Quando chegou na casa de Hugo, Mia ficou impressionada com a sofisticação daquela mansão, mas principalmente, impressionou-se com a quantidade de homens armados fazendo a segurança do local.
— Mia, imagino que você queira tomar um banho — Bruno falou, já que era bem visível a quantidade de sangue no uniforme dela — Eu vou te mostrar onde ficará seu quarto.
— Sim, eu preciso de um banho.
— Por enquanto você pode vestir uma roupa do Hugo, se não se importar. Quando terminar de tomar banho, você desce que eu vou pedir para providenciarem algo para você comer.
Mia estava indo em direção as escadas quando lembrou.
— Minha bolsa com as chaves da minha casa ficaram no meu armário no hotel — ela falou meio desconsertada.
— Você está com a chave do armário? Se tiver, me dê a chave que eu vou pedir para alguém buscar suas coisas.
— Sim, está aqui — ela falou mostrando as chaves — Mas provavelmente a minha chefe não irá deixar vocês abrirem. Na verdade, nem sei se ainda tenho uma chefe e um trabalho a essa altura.
— Não se preocupe, nós resolveremos isso — Bruno falou na tentativa de tranquiliza-la, mas sem dizer que Hugo era dono do hotel e que ele e Luca eram sócios acionistas — Eu vou pedir para buscarem a sua bolsa, e depois que você comer posso te levar na sua casa para buscar suas coisas mais urgentes.
— Obrigada! — Mia falou ainda um pouco tímida, e em seguida terminou de subir as escadas.
Uma das funcionárias da casa de Hugo chegou no quarto com algumas peças de roupas dele, para que Mia pudesse ver se iria servir. Em seguida, a camareira foi tomar um banho, pois o que ela mais queria era tirar aquele cheiro de sangue que havia impregnado nela.
Mia ficou pensativa enquanto deixava a água cair, e veio flashes na sua cabeça de tudo o que havia acontecido. Ela não sabia se sentia medo ou se poderia se sentir protegida naquela casa, visto que apesar de ser uma fortaleza e de ter tantos homens armados, aquelas pessoas pareciam boas.
Ela desceu vestida com uma camisa e uma calça de moletom de Hugo, que davam duas dela dentro.
Bruno e Ângela estavam sentadas na mesa de jantar, e sorriram ao olhar para ela, que parecia ter encolhido dentro da roupa.
— Digamos que dariam dois gatos brigando aqui dentro — Mia falou abrindo os braços para mostrar o quão grande a roupa estava nela.
— Verdade — Ângela confirmou sorrindo.
Mia se sentou para comer, e teve que se controlar para não exagerar diante de tantas coisas gostosas. Ela estava faminta, e se lembrou que naquele dia só tinha tomado um pouco de café para acordar e comido uma maçã.
Assim que eles terminaram, um dos homens de Hugo chegou trazendo a bolsa de Mia. Bruno se apressou em chamar Mia para que eles pudessem ir. Quando antes eles fossem e voltassem, mais seguro seria.
Eles logo entraram no carro, sendo seguidos por dois seguranças no carro de trás.
Chegando na casa de Mia, os dois seguranças ficaram fazendo a guarda, enquanto que Mia e Bruno entraram. Bruno fez uma revista rápida, e em seguida Mia pegou uma mochila e começou a colocar algumas roupas, calçados, produtos de higiene pessoal e seus documentos.
Ela foi bem rápida a pedido de Bruno, que não queria que eles ficassem se expondo, e logo já estavam de volta na casa de Hugo.
A noite, Mia estava na área externa pensativa, e Ângela se juntou a ela.
— Alguma notícia do seu filho? — Mia perguntou após sair dos seus pensamentos, ao notar a presença da mulher.
— Acabei de falar com meu marido, mas tudo permanece igual — Ângela falou suspirando e sentando na espreguiçadeira ao lado de Mia — Ele realmente só acordará amanhã.
Mia deu um leve sorriso.
— Eu tenho certeza que ele ficará bem, meu filho sempre foi muito forte, nem gripe pegava.
— Vai sim, vamos ter fé.
Elas permaneceram conversando por um tempo. Ângela contou algumas coisas de quando Hugo e Luca eram crianças, já Mia apenas escutou, ela ainda não se sentia à vontade em falar sobre ela para aquelas pessoas.
Depois de um tempo, Mia se despediu de Ângela e foi para o seu quarto. Apesar do sono, ela se virou a noite inteira, pois seu sono estava agitado. Tudo que aconteceu fez ela lembrar de traumas do passado, e essas eram coisas que ela queria esquecer.
Quando Mia acordou, não tinha ninguém em casa a não ser os funcionários.
— Bom dia! Onde foram a Sra. Ferrari e o Bruno?
— Eles foram visitar o Sr. Hugo — Marta, a funcionária responsável pela casa falou enquanto cortava alguns vegetais.
— Você tem alguma notícia do Hugo?
— Não, mas a Sra. Ângela prometeu mandar notícia. Sr. Hugo é um bom patrão e todos aqui gostam muito dele.
— Ah é?
— Sim, ele é muito generoso, não só ele como todos da família, mas tenho mais conviveu com ele, com Sr. Luca e com o Bruno, que também são uns amores.
— Você trabalha aqui a muito tempo?
— Na verdade eu cuido da casa de Nova York, mas quando o Sr. Hugo vem para passar mais tempo aqui, ele pede que eu venha junto.
— Ele deve confiar muito em você.
— Não precisa se esforçar tanto para agradá-lo, ele gosta das coisas simples, mas não abre mão de pessoas leias. Desde que ficou viúvo, ele não confia em ninguém até que tenha motivos para isso.
— Ele é viúvo?
— Sim, ficou viúvo assim que voltou de lua de mel.
— Meus Deus! Deve ter sido muito difícil para ele, eu não fazia ideia — Mia falou com um sincero pesar. — Desculpa a indiscrição, mas o que aconteceu?
— Desculpa, mas eu já falei mais do que eu deveria. Você parece ser confiável, e com o tempo o Sr. Hugo vai perceber isso, e ele mesmo vai se abrir para você.
— Nós não somos tão próximos — Mia tentou esclarecer. — As circunstâncias nos aproximou, mas muito em breve eu não estarei mais aqui.
— Se você está nessa casa, você não é uma estranha.
— Eu só estou aqui porque preciso de proteção — Mia tentou argumentar, mas Marta conhecendo bem o seu patrão, fez com que o argumento de Mia caisse por terra.
— Acredite, ele teria inúmeras formas de te proteger. E eu repito, se você está nessa casa, você não é uma estranha.
Mia não sabia até que ponto Marta tinha conhecimento do que havia acontecido, então preferiu se calar, mas tinha consciência de que o único motivo de estar naquela casa era a gratidão que Hugo sentiu, por ela ter salvado a vida dele.