POV – ISABELLA DUARTE
Se o Conselho era o corpo de Chicago, eu era a sua espinha dorsal jurídica. Eu limpava o rastro de sangue com contratos e transformava guerras de máfia em disputas corporativas legítimas. Mas até eu, com minha mente de aço e códigos penais, tinha um ponto cego.
Seu nome era Julian Vane.
Julian era o Promotor Público mais jovem e implacável que o estado de Illinois já vira. O que o mundo não sabia era que Julian e eu tínhamos um pacto que vinha de anos. Nós nos conhecemos na faculdade de Direito em Yale, competindo pelo topo da turma. O que começou como rivalidade acadêmica terminou em noites clandestinas em bibliotecas e apartamentos alugados. Nós já nos amávamos muito antes de o Conselho ser formado, mas nossa união era o pecado supremo: a advogada da máfia e o homem que deveria prendê-la.
— Você está me pedindo para cruzar a linha final, Isabella — Julian disse, sua voz calma e grave ecoando no meu escritório particular na base.
Ele estava de pé, observando as luzes da cidade. Julian era a personificação da ordem: terno cinza chumbo, postura impecável e um olhar que atravessava qualquer mentira.
— Eu estou te pedindo para governar ao meu lado, Julian — respondi, aproximando-me e ajustando sua gravata. — O sistema que você serve está quebrado. O Conselho é a nova ordem. Com você como nosso par, o que é "ilegal" passará a ser decidido por nós.
Julian segurou meu rosto com as mãos grandes e firmes. O amor que brilhava em seus olhos era o único lugar onde eu me permitia ser vulnerável.
— Eu faria qualquer coisa por você. Você sabe disso. Mas se eu entrar para esse Conselho de 20, não haverá volta.
— Não há volta para quem nasceu para ser Rei, Julian.
POV – LORENZO ROSSI
Eu estava na sala de monitoramento, mas minha mente não estava nos relatórios. Eu estava possesso. Vittoria não estava na base há seis horas. O ultimato que ela me dera sobre a noite de gala queimava na minha pele.
— Lorenzo, Julian Vane está aqui — a voz de Arthur soou pelo rádio. — E ele trouxe presentes.
Fui até o pátio de treinamento. Isabella estava ao lado de Julian. Para testar o novo m****o, eu havia preparado uma armadilha: uma célula remanescente dos Vanchini foi "vazada" sobre o paradeiro de Julian.
Três carros pretos invadiram o perímetro. Dez homens armados saltaram, prontos para eliminar o promotor que estava acabando com seus esquemas. Julian não se abalou. Ele não sacou uma arma imediatamente; ele sacou um telefone.
— Agora — ele disse apenas.
Em segundos, as luzes da rua se apagaram. O sistema de som dos carros dos atacantes começou a emitir um ruído de alta frequência que os deixou desorientados. Julian sacou uma pistola de precisão e, com uma calma assustadora, derrubou três homens em três segundos. Ele não atirava para matar, atirava nos nervos motores, neutralizando-os para que pudessem ser interrogados.
— Ele não é só um promotor — Lucas comentou ao meu lado, impressionado. — Ele é um estrategista tático.
Julian se moveu como uma sombra, usando o cenário a seu favor. Quando o último homem tentou fugir, Julian o imobilizou com um golpe de judô que faria um mestre se orgulhar.
— Lorenzo — Julian disse, limpando o terno enquanto Isabella caminhava até ele com um orgulho brilhante nos olhos. — Meus contatos no governo já deletaram qualquer registro dessa invasão. Para o mundo, esses homens nunca existiram. E para o Conselho, eu agora sou o seu escudo legal e tático.
Eu o encarei. Julian Vane era perfeito. Ele e Isabella formavam uma unidade de controle que o Conselho desesperadamente precisava. O par de Isabella estava oficialmente dentro. O Conselho agora tinha 14 membros.
POV – VITTORIA ORTEGA VITALE
Lorenzo achava que podia me manter na reserva de sua vida. Ele achava que eu esperaria até que ele se sentisse "seguro" para me assumir. Ele esqueceu que eu sou uma Vitale, e nós não esperamos pela permissão de ninguém.
Entrei na base caminhando com um propósito. O som dos meus saltos atraiu a atenção de todos na sala comum. Lorenzo estava lá, conversando com Arthur e Isabella sobre o sucesso de Julian.
— Lorenzo — chamei, minha voz cortando o ambiente.
Ele se virou, e vi a tensão imediata em seus ombros.
— Onde você estava, Vittoria?
— Resolvendo os detalhes para a noite de gala — respondi, com um sorriso gelado. — Já que você não se ofereceu para ser meu acompanhante oficial perante a sociedade de Chicago, eu tomei a liberdade de convidar alguém que entende o valor de uma aliança comigo.
Um homem entrou atrás de mim. Ele era alto, de pele bronzeada e olhos escuros como o abismo. Ele tinha uma aura de perigo que até os nossos guardas sentiram.
— Quem é esse? — a voz de Lorenzo saiu baixa, um rosnado contido.
— Este é Dante Moretti — anunciei. — Herdeiro da Máfia da Costa Leste. Nossas famílias têm parcerias antigas na Itália. Ele está na cidade para negócios e, quando soube que eu estava... desacompanhada, fez questão de se oferecer.
Dante deu um passo à frente, com uma elegância arrogante, e estendeu a mão para Lorenzo.
— É um prazer conhecer o famoso Arquiteto. Vittoria me contou muito sobre como você... gerencia as coisas por aqui.
Lorenzo não apertou a mão dele. Ele ficou parado, a expressão tão fria que parecia capaz de congelar o oxigênio na sala. O ciúme emanava dele em ondas violentas.
— Ele não faz parte do Conselho — Lorenzo disse, olhando fixamente para mim, ignorando Dante.
— Ainda não — respondi, sustentando o olhar. — Mas quem sabe? Se ele provar ser um par melhor do que o que eu tenho disponível agora, talvez o Conselho de 20 tenha uma vaga para os Moretti.
POV – MAYA DUARTE LOMBARD
O clima na sala era insuportável. Vinícius me puxou para perto, protegendo-me instintivamente da energia pesada que emanava de Lorenzo. Julian e Isabella trocaram olhares preocupados. Até Caleb e Aurora, que estavam no bar, pararam para assistir ao desastre.
Lorenzo estava a um passo de explodir. Eu conhecia aquele olhar. Era o olhar de um homem que estava prestes a perder a única coisa que realmente amava por causa do próprio orgulho.
— Vittoria, no meu escritório. Agora — Lorenzo ordenou.
— Sinto muito, Arquiteto, mas tenho um jantar com o Dante para planejar nossas roupas para a gala — ela sorriu para o italiano, que retribuiu com um olhar de pura posse. — Nos vemos amanhã na reunião.
Eles saíram juntos. O silêncio que ficou para trás foi sepulcral.
— Lorenzo... — comecei a dizer, mas ele levantou a mão, silenciando-me.
Ele se virou e deu um soco na mesa de carvalho com tanta força que um dos monitores caiu.
POV – LORENZO ROSSI
O som da porta fechando atrás de Vittoria e daquele... Moretti... foi como o som de um gatilho sendo puxado contra o meu peito. Eu queria ir atrás dele. Queria quebrar cada osso daquele herdeiro da Costa Leste. Mas o que mais me doía era saber que ela tinha razão.
Eu a empurrei para os braços dele. Meu medo de torná-la um alvo acabou criando o alvo perfeito: o meu próprio coração.
Voltei para o meu escritório e me fechei. A noite de gala era em quarenta e oito horas. Chicago inteira estaria lá. O Conselho de 20 estava se formando diante dos meus olhos — Julian e Isabella eram uma força da natureza, Vinícius e Maya eram a alma do grupo, Caleb e Aurora eram a logística. Todos tinham alguém.
E eu, o líder, estava prestes a ver a mulher da minha vida entrar no tapete vermelho com um estranho.
POV – VINÍCIUS ORTEGA VITALE
Mais tarde naquela noite, fui até o quarto de Maya. Precisava desanuviar. O que aconteceu na sala comum deixou todos nós em alerta.
— O Lorenzo vai fazer uma loucura, não vai? — Maya perguntou, enquanto eu a abraçava por trás, sentindo o calor do seu corpo.
— Ele vai ter que escolher, Maya — respondi, beijando seu ombro. — Ou ele quebra as próprias regras e assume a Vittoria para o mundo, ou ele vai perdê-la para o Moretti. E se o Lorenzo perder a Vittoria, o Conselho perde a cabeça.
— Mas veja o Julian e a Isabella — Maya se virou em meus braços, seus olhos brilhando. — Eles se amam há anos e agora estão finalmente juntos na luz do Conselho. Por que o Lorenzo não consegue ver que o amor é a nossa maior arma?
— Porque ele tem medo do que não pode calcular — suspirei, puxando-a para um beijo profundo. — Mas a Vittoria é o caos. E o caos não aceita ser calculado.
Enquanto nos perdíamos um no outro, em um clima que ficava cada vez mais quente sob os lençóis de seda, eu sabia que a paz na base era apenas a calmaria antes da tempestade. A noite de gala não seria apenas uma festa; seria o campo de batalha final para o coração de Lorenzo Rossi.
E se ele não agisse, a união das três famílias estaria em risco, pois uma Rainha Vitale não aceita nada menos do que a rendição total do seu Rei.