Salvação.

1115 Words
Se aproximou lentamente, com passos leves, Pen não havia nem mesmo percebido a companhia de outra pessoa ao seu lado. --- Seria você a salvação dos meus problemas neste momento? --- Eu diria que não, mas quem sabe um desabafo da sua parte não lhe ajude. Pen já sabia que era o seu chefe ali do seu lado, não sabia de onde tinha tirado coragem para falar algo como aquilo. De toda forma, naquele momento seu cérebro não conseguia pensar em outra coisa a não ser na imensa dor que sentia dentro do peito. Agarrou sua mão do lado esquerdo do peito, apertou, a dor era dilacerante, queria gritar e chorar, mas não achava que Gael merecesse suas lágrimas. Respirou profundamente, tentando acalmar seu coração e não deixar que as lágrimas rolassem, como rebeldia, mais uma lágrima rolou. A dor não estava nele, não era ele que estava sentindo a dor, mas Ethan sentiu seu coração doer ao ver o estado em que Pen estava. Passou os dedos no rosto dela limpando o vestígio de lágrima, a cada batida do seu coração sentia um aperto diferente. --- Não chore. --- Eu não vou chorar, não por ele, aquele i*****l não merece nem mesmo uma gota de lágrima minha. --- Quantos anos? --- Cinco, acho que ele a conheceu assim que eu entrei na empresa. --- Não desconfiou nenhuma vez que estava sendo traída? --- Esse é o que me deixa ainda mais com ódio, Brianna avisou que eu devia investigar mais a fundo, mas eu fui uma i****a e confiei nas desculpas sem sentido que ele inventava. --- De qualquer forma, isso já é passado, não fique se remoendo por não ter feito algo que deveria ter feito. --- Sempre fui i****a, as pessoas sempre acharam que eu era fácil de enganar. Ethan olhou nos olhos de Pen, viu que ela não estava sofrendo apenas por ter sido traída, havia um motivo a mais por trás daquela tristeza. Enquanto a encarava tentou descobrir qual seria esse motivo, mas não conseguiu ver nada, não estava nítido o que a incomodava além disso. Quando passou a esfregar o olho, Pen sentiu as lentes incomodar, pegou o seu celular e abriu na câmera, tirou as duas para aliviar o incômodo. Não iria olhar para Ethan, mas quis olhar para constatar que ele ainda estava ali, o silêncio dele era tamanho que tinha dúvidas se ele continuava ali. E ele estava, no mesmo lugar, Ethan aproveitou a oportunidade para contemplar aqueles olhos, os olhos dela, aquela beleza, não sabia como explicar. Pen tinha heterocromia, a condição em que a cor da íris dos olhos, eram de cores diferentes. No seu olho direito a cor era verde claro, no esquerdo a cor era castanho, claro também, era daquelas cores claras que Ethan gostava, as únicas. --- Seus olhos são perfeitos Penélope, não deveria esconder atrás de lentes. --- Gael falou que pareço uma bruxa por ter a cor dos olhos diferentes. --- Vai se importar com a opinião do homem que traiu você por anos? --- Pela primeira vez na minha vida, doeu muito mais ouvi-lo dizer isso. Pen não respondeu a pergunta que Ethan fez, mudou de assunto porque realmente não queria responder e ele percebeu. --- Não fuja da minha pergunta, Penélope. --- Sim Ethan eu me importo, a opinião das outras pessoas sempre doeu, e mesmo que tenha sido Gael, o amei por muito tempo, mesmo que esse sentimento tenha se tornado ódio agora, ele continua tendo sido a pessoa que eu mais confiei em toda a minha vida. --- Pare de se importar com a opinião dos outros, são só opiniões, o que vai definir você é a sua própria opinião e não a dos outros. --- Não é tão fácil assim. --- A mulher mais forte e corajosa que eu conheço está falando isso? Penélope não entendia, mas sentia como se Ethan a conhecesse muito melhor que ela mesma, como se tivessem convivido juntos por anos. O modo como ele falava, era como se conhecesse cada parte dos seus problemas interiores, não entendia como isso poderia acontecer. --- Nós nos conhecemos? --- Se lembraria de mim se já me conhecesse? --- Claro que sim, você não tem o tipo de fisionomia que é encontrada em todo lugar. --- Então estou magoado que não lembre de mim. --- Então nós nos conhecemos. De onde? --- Vamos retomar o tour pela empresa? Ethan se levantou, entregou um óculos escuro para Pen, sabia que ela odiaria que seus colegas vissem como seus olhos realmente eram. Ela havia esquecido que tinha tirado as lentes, colocou os óculos e o seguiu passando na frente dele alguns passos adiante Andando pela empresa e apresentando cada setor a Ethan, Pen continuava pensando em que momento da sua vida o conheceu. Não se lembrava muito bem da sua adolescência, não dos fatos antes do acidente que se envolveu que arruinou a vida de alguém. Se lembrava vagamente de poucas lembranças e a maioria delas era como um borrão, m*l conseguia ver os rostos das pessoas em sua lembrança. Ainda assim, se tivesse conhecido Ethan se lembraria do rosto dele, aquela não era o tipo de beleza que se encontrava a todo momento. Ele sorriu ao constatar que Pen estava tentando se lembrar de quando os dois haviam se conhecido, a mente distante dela não negava isso. Não estava magoado que ela não se lembrasse mais dele, sabia que depois do que aconteceu, ela se esqueceria das lembranças anteriores. No fundo do seu coração esperava que ela pudesse se lembrar, mas como isso não tinha acontecido, não tinha problema. Ao fim do dia Pen seguiu para sua casa e Ethan continuou ali na empresa, com um sorriso de orelha a orelha, aquele havia sido seu melhor dia. A anos que não tinha vivido um dia tão leve como aquele, sentia como se seu dia tivesse sido muito produtivo, apesar de não ter trabalhado realmente. Durante o dia todo Pen apenas apresentou toda a empresa e explicou como tudo funcionava por ali, pacientemente e sem esquecer nenhum detalhe. E ao fim do dia, ela foi embora, o vazio de não ter a presença dela ficou, mas a lembrança de ter passado um dia inteiro ao lado dela estava ali. Isso era muito mais importante, pensar que horas atrás, estava com ela conversando com duas pessoas normais. Poderia viver toda a sua vida assim, tinha certeza que ficar ao lado da mulher que ama mesmo que no trabalho, já era o suficiente. Aproveitaria o fato de estar com ela ao menos enquanto podia, seu amor era grande o suficiente para se contentar com a presença dela.
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