CAPÍTULO 10: Fios Entrelaçados e Verdades de Sangue

1191 Words
POV – BENJAMIN DUARTE ROSSI O jantar estava em um silêncio tenso após a audácia de Vittoria. Eu sentia os olhos do meu pai, Sebastián, sobre mim. De todos os dez originais, eu era o que menos conseguia sustentar uma máscara. A música no meu coração sempre exigia honestidade, e o peso de esconder que éramos doze, e não dez, estava me esmagando. — Benjamin — meu pai disse, sua voz profunda cortando o tilintar dos talheres. — Você está muito quieto. O que o seu violino diria sobre esses dois novos "parceiros" de Chicago? Olhei para Lorenzo, que me lançou um olhar de aviso. Olhei para Vittoria, que mantinha um sorriso enigmático. O ar na mesa parecia ter acabado. — Pai... — comecei, sentindo o suor frio. — A verdade é que não existe "por enquanto" ou "parceria estratégica". O Conselho agora são doze. Vittoria e Vinícius são parte de nós. Eles são o nosso aço. Eles são... — respirei fundo, ignorando o choque coletivo dos meus primos — ...eles são os Vitale. Da Máfia. E eles nos salvaram. O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Arthur deixou o garfo cair. Isabella empalideceu. Lorenzo fechou os olhos, esperando a explosão de Sebastián e Olívia. Mas a explosão não veio. POV – LORENZO ROSSI Eu me preparei para o pior. Preparei-me para ser deserdado ou repreendido por colocar a família em risco. Mas o que ouvi foi uma gargalhada sonora de Sebastián, acompanhada pelo riso elegante de Olívia. — Oh, Benjamin... — Olívia disse, limpando o canto dos olhos com um guardanapo de linho. — Você sempre foi o nosso elo mais honesto. Mas vocês realmente acharam que dez jovens, por mais brilhantes que fossem, conseguiriam esconder a entrada de dois Vitale em Chicago sem que nós soubéssemos? — Vocês sabem? — perguntei, a voz saindo em um fio. Minha pose de CEO indestrutível derreteu em um segundo. — Lorenzo, meu querido — minha mãe, Bianca, sorriu docemente. — Nós somos os Duarte e os Rossi. Nada acontece no mundo dos negócios ou no submundo que não chegue aos nossos ouvidos. — Especialmente quando se trata da família Ortega — Sofia D'Ávila, mãe de Isabella, interveio, olhando para Vittoria com um respeito antigo. — Gabriel e eu fomos os advogados que o seu tio Gustavo contratou há anos, Vittoria. Nós fomos os responsáveis por garantir que a sua mãe, Valentina, saísse daquele presídio após ela ter feito o que era necessário em legítima defesa. Vittoria, pela primeira vez desde que a conheci, parecia genuinamente chocada. Ela olhou para Isabella, e depois para os pais dela. — Vocês... vocês salvaram minha mãe? — a voz de Vittoria vacilou por um milésimo de segundo. — Fizemos justiça — Gabriel Duarte respondeu com firmeza. — Valentina Ortega é uma mulher de honra. Quando soubemos que os filhos dela estavam em Chicago com os nossos, sabíamos que vocês estariam seguros. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE O mundo parecia ter girado sobre o próprio eixo. O Conselho de Chicago achava que estava criando uma rebelião, mas estávamos apenas seguindo um plano traçado pelo destino e pelos nossos pais. Olhei para Lorenzo. Ele parecia perdido, sua necessidade de controle sendo confrontada pela sabedoria da velha guarda. A festa continuou após o jantar, mas o clima mudou. Não havia mais segredos, apenas uma aliança oficializada pelo passado. A orquestra começou a tocar uma valsa lenta no salão principal. — Concede-me esta dança, Arquiteto? — perguntei, parando na frente de Lorenzo. — Ou vai dizer que dançar comigo também é "apenas negócios"? Lorenzo não disse nada. Ele apenas segurou minha mão e me conduziu para o centro do salão. POV – LORENZO ROSSI Envolvi a cintura de Vittoria, sentindo a firmeza do seu corpo contra o meu. Dançávamos sob o olhar atento de toda a nossa linhagem. O movimento era fluido, mas a tensão entre nós era elétrica. — Por que você não me contou que nos conhecíamos antes daquele leilão? — sussurrei, girando-a pelo salão. Vittoria sorriu, encostando o rosto perto do meu. — Eu queria ver quanto tempo você levaria para perceber, Lorenzo. Você é tão focado em estruturas que esquece de olhar para as pessoas. — Aquele esbarrão no evento beneficente em Chicago... — fechei os olhos por um segundo, a memória finalmente se encaixando. — Eu ajudei você a se equilibrar. Eu não vi o seu rosto direito, mas senti o seu perfume. O sândalo. — Você disse: "Cuidado, senhorita. Eu cuido disso para você" — ela citou, a voz rouca contra o meu ouvido. — E você cuidou. Você segurou meu braço com uma força que me fez sentir, pela primeira vez na vida, que eu não precisava ser a Rainha das Sombras o tempo todo. Naquele dia, eu decidi que queria ver o que mais você poderia segurar. Apertei minha mão contra as costas dela, puxando-a para mais perto do que a etiqueta permitia. — Você é perigosa, Vittoria. Você planejou cada passo. — Eu sou uma Vitale, Lorenzo. Nós projetamos o caos. Mas você... você o organiza. POV – MAYA DUARTE LOMBARD No jardim da mansão, longe da valsa, eu observava as estrelas. Vinícius apareceu ao meu lado, as mãos nos bolsos, parecendo mais relaxado agora que o segredo havia sido revelado. — Então os nossos pais já eram cúmplices? — ele perguntou, rindo baixo. — Isso torna as coisas mais fáceis... ou muito mais complicadas. — Torna tudo real, Vinícius — respondi, olhando para ele. — Não estamos mais brincando de império em Chicago. Estamos vivendo um legado. Vinícius deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós. A tensão romântica que tentávamos esconder em Chicago estava florescendo sob o céu de Curitiba. — Minha mãe deve a vida aos seus pais — ele disse, a voz séria. — Isso significa que a minha vida pertence a você, Maya. E eu não pretendo entregá-la a mais ninguém. Eu senti meu coração disparar. Não era apenas gratidão; era algo profundo e assustador. Mas, como uma Duarte, eu sabia que o amor em nossa família nunca era simples. Era uma guerra. POV – LORENZO ROSSI A música parou, mas eu não soltei Vittoria imediatamente. Nossos olhos estavam travados. — Meus tios podem aprovar a aliança — eu disse, a voz baixa e carregada de uma promessa sombria. — Mas eu ainda sou o líder do Conselho. E eu ainda não dei minha palavra final sobre você. — Sua palavra não importa, Lorenzo — Vittoria sussurrou, desprendendo-se lentamente, mas deixando o calor do seu toque gravado em mim. — Suas ações já falaram por você. Você me lembrou do sândalo. Você se lembrou do toque. A pose está caindo, Arquiteto. E eu estarei lá para capturar cada pedaço. Ela se afastou com a elegância de uma imperatriz, deixando-me sozinho no centro do salão. Olhei para o lado e vi Sebastián e Olívia brindando, observando-nos com sorrisos cúmplices. O Conselho dos Herdeiros não era mais apenas dez, nem apenas doze. Era uma dinastia renascida. E enquanto o passado voltava para nos abraçar, eu sabia que os próximos capítulos em Chicago seriam escritos com fogo.
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