Silêncio como resposta.

1149 Words
Ethan esperou que algum médico aparecesse para esclarecer melhor a situação de Pen, já estava sem nenhuma paciência. Um dos médicos que entrou na sala para tratar dos machucados, saiu, se levantou da cadeira que estava sentado. --- Como ela está? --- Bem, as queimaduras foram de segundo grau, ela ficará bem, só precisa deixá-la de repouso cerca de duas a três semanas, é o tempo que precisa para cicatrizar. --- Certo, cuidarei para que ela fique bem. --- Bom, fora isso ela pode ser levada para casa. O médico saiu, as lesões nas pernas e braços de Pen felizmente não eram tão graves assim, claro, foram graves, porém, não tanto. Entrou na sala em que ela estava, percebeu que ela estava mais calma, não chorava mais como chorou quando chegaram ao hospital. --- Se sente melhor? --- Sim. --- Vamos para casa. Ela pacientemente tentou se levantar da cama para andar, antes que ela conseguisse tal feito Ethan a pegou no colo e saiu do hospital. --- As pessoas pensarão que somos um casal, eu já posso andar. --- Deixem que pensem o que quiserem Pen, vou cuidar de você do jeito certo. --- Me deixe em casa. --- Você não vai ficar sozinha lá, vai para a minha casa comigo. --- E porque eu faria isso? --- Não vou te deixar sozinha Pen, passamos lá e apenas eu vou descer para pegar alguma coisa que você precise e só. --- Porque está fazendo tudo isso Ethan? --- Conversamos em casa, Pen. Dirigiu em silêncio, Pen estava se sentindo envergonhada por ter chorado tanto justo na frente do seu chefe, não sabia onde enfiar o seu rosto. Nem olhava diretamente nos olhos de Ethan, nem tinha coragem para fazer isso, se amaldiçoou por ter ido pedir ajuda justo a ele. Poderia ter ligado para Brianna, ou para Benício, mas no momento da dor só pensou em Ethan, não sabia porque mas só conseguiu pensar nele. Talvez porque ele estava mais perto da sua casa, com certeza foi isso não havia outro motivo plausível para ter chamado justo o seu chefe para lhe socorrer. Ethan percebeu a vergonha dela, decidiu ficar em silêncio, não queria que ela sentisse ainda mais vergonha. Seu coração estava mais tranquilo que Pen estava bem, mas sabia que algum assunto estava incomodando o coração dela. Queria perguntar o que era mas deixaria isso para outra hora, queria que ela ficasse bem e apenas descansasse, nada mais que isso. Parou o carro em frente a casa de Pen, ela continuava sem olhar nos olhos dele e morrendo de vergonha. --- O que precisa para passar três semanas em minha casa? --- Oi? --- O que? --- Você acabou de dizer que vou passar três semanas na sua casa? --- Há algum problema nisso? --- Muitos problemas, não vou ficar na sua casa por três semanas já que tenho uma casa. --- Tem outro lugar para passar três semanas? --- Não. --- Ótimo, vamos para minha casa então. --- Ethan. --- Vou pegar suas coisas. Desceu do carro e entrou na casa de Pen, já sabia a senha da porta dela, como era digital e decorou os números foi coisa fácil. Pegou uma mala pequena que encontrou no closet dela, colocou apenas os shorts já que ela não poderia vestir calças por enquanto. Quando chegou na parte das peças íntimas, Ethan ficou indeciso se mexia ou não em algo que era tão íntimo, quis ir embora e desistir de pegar, mas ela iria precisar. Respirou fundo, fechou seus olhos e pegou tudo o que podia, colocou praticamente todas as peças ali dentro. Saiu do quarto dela logo em seguida, fechou a porta da casa, entrou no carro e seguiram para a casa dele. Na hora de descer mais uma vez pegou Pen no colo, levou ela para dentro e a deixou deitada em sua cama, voltou para pegar a mala que havia ficado no carro. Deixou a mala dela dentro do seu closet e voltou para a cama, não havia escapatória, queria descobrir exatamente o que havia acontecido. --- O que houve Pen? --- Nada. --- Você precisa me contar o que aconteceu, sei que está quase se sufocando com tantos problemas dentro de você, posso não ter poder para resolver os seus problemas, mas eu posso te ouvir e te ajudar a não sufocar. --- Minha mãe virou a bandeja com chá em cima de mim. --- Não ouvi Pen, fale mais alto. --- Foi a minha mãe, ela virou a bandeja com chá quente em cima de mim. --- Pen. Ethan sabia dos problemas que Pen tinha com a mãe, mas não sabia que esses problemas eram tão grandes a tal ponto. Pen estava simplesmente com queimaduras de segundo grau, e isso tudo por causa da sua mãe, não entendia o porquê disso tudo. --- Ela me odeia, me culpa pelo que aconteceu e não suporta que o meu pai venha me visitar, hoje ele veio, mas ela apareceu e acabou acontecendo isso. --- Como deixou que tudo isso chegasse a esse ponto, Pen? Ela não tem o direito de te machucar, que tipo de mãe causa queimaduras de segundo grau na própria filha? --- Minha mãe é desse tipo. --- Não vou deixar mais que ela chegue perto de você. --- Como? --- Vou proteger e cuidar de você, sua mãe não vai mais chegar perto, eu vou me assegurar para que isso aconteça. --- Não fale como se tivéssemos alguma relação, você não é meu namorado, amigo próximo ou algo do tipo, somos apenas colegas de trabalho. --- Então eu farei você se apaixonar por mim e vamos namorar Pen. --- Oi? Você enlouqueceu? O que aconteceu com o grande amor que sentia pela mulher que falou naquele dia? --- E se eu dissesse que a mulher é você? Pen perdeu a voz, ficou perplexa, não sabia se levava aquilo a sério ou como uma simples brincadeira, Ethan simplesmente soltou que poderia ser a mulher que ele ama. Balançou sua cabeça negativamente, isso não poderia nem ser possível, ele estava fazendo uma brincadeira de muito m*l gosto, só podia ser isso. Mas a sinceridade no rosto dele deixava bem claro, Ethan não estava brincando, não havia um só traço de brincadeira em seu rosto. Ficou tentada a perguntar se aquilo seria uma brincadeira, mas tinha medo da resposta dele, se ele dissesse que sim, ficaria magoada, se dissesse que não, seu coração sairia pela boca. A melhor opção era deixar aquele assunto de lado, não faria perguntas e não diria nada, o silêncio era com certeza sua melhor opção naquele momento. Precisava descansar, sua mente estava uma tremenda confusão e seu coração estava ainda pior, foram acontecimentos demais para o dia. Poderia pensar em alguma coisa no dia seguinte, naquele momento só precisava fechar os seus olhos e descansar, era apenas isso.
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