CAPÍTULO 11: Sangue, Suor e Vidro Quebrado

1112 Words
POV – MAYA DUARTE LOMBARD O sol m*l havia nascido sobre Curitiba e a Mansão Duarte Rossi já estava em ebulição. Eu estava no jardim, revisando alguns protocolos, quando minha mãe, Beatriz Duarte, apareceu já vestida com seu traje cirúrgico, o celular no ouvido. — Eu entendo, diretor. Preparem a sala quatro. Estarei aí em vinte minutos — ela desligou e me olhou. — Maya, querida, preciso ir. Um paciente crítico acaba de entrar em emergência no hospital. A reunião do Conselho terá que seguir sem mim por algumas horas. — Vá, mãe. Salve essa vida — eu disse, abraçando-a. — Eu cuido das coisas aqui. — Eu sei que cuida. Você é uma Duarte-Lombard — ela piscou e saiu em direção ao carro. Enquanto ela saía, Aurora passava por mim, impecável como sempre, ajustando os óculos escuros. — Eu também estou de saída, Maya. Vou visitar a filial da Duarte Festas aqui em Curitiba. Preciso garantir que o padrão de Chicago esteja sendo seguido, mesmo em solo brasileiro. Volto para o treino à tarde! POV – LORENZO ROSSI O campo de treinamento nos fundos da mansão era um estado da arte. Sebastián e os outros pais estavam sentados em cadeiras de vime, observando-nos com olhos de águia. Mas o clima mudou completamente quando dois carros pretos, com vidros opacos, entraram na propriedade. As portas se abriram. Enzo Vitale, o Dom, e Valentina Ortega, a Rainha das Sombras, desembarcaram. A presença deles era magnética e aterrorizante ao mesmo tempo. — Enzo! Valentina! — Sebastián levantou-se para cumprimentá-los com um abraço de velhos aliados. — Viemos ver se nossos filhos estão à altura dos seus, Rossi — a voz de Enzo era como o som de trovão distante. Vittoria já estava no centro do tatame, usando roupas de treino pretas que marcavam cada músculo. Ela olhou para mim e estendeu a mão, me chamando. — Vamos, Arquiteto. Mostre para o seu tio e para o meu pai que você é mais do que planilhas e reuniões de diretoria. Eu tirei a camisa, revelando as cicatrizes de treinos militares que eu nunca mostrava em Chicago. O Conselho inteiro parou para olhar. Eles sabiam que eu era o líder, mas poucos tinham me visto lutar a sério. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Lorenzo avançou. O primeiro golpe foi rápido, mas eu desviei com a memória muscular de quem foi criada por Valentina Ortega. O que ele não esperava era a minha rasteira. Ele caiu, mas rolou e se levantou com uma agilidade que me surpreendeu. — Você é técnico demais, Lorenzo — provoquei, tentando um chute alto que ele bloqueou com o antebraço. — E você é impulsiva demais, Vittoria — ele rebateu, segurando minha perna e me puxando para o corpo dele. Nossas respirações estavam coladas. O suor brilhava em sua pele. Por um segundo, a luta parou e apenas a tensão existiu. Ele não dava o braço a torcer. Ele era uma máquina de combate tão eficiente quanto meu irmão. — Acabem com isso! — Enzo Vitale gritou da lateral. — Luta não é dança! Lorenzo me lançou um olhar sombrio e, com um movimento de alavanca, me imobilizou no chão, prendendo meus pulsos acima da cabeça. — Xeque-mate, Rainha — ele sussurrou no meu ouvido. Eu sorri, mesmo imobilizada. — Você ganhou o round, Lorenzo. Mas ainda não ganhou a guerra. POV – LORENZO ROSSI (Noite em Curitiba) A tensão do treino e a chegada dos Vitale me deixaram no limite. Eu precisava de ar. Precisava de algo que não fosse o olhar cinza da Vittoria me despindo. — Vamos para a Opium — anunciei para o grupo. — Os doze herdeiros. Noite livre. Sem negócios. Sem máfia. A boate era o lugar mais exclusivo da cidade. Estávamos todos lá, em um camarote VIP. Vinícius e Maya estavam em um canto, conversando baixo; Benjamin observava o DJ; Isabella e os outros bebiam o melhor champanhe. Eu decidi que aquela era a noite de reafirmar minha liberdade. Vi um grupo de modelos em uma mesa próxima. Aproximei-me da loira mais atraente e comecei a jogar o charme que eu costumava usar antes de Vittoria entrar na minha vida. — Você é novo por aqui? — a garota perguntou, enrolando o cabelo no dedo. — Sou o dono da noite — respondi, inclinando-me para o pescoço dela. De repente, a música pareceu abafada. Senti uma mão gélida no meu ombro e um perfume de sândalo que eu reconheceria no inferno. — Sinto muito, loira, mas esse "dono da noite" já tem uma proprietária — a voz de Vittoria cortou o momento como uma navalha. — Vittoria, o que você está fazendo? — me virei, furioso. — Estragando seus planos medíocres — ela sorriu, segurando uma taça de Martini. — Você não vai pegar ninguém hoje, Lorenzo. Porque nenhuma dessas garotas chega aos pés do que eu sou. E você sabe disso. A modelo saiu bufando, e eu fiquei ali, encarando Vittoria sob as luzes neon. — Você não tem esse direito — rosnei. — Eu tenho todos os direitos — ela rebateu. Foi quando um rapaz alto, visivelmente herdeiro de alguma fortuna local, aproximou-se de Vittoria. Ele ignorou minha presença completamente. — Com licença, beleza — o rapaz disse, olhando para Vittoria com desejo. — Eu estava te observando do outro lado. Quer sair daqui e ir para um lugar mais... privado? Meu carro está lá fora. Vittoria arqueou uma sobrancelha e olhou para mim, um sorriso desafiador nos lábios. Ela não respondeu a ele. Ela estava esperando para ver se a minha "pose" de CEO indiferente resistiria a vê-la nos braços de outro. Eu senti o sangue ferver. A "máquina" Rossi deu lugar ao homem possessivo. Dei um passo à frente, ficando entre ela e o rapaz, colocando a mão firmemente na cintura de Vittoria. — Ela não vai a lugar nenhum com você — eu disse, minha voz saindo em um tom que fez o rapaz dar dois passos para trás. — E se você olhar para ela de novo, eu vou garantir que você nunca mais consiga olhar para nada. Suma daqui. O rapaz empalideceu e desapareceu na multidão. Vittoria encostou-se no meu peito, rindo baixo contra a minha gola. — "Somente a aliança", Lorenzo? "Nada mais"? Seu ciúme está gritando mais alto que a música desta boate. — Eu só odeio que toquem no que é meu — respondi, sem soltar a cintura dela, enquanto os outros onze herdeiros observavam a cena do camarote com sorrisos cúmplices. A noite estava apenas começando, e em Curitiba, as máquinas estavam começando a mostrar que possuíam corações muito mais perigosos do que imaginavam.
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