificado depois de muito tempo.
Mesmo com todas essas incertezas, queria voltar, queria vê-la, mesmo que não pudesse tocar nela, queria vê-la.
Sentou na poltrona, fechou os seus olhos, respirou profundamente e imaginou como ela estaria agora, no presente.
Nenhuma vez em todos aqueles anos Ethan pesquisou por ela em redes sociais, não queria vê-la por uma tela, queria vê-la pessoalmente e matar a sua curiosidade.
Um toque insistente no telefone o despertou do sono, bufou indo até o celular, a contra gosto.
--- Você não me deixa em paz mesmo longe?
--- Como eu poderia irmão? Sinto sua falta a todo segundo.
--- Grande mentira, você me liga apenas quando precisa que resolvo algo da empresa.
--- Que isso, dessa vez não estou ligando para você resolver algo da empresa.
--- E está me ligando para que?
--- Para saber se está tudo pronto para a viagem.
--- Tudo pronto, estou apenas esperando a hora de ir para o aeroporto.
--- Ansioso para vê-la?
Benício era a única pessoa que sabia quem era exatamente a mulher que Ethan amava, não só conhecia como convivia com ela.
Achava que o irmão era um i****a por não se declarar para ela, mas não podia o obrigar a fazer algo que ele não queria.
O minino que faria era encorajar, não tinha mais nada que pudesse ajudá-lo.
--- Sabe que sim, como ela está?
--- O mesmo de sempre, te falei por mensagem, você nunca me manda mensagem para saber como estou, mas me mandar mensagem três vezes por dia para saber como ela está, isso sim é ter um irmão.
--- Ela é mais importante que você.
--- Magoou, sabia?
O drama de Benício era tão falso como ele, e Ethan tinha consciência desse detalhe, ele nunca falava sério.
Todas as vezes que Benício ligava era a mesma coisa, para reclamar da falta de afeto do irmão, aprendeu a não se importar mais com isso.
Apesar de ser o irmão mais velho, ele sabia bem como ser dramático.
--- Sua mãe, como ela está com isso?
--- Sabe que ela odeia você, isso nunca muda, eu cansei de tentar conversar com ela.
--- Não odeie sua mãe por que ela não gosta de mim, eu não gosto dela, mas porque ela sempre me odiou, mas você é o filho dela, ela fez de tudo por você e é uma boa mãe, ela só não soube como ser uma boa madrasta, e de alguma forma, eu entendo ela.