— Então você é uma bruxa? — Pergunto, encarando Bianca, que balança a cabeça negativamente.
— Não, senhor. Sou uma fada. Minha avó é uma bruxa, meu pai virou mago e se casou com minha mãe, que é uma fada. Eu sou uma mistura dos dois mundos.
— Graças à a******a das fronteiras das comunidades, todos os seres se misturaram e formamos um território forte. — Matias fala entrando no quarto.
— Beta... — Todos abaixam a cabeça em sinal de respeito.
— Agora, gostaria de pedir a vocês que deixem ela descansar. Ainda está se recuperando. — Falo, e todos me olham.
— Meu celular, Bianca... Eu perdi ele e não faço ideia de onde está. Avise minha mãe que vou dormir na sua casa. Não quero ela aqui chorando como sempre faz... — Anya diz com uma voz doce que me enfeitiça.
— Eu vou. Amanhã você vai pra sua casa e me liga.
— Eu ligo sim...
Vejo a amizade e o carinho que os amigos dela têm por ela e fico satisfeito.
Depois que saem do quarto, ficamos só nós três. Meu Beta ainda tinha algumas coisas para falar comigo.
— Como ela está? — Ouvimos a voz de Victoria assim que ela entra no quarto. Olho para Anya e seus olhos se arregalam.
— Bem, minha querida. — Matias fala, e Victoria se aproxima da cama.
— Oi, eu sou a Victoria... — Ela nem termina de falar, e Anya interrompe, fazendo todos rirem.
— Eu sei, uau, você é linda! Muito mais linda pessoalmente. Meu amigo Dustin é apaixonado por você. Desculpa, senhor Matias, mas sua companheira é lindíssima. Ah, e incrível na caça, e rápida. — Anya elogia Victoria, que fica sem graça.
— E você é adorável. — Victoria fala, e Anya fica sem graça.
— Desculpa, eu falo demais quando fico nervosa.
— Você está nervosa, Anya? — Pergunto, me levantando do sofá e indo na direção dela. Argus, meu lobo, fica todo manhoso perto dela.
— Vocês são todos incríveis. O senhor Alfa Demetrius Wolf é um Lycan original, sem mácula, de uma linhagem real pura, um supremo. O senhor Beta Matias é um lobo branco de uma linhagem original da família Lupius. E você, Victoria, é uma tigresa da família Tagous, super antiga. Como não ficar nervosa perto de vocês?
Seu jeito fofo me deixa ainda mais encantado. Seu brilho nos olhos e seu sorriso... cara, ela tem uma covinha no lado esquerdo da bochecha. Mas se Argus está certo e ela pode ser minha companheira, por que ela não está reagindo assim comigo? Me lembro de quando a Victoria e Matias se encontraram, foi imediato. Olho para ela e não entendo. Será que é porque sua loba ainda não aflorou? Mas eu a sinto, e não é uma simples, ela tem poder, adormecido sim, mas está lá.
— Obrigada por suas palavras, mas você é incrível também, afinal está aqui e viva. — Victoria fala, e Anya responde.
— Que nada, foram vocês que chegaram na hora. Eu não tenho lobo, não tenho magia, sou uma sem alma, como dizem. — Ela fica triste, e Argus fica com raiva, me fazendo ficar também.
— Quem falou para você que você não tem alma? — Falo irritado. — Vou arrancar a cabeça dessa pessoa.
— Demetrius... — Matias fala, mas Argus está bravo, e eu também.
— ALFA... — Victoria fala, parando na minha frente. Balanço a cabeça e vejo Anya calada, encolhida na cama. Argus tomou meu controle; meus olhos estavam vermelhos e meus pelos aparecendo. Saio do quarto batendo a porta, corro pelos corredores do hospital. Argus está com raiva, e eu também. Chamam ela de sem alma. Ela é tão pura. Nunca me engano com isso, nunca me engano quando a pessoa mente. Eu sinto, eu sei. Por que fazem m*l a ela? Vou ter uma conversa com os anciãos da vila, como eles deixaram tratarem ela m*l? Não, ela é uma boa pessoa...
— ALFA... — Escuto meu Beta falar na minha cabeça. Não tinha reparado que estava na floresta correndo. Minha cabeça desligou do meu corpo, Argus assumiu o controle. Me acalmo e o domino.
Paro em um lago próximo e bebo um pouco de água.
— Alfa, posso me aproximar? — Ele pergunta novamente.
— Sim... — Falo, já me transformando em minha forma humana. Vejo ele se transformar também e me sento em uma pedra à beira do lago.
— O que foi isso, Demetrius? — Ele me olha preocupado. Suspiro, sem saber o que falar. Sou sempre centrado, dono de mim.
— Anya... — Falo, e ele se senta ao meu lado.
— O que tem ela?
— Argus está na minha cabeça, me deixando louco. Ele diz que ela é minha companheira, mas não vi a mesma conexão que você e Victoria tiveram. — Falo, confuso.
— Talvez o susto e a emoção que ela sofreu tenham camuflado algo dentro dela. — Ele diz, e eu penso.
— Ela tem uma loba. Eu e Argus sentimos isso. Ainda não aflorou, talvez seja isso.
— Sim, agora vamos voltar. Deixa o tempo tomar seu curso. Ela ficou assustada. — Ele fala, e Argus se aninha em meu ser, e eu o repreendo.
Não queria isso, mas ela disse que as pessoas a menosprezam, e eu fiquei louco.
— Eu sei como é isso. Não aceito que falem de Victoria, mas vamos. Ela ficou preocupada.
Saímos em direção ao hospital. Eu não sei o que deu em mim.
Entramos, e Nathan, um coiote que trabalha conosco, vem e me entrega uma troca de roupa.
Entro no quarto, e Victoria conversa com ela alegremente. Me aproximo e as duas se calam. Chego perto e noto em seus olhos receio. Saio e sento no sofá em silêncio.
— Victoria querida, podemos conversar aqui fora? — Matias fala, e Victoria sai do quarto, mas antes me olha me questionando.
Eu me levanto, e meus quase dois metros de altura chamam a atenção dela.
— Quero te pedir desculpas, mas meu lobo se irritou, e não é sempre que ele faz isso.
Ela me olha e sorri.
— Tudo bem, não tive medo por mim. Fiquei preocupada com o senhor. Não sinto medo quando estou perto de você. Não sei explicar, mas me sinto segura.
Ela fala e me aproximo, sinto seu cheiro e Argus se agita.