FREDERICK NARRANDO Deixar a Íris na faculdade sem a minha presença é algo que eu preciso me acostumar, e ela também. Afinal, ela tem que terminar os estudos, e eu jamais, em toda a minha vida, tiraria essa oportunidade dela. Mesmo que isso signifique trazê-la todos os dias para a faculdade e buscá-la no fim das aulas, farei o que for preciso. O bem dela é o mais importante para mim. O caminho até Heliópolis é um pouco longo, especialmente durante o dia, com o trânsito infernal de São Paulo. Eu estava no volante, e meu cunhado, o Matador, estava no banco do passageiro. Ele tinha o braço apoiado na janela, o olhar atento ao movimento lá fora. Mesmo enquanto conversávamos, eu sentia sua presença me analisando, calculando cada palavra que eu dizia. — Fred, vou ser direto. Dar um baile é um

