Mia em nenhum momento parou de pressionar o ferimento de Hugo.
Ela havia crescido em uma cidade humilde e perigoso no México, e sabia da importância de pressionar um ferimento a bala, por já ter presenciado outros tiroteios.
Bruno e Luca que já estavam preocupados com Hugo, ficaram ainda mais aflitos quando viram o estado do rapaz.
— Vou ligar para o Dr. Mancini — Luca falou olhando para Hugo que estava pálido e suando muito.
Enquanto Luca fazia a ligação, Hugo perguntou para Bruno:
— Como foi lá em cima?
— Matamos um deles, mas o outro conseguiu fugir.
— Isso não podia ter acontecido, ele viu o rosto dela e viu ela desviando a bala e me tirando do fogo cruzado.
Mia escutava tudo atentamente, e só nesse momento se deu conta que estava em perigo, por ajudar um homem que nem conhecia.
— Precisamos protegê-la! Nós não podemos deixar que a façam m*l — Hugo falou gemendo com uma expressão de dor e com a voz enfraquecida.
Hugo estava suando, pálido, e dando sinais de que ia desmaiar.
Luca que já tinha chamado o médico que viria de helicóptero para ser mais rápido, foi em direção a Hugo.
— Cara, não apaga, fica acordado, o Dr. Mancini está chegando.
Hugo tentava se manter acordado, mas seus olhos insistiam em fechar.
Alguns minutos depois, Dr Mancini chegou com um enfermeiro e uma maca, e foi em direção a Hugo. Ao observar o ferimento, uma expressão de preocupação se formou em seu rosto.
— Como ele está, doutor? — Bruno perguntou com sua testa enrugada de preocupação.
— Precisamos levar ele para a clinica imediatamente.
— Certo, vocês vão de helicóptero, nós já chegamos lá de carro. — Bruno falou e já ia saindo quando Hugo ordenou.
— Levem Mia para nossa casa e cuidem dela.
— Certo, faremos isso, não precisa se preocupar — Bruno falou saindo com Luca em seguida.
— Moça, preciso que você continue pressionando o ferimento — Dr. Mancini ordenou, e em seguida ele e o enfermeiro colocaram Hugo na maca.
Mia assentiu, e eles seguiram em direção ao helicóptero que já estava com os motores ligados no heliponto do hotel.
No helicóptero, Mia não parou de pressionar o ferimento de Hugo um segundo sequer. A essa altura ele já não conseguia mais se manter acordado, e sua febre só aumentava.
Chegando na clínica, Hugo foi levado direto para o centro cirúrgico, que já estava com uma equipe a espera deles.
Dr. Mancini pediu que Mia esperasse lá fora, e eles começaram a cirurgia para salvar a vida de Hugo.
Mia ficou aguardando no corredor, sem saber muito bem o que fazer. Ela se pegou rezando para que Hugo sobrevivesse, e não entendia o motivo de está tão aflita e com tanto medo que aquele homem desconhecido morresse.
Em poucos minutos Bruno e Luca chegaram.
— Como ele está? — Bruno foi quem perguntou.
— Eu não sei, ele está em cirurgia.
— Obrigado por ter salvado a vida dele — Luca falou com um sorriso amável, ainda bastante abalado e preocupado com o seu irmão. — Se você não tivesse desviado aquela bala, o tiro seria na cabeça do meu irmão. Sem falar que se não tirasse meu irmão daquele fogo cruzado, provavelmente Hugo teria sido atingido por mais tiros.
— Não precisa agradecer, eu não sabia bem o que estava fazendo, foi instinto.
— Instinto ou não, você salvou a vida do meu irmão — Luca respondeu com uma gratidão sincera.
Mia deu um leve sorriso, e depois de pouco mais de uma hora, Dr. Mancini saiu da sala de cirurgia.
— Como ele está, Doutor? — Mia perguntou aflita, e logo se deu conta de que quem deveria fazer aquela pergunta seria alguém próximo e não ela.
— Correu tudo bem na cirurgia — Dr. Mancini iniciou o prognóstico, deixando as três pessoas a sua frente mais aliviados. — O fato da moça ter pressionado o ferimento, aumentou de forma significativa as chances dele de vida.
— O que acontece agora, doutor? — Bruno perguntei, e Luca e Mia esperaram atentamente a resposta.
— As próximas vinte quatro horas serão cruciais — o médico respondeu — E por falar nisso, nós manteremos ele sedado até amanhã, então vocês podem ir embora se quiserem e voltar amanhã.
Quando Dr. Mancini se retirou, os pais de Hugo chegaram.
— Como está meu filho? — Angela Ferrari, mãe de Hugo e Luca, perguntou enquanto se aproximava.
— Acabou agora a cirurgia, mãe, ele ficará sedado por vinte quatro horas — Luca respondeu abraçando os seus pais.
— Como aconteceu tudo? — Stephano Ferrari perguntou com uma nítida preocupação em seu olhar.
— Estávamos apresentando o hotel para alguns acionistas, quando percebemos que havia uma movimentação no corredor — Bruno começou explicando. — Nós vimos dois dos nossos seguranças mortos, e logo a troca de tiros começou.
— Nós já haviamos atingido alguns homens deles, quando Rocco saiu de um dos quartos, fazendo essa moça de refém — dessa vez foi Luca que falou, apontando para Mia.
— Você está bem, querida? Qual seu nome? — Angela perguntou com uma visível preocupação.
— Estou sim, obrigada! Eu me chamo Mia.
— Rocco atirou no Hugo, mas na mesma hora levou um tiro do Luca pelas costas e morreu. O tiro do Rocco atingiu a lateral da barriga do Hugo, e foi graças a Mia que o tiro não foi na cabeça, já que ela bateu no braço do Rocco para evitar que o Hugo fosse atingido — Bruno continuou contando. — Depois ela ainda correu, arrastou o Hugo até a lateral do corredor e levou ele até um quarto no andar de baixo.
— Você salvou meu filho — Ângela segurou firme a mão de Mia, com seus olhos marejados de gratidão.
— infelizmente, um dos homens dos Grecco conseguiu fugir enquanto eu e o Luca trocamos tiros com eles, e ele viu o rosto da Mia — Bruno explicou.
— Mia, obrigado! Você salvou a vida do meu filho — Stephano falou ainda consternado. — Você terá nossa gratidão eterna.
Mia assentiu um pouco envergonhada, e em seguida abaixou a cabeça.
— Vocês foram muito eficientes, eu estou orgulhoso — Stefano falou e em seguida completou: — Mia, você já deve saber que precisa ficar sob a nossa proteção, nós não deixaremos que nada de m*l te aconteça.
Mia ficou em silêncio.
"O que será que isso significa? Eu não vou poder voltar para minha casa?"
— Vocês podem ir, eu já reforcei a segurança e vou ficar aqui com ele — Luca falou depois de deixar oito homens no total fazendo a segurança da clínica.
— Eu também ficarei — Stefano falou dando um beijo na testa da sua esposa — Bruno, leve a Ângela e a Mia para a casa do meu filho e reforce a segurança lá também.
— Certo — Bruno respondeu indo em direção ao estacionamento com as duas mulheres.
Eles entraram em um carro onde já tinha um segurança que iria dirigindo, e atrás deles iam outros dois carros com dois seguranças em cada
Mia foi todo o caminho calada, refletindo como que aquele dia, que deveria ter sido um primeiro dia de trabalho comum, tinha se tornado tudo aquilo? Ela m*l tinha fugido de um pesadelo e já estava entrando em outro.
Angela interrompeu seus pensamentos.
— Querida, você foi muito corajosa se arriscando daquela forma pelo meu filho. Eu nunca vou conseguir agradecê-la suficientemente.
— Eu só agi instintivamente, mas espero que ele fique bem — Mia respondeu meio sem jeito.
— O médico falou poucos minutos antes de vocês chegarem, que o fato dela ter pressionado o tempo inteiro o ferimento dele, fez com que aumentasse as chances dele de vida — Bruno falou deixando Mia ainda mais sem graça e Ângela ainda mais grata.
— Eu morei em um lugar muito perigoso, e ferimentos a bala eram comuns por lá — Mia falou explicando o porquê não soltava o ferimento de Hugo.
— E hoje você não mora mais lá? — Ângela perguntou com uma certa curiosidade.
— Era no México, eu me mudei a poucos dias para Las Vegas, por conta do trabalho no hotel.
— Você mora com quem? — Ângela perguntou e logo Mia pensou que ela fazia muitas perguntas.
— Eu moro sozinha, e como me mudei a pouco tempo, ainda não conheço muita coisa por aqui.
— E sua família? — Ângela fez a pergunta que Mia mais tinha receio em responder.
— Meus pais morreram não faz muito tempo — não demorou para as lágrimas começarem a cair do rosto de Mia.
— Eu sinto muito, Mia, muito mesmo — Ângela disse com sinceridade.
Como não conseguia conter as lágrimas, Mia apenas virou o rosto e ficou olhando a paisagem através da janela do carro.
A forma que ela havia perdido seus pais foi muito traumática, e seu coração ainda estava despedaçado.