CAPÍTULO 23: Máscaras de Cristal e o Pacto das Sombras

1593 Words
POV – VITTORIA ORTEGA VITALE O camarim privado da mansão-base estava impregnado com o cheiro de laquê e perfumes caros. Eu observava meu reflexo no espelho: um vestido de alta costura n***o, com uma f***a que subia até o limite da sanidade, e joias que valiam o PIB de uma pequena nação. Dante Moretti estava encostado na porta, observando-me com um sorriso que nunca chegava aos seus olhos escuros. — Você está deslumbrante, Vittoria — Dante disse, a voz como seda sobre cascalho. — O Arquiteto vai ter um derrame quando nos vir atravessar aquele tapete vermelho. — Esse é o objetivo, Dante — respondi, ajustando um brinco de diamante. — Obrigada por aceitar esse papel. Eu precisava de alguém que ele não pudesse ignorar. Lorenzo precisa entender que eu não sou uma peça decorativa na estante dele. Dante soltou uma risada curta e sombria, dando um passo para dentro do quarto. — Não me agradeça ainda. Você sabe que eu não estou aqui por caridade, nem mesmo pela nossa antiga aliança de família. Eu aceitei esse circo porque era a maneira mais rápida de entrar nesta base sem ser alvejado pelos snipers do seu "Arquiteto". Eu o encarei pelo reflexo. — Você está aqui por ela, não é? Dante deu de ombros, mas um brilho maníaco surgiu em seu olhar. — Helena Rossi d’Ávila. A pequena stalker do Lorenzo. Ela tem me seguido desde que nos vimos em Roma, dois anos atrás. Ela hackeou meus sistemas, seguiu meus passos por três continentes e enviou fotos da minha própria rotina para o meu e-mail privado. — E você não a matou? — perguntei, curiosa. — Matar? — Dante riu novamente, dessa vez de forma mais aberta. — Vittoria, no meu mundo, as mulheres costumam fugir de mim. Encontrar uma que me caça com a mesma ferocidade com que eu caço meus inimigos... isso é mais do que amor. É destino. Eu gosto de alguém que seja tão quebrado quanto eu. — Então somos dois casais disfuncionais sob o mesmo teto — suspirei. — Vamos. O espetáculo vai começar. POV – LORENZO ROSSI A Noite de Gala no Museu de Arte Contemporânea de Chicago era o evento do ano. O Conselho de 12 estava lá para mostrar força. Vinícius e Maya entraram primeiro, e a imagem deles era a perfeição moderna: o soldado e a médica, unidos pelo sangue e pelo desejo. Julian e Isabella vieram em seguida, a lei e a ordem caminhando lado a lado. Caleb e Aurora exalavam o poder dos mares. Eu estava no topo da escadaria principal, cumprimentando senadores e magnatas, mas meus olhos não saíam da entrada principal. Meu coração martelava contra as costelas como um animal enjaulado. Então, as portas se abriram. O burburinho no salão morreu instantaneamente. Vittoria entrou, e ela parecia uma deusa da destruição. Mas o que me fez ver vermelho — uma fúria tão cega que senti o gosto de metal na boca — foi a mão de Dante Moretti pousada possessivamente na cintura dela. Ele sussurrava algo no ouvido dela, e ela ria. — Ele não ousou... — a voz de Vitor, meu irmão, soou ao meu lado. Ele estava tenso, mas seus olhos procuravam outra pessoa. Eu não esperei. Ignorei o senador com quem falava e desci os degraus em passadas largas. O mundo ao redor desapareceu. Não havia gala, não havia Vanchini, não havia Conselho. Havia apenas ela. E ele. Cheguei à base da escada no exato momento em que eles paravam. Antes que Dante pudesse dizer uma palavra, eu segurei o braço de Vittoria e a puxei para o meu peito com uma força que quase a fez tropeçar. — Ela é minha — rosnei para Dante, minha voz saindo num tom baixo e letal que fez os convidados próximos recuarem. — Saia daqui agora, Moretti, antes que eu decida que a sua vida não vale a aliança entre nossas famílias. Dante não se moveu. Ele apenas sorriu, uma expressão de pura diversão. — O Arquiteto finalmente encontrou sua voz? — ele perguntou, com uma calma insultante. — Estranho. Ela me disse que você era apenas um mestre em plantas baixas, não em possessividade. — Lorenzo, você está me machucando — Vittoria sussurrou, mas havia um brilho de triunfo em seus olhos. Eu a estava assumindo. Da pior forma possível, na frente de todos, mas eu estava. — Você não vai a lugar nenhum com ele — eu disse, apertando-a contra mim, desafiando qualquer um no salão a intervir. Eu estava pronto para começar uma guerra ali mesmo, até que algo inesperado aconteceu. POV – HELENA ROSSI D’ÁVILA Eu estava observando das sombras, como sempre fazia. Meu irmão Lorenzo acha que controla tudo, mas ele não tem ideia do que eu sou capaz. Eu estudei Dante Moretti. Eu conheço o batimento cardíaco dele, o modo como ele prefere seu café e a marca de pólvora que ele usa. Ele é o caos que eu preciso para complementar o meu silêncio. Quando vi Lorenzo puxar Vittoria, percebi que a distração era perfeita. Saí de trás de uma das colunas de mármore. Eu não estava usando um vestido delicado; meu traje era de seda branca, cortado como uma armadura. — Dante! — gritei. Corri em direção a ele e, sem hesitar, pulei em seu colo, entrelaçando minhas pernas em sua cintura e meus braços em seu pescoço. O impacto quase o derrubou, mas ele me segurou com uma firmeza que me fez derreter por dentro. — Você demorou para chegar em Chicago — sussurrei contra o pescoço dele, ignorando o choque coletivo do salão. — Eu vi você no aeroporto. Você estava cinco minutos atrasado. Dante olhou para mim, e pela primeira vez, vi um homem olhar para uma mulher como se estivesse diante de um espelho de sua própria loucura. Ele não me afastou. Ele me apertou mais forte. — Eu tive que me certificar de que você estaria assistindo, pequena stalker — ele respondeu, com um brilho de pura adoração sombria. POV – LORENZO ROSSI O choque foi tão grande que soltei o braço de Vittoria. Eu olhava para minha irmã caçula, a reservada e fria Helena, agarrada ao herdeiro da Máfia Moretti como se ele fosse o seu oxigênio. — Helena! O que significa isso? — perguntei, minha voz falhando pela primeira vez na noite. Vitor aproximou-se, tão confuso quanto eu. — Você conhece esse cara, Helena? Helena desceu do colo de Dante, mas manteve a mão firmemente entrelaçada na dele. — Eu o conheço melhor do que ele conhece a si mesmo, Lorenzo. Dante é o meu par. Ele é o que faltava para eu ser completa neste Conselho. Dante deu um passo à frente, agora sem o sorriso provocativo, mas com uma seriedade que exigia respeito. — Lorenzo Rossi, você queria membros de valor para o seu Conselho de 20. Eu sou o herdeiro da Costa Leste. Eu controlo os portos que o Caleb não alcança. Eu tenho a força bruta que o Vinícius precisa para a retaguarda. E, mais importante que tudo isso... — ele olhou para Helena — ...eu sou o único homem na terra capaz de lidar com a sua irmã. — Ele é o par perfeito dela, Lorenzo — Vittoria disse ao meu lado, a voz carregada de ironia. — Helena o persegue há dois anos. Dante gosta de ser caçado. É uma união feita no inferno, o que a torna perfeita para nós. Eu olhei para o par à minha frente. Dante e Helena exalavam uma energia perigosa, instável, mas absolutamente leal um ao outro. Eu vi no olhar de Dante que ele não estava brincando. Ele protegeria Helena com a mesma ferocidade com que ela o observava das sombras. — Você vai ter que provar, Moretti — eu disse, tentando recuperar a postura. — O Conselho não aceita apenas sobrenomes. — Eu já provei — Dante respondeu, puxando um pen drive do bolso interno e entregando a Vitor. — Estão aí as coordenadas de todas as rotas de fuga que os Vanchini planejaram para esta noite, caso o atentado deles contra esta gala desse certo. Meus homens já neutralizaram metade deles lá fora enquanto vocês bebiam champanhe. Vitor olhou para o dispositivo e depois para Helena, que acenou positivamente. — Ele está falando a verdade, Lorenzo — Vitor confirmou. — As rotas são reais. Ele nos salvou de um m******e antes mesmo de entrar. Respirei fundo. O Conselho de 20 acabava de ganhar seu 15º membros (contando com Helena assumindo seu lugar com o par). Mas o que mais me atingiu foi o peso da realidade. Meus irmãos, meus amigos... todos estavam encontrando seu destino. Virei-me para Vittoria. Ela estava me olhando, esperando. O salão inteiro estava olhando. — Vittoria... — comecei. — Diga logo, Arquiteto — ela sussurrou. — Antes que eu mude de ideia e peça para o Dante me levar daqui. Puxei-a pela cintura novamente, mas desta vez não com fúria, mas com uma entrega que eu não sabia que possuía. — Você não vai com ninguém. Nunca mais. Você é minha parceira, minha Rainha e a única mulher que eu permitirei que governe ao meu lado. O beijo que selou aquela promessa foi a verdadeira inauguração da Nova Chicago. Em meio ao luxo, à traição e ao sangue, o Conselho de 20 estava se tornando uma força imparável. Helena e Dante, Vinícius e Maya, Lorenzo e Vittoria. A "Máquina" agora tinha um coração, e ele batia com a violência de uma dinastia que não conhecia limites.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD