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A Garota da Fazenda

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Melinda acreditava que sua vida já estava escrita.Criada em uma pequena fazenda no interior de Goiás, cercada por cavalos, amigos de infância e o amor incondicional dos pais, ela jamais imaginou que tudo mudaria tão rápido. Após perder o pai, sua mãe decide recomeçar ao lado de um novo amor, levando Melinda para uma luxuosa vida em Goiânia.Longe de tudo o que conhecia, ela se vê obrigada a dividir a casa com uma nova família, enfrentar uma das escolas mais prestigiadas da cidade e encontrar seu lugar em um mundo completamente diferente do seu.Entre amizades inesperadas, rivalidades, segredos e sentimentos que surgem quando menos se espera, Melinda descobrirá que crescer significa aprender a lidar com perdas, mudanças e escolhas capazes de transformar seu futuro para sempre.Porque, às vezes, a vida que planejamos deixar para trás é exatamente aquela que nos ensina quem realmente somos.

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Capítulo 1 - Do campo até a cidade.
O que seria do ser humano se não fôssemos pessoas aptas a aguentar mudanças do cotidiano? Mas até que ponto podemos aguentar tantas mudanças de uma só vez? Há dezesseis anos resido em uma pequena fazenda, no interior de Goiás, onde habitavam, no máximo, 300 famílias antes das outras cidades. Vivia rodeada por animais e cuidava dos cavalos nas horas vagas, quando não estava na escola do outro lado do horizonte ou no cursinho de inglês. Meus pais prezavam muito por toda a educação que poderia ser proporcionada a mim, e durante esses dezesseis anos eu pude dizer que sim, fui muito feliz. Feliz de verdade. Minha família se ajuntava com os amigos em quase todos os domingos, participando de brincadeiras, cavalgadas matinais e histórias na fogueira ao entardecer. Era tudo tão mágico, tão grandioso. Só não imaginava que tudo se acabaria com tanta rapidez, rapidez essa que não pude perceber o que estava abaixo de meus olhos. Meu pai adoeceu. Ele, um dos homens mais fortes que eu havia conhecido, que cuidava da sua pequena família, que administrava sua fazenda e cuidava do seu gado. Tão corajoso, tão nobre. Não entendia o porquê de ele ter sido tirado de nós ainda tão jovem. Mamãe sempre desejou ter mais filhos, mas ela dizia que, durante a minha gestação, lutou dia após dia para me manter viva, mas que seus esforços não a fariam aguentar uma próxima vida gerada por ela. Então ela dizia que eu era a sua salvação e, para sempre, seria o seu mundo. Eu via como ela ficava quando olhava para outras crianças à sua volta. Não era justo o destino que a vida trouxe a ela e às suas limitações. Não, nada nunca foi justo… Depois de quase um ano desde que nos despedimos de papai, minha mãe voltou a se cuidar e se interessou por um forasteiro da cidade e, quase sem aviso, eles já estavam juntos, tomando decisões como um verdadeiro casal. E uma dessas decisões foi que sairíamos do interior para morar com ele e com sua filha, pois assim eu teria melhores oportunidades de estudo. Minha mãe chegou a falar sobre vender a fazenda, mas minha única exigência foi que não abriria mão da minha casa, e ela sempre seria isso: uma casa. Janeiro, 25 de 2025. — Mãe, preciso mesmo ir junto? — Mel, você já sabe minha resposta para essa pergunta. — disse ela, embalando mais uma caixa. Respirou fundo antes de recomeçar a falar. — Será o melhor. Sei que, no fundo, você entende que isso será o melhor para você e seu futuro. Não cheguei a argumentar mais, era um caso perdido. Peguei minha pequena mochila e a coloquei nas costas antes de olhar novamente para o interior da minha antiga casa. Sempre será minha casa. Segui em direção ao banco do carona da grande picape de Genaro, atual noivo da minha mãe. Ele a havia deixado conosco enquanto arrumava os últimos detalhes em sua casa, que fica localizada na cidade de Goiânia. Seria uma longa viagem… Após quase cinco horas de viagem, chegamos à cidade grande e à tão temida nova residência Mendes. Apesar de estar assustada, o lugar era mais acolhedor do que eu poderia imaginar, localizado em um grande condomínio de luxo e cercado por outras casas quase tão grandes quanto aquela. Assim que encostamos o carro, na porta já havia algumas pessoas e, antes de sairmos, Genaro apareceu vindo de dentro da casa. — Enfim vocês chegaram! Não sabem a alegria que estou sentindo. — disse ele com entusiasmo. — Venham, vou apresentar vocês a todos. E assim ele fez. Primeiro foi sua filha, Alice, que acreditei ter a mesma idade que a minha, mas ela sem dúvidas demonstrava maior maturidade do que eu. Logo em seguida, seus funcionários, tendo como principal Camila, que fica responsável por todos os colaboradores e serviços da casa, e Marcos, motorista da Alice e, bom, agora meu também. O interior da casa era tão impressionante quanto a parte de fora. Jamais havia frequentado um lugar tão belíssimo como aquele. Meu novo quarto também era de impressionar, pois jamais tive algo tão luxuoso quanto aquele ambiente. Era tudo incrivelmente lindo. Passamos o restante da tarde tentando nos conhecer. Apesar de Alice e eu nos mantermos mais fechadas, deu para perceber o quanto estávamos nos esforçando para que desse certo isso que nossos pais queriam. Minha mãe separou comigo alguns dos uniformes do novo colégio, pois eu m*l teria tempo de me instalar, já que o fatídico dia seria no dia seguinte. Na manhã seguinte, acordei com um peso. A noite não teria passado tão depressa como imaginei que seria. Dizem que a primeira noite sempre é a mais complicada, e coloquei à prova que realmente é. Tomei banho, fiz minha higiene e fui para o quarto colocar o uniforme. Optei por um dos vestidos azul-escuros com laço vermelho no ombro, coloquei um tênis branco e fui secar o cabelo. Na maior parte do tempo eu não tinha muita paciência para essa parte, mas hoje tentei ao máximo me deixar apresentável para esse dia. Por fim, passei uma leve maquiagem e desci para o café. Assim que chegamos à escola, não tinha parado para pensar se estaria preparada para algo tão exorbitante. O local parecia cobrir o tamanho da minha fazenda, com ampla área verde, prédios longos e um grande salão. Ao que me pareceu de imediato, Alice praticamente não cumprimentou ninguém à nossa volta, somente quando nos aproximamos da sala, onde um grupo de pessoas estava reunido conversando. — Alice! Finalmente chegou. Já estávamos nos sentindo estátuas de tanto te esperar. — disse uma garota alta e loira, com um sorriso extremamente aberto. Acredito que ela não tenha ficado brava esperando Alice. — Sem dramas, Lia. Sabe que não saio de casa sem meu café, ou meu humor vai embora antes mesmo de começar o dia. — Vão continuar falando de comida ou vão nos apresentar sua nova irmã? — intrometeu-se entre elas um garoto alto e bronzeado, com um sorriso tão branco que podia ser visto de longe em qualquer lugar escuro. — Prazer, me chamo Rodrigo! — Oi, sou Melinda! — respondi, tentando mostrar um sorriso simpático e sem demonstrar nervosismo por todos aqueles olhos que me cercavam. — Desculpa, Mel. Esses são Rodrigo, como já se apresentou, Lia e Juan. — disse Alice. — Nós estamos todos no mesmo ano, mas em salas diferentes, só para variar. — A gente sabe que você sente nossa falta. — falou o outro garoto. Presumi que estivesse interessado em uma das duas, pois as abraçou simultaneamente. — É claro! — exclamou Lia. — Juan e eu estamos na mesma turma que você, já Rodrigo e Alice estão na do outro lado do corredor. Eu sei, é uma chatice, mas pense que pelo menos já tem rostos conhecidos. — disse ela olhando para mim. — Ela deve estar pedindo socorro agora. — comentou Juan. — Mas não se preocupe, vamos tentar não ser tão estranhos assim. Ele colocou o braço no ombro de Lia, o que me mostrou que ambos tinham uma certa i********e. — Vocês estão juntos? — perguntei. — Estão, há quase dois anos. Ainda acho estranho vocês terem ficado na mesma sala. — disse Alice. — Você é invejosa, meu Deus! — respondeu Lia. — Não ligue para elas. — disse Rodrigo a mim. — É o conselho que eu mesmo sigo. Dei risada do comentário dele e cada um seguiu seu caminho. Os primeiros professores fizeram questão de que eu me apresentasse para a turma, o que era de extrema falta de necessidade. E nos primeiros três tempos de aula, após os cochichos, deu para entender quais eram os grupos com os quais dava para andar e quais não davam. Na pausa entre as aulas, fui convidada para me sentar com o mesmo grupo de Alice, o que me pareceu meio estranho para algumas pessoas devido aos olhares pesados em cima de mim. Aparentava que o grupo não era tão flexível quanto demonstravam. — Oie! — disse assim que cheguei à mesa. — Como está sendo seu dia, Mel? — perguntou Rodrigo. — Mel? — disse Lia. — Já está tão íntimo dela? Meio ousado, não? — E você não está sendo meio intrometida? — Isso sempre, né?! — Está sendo comum, acho eu. Não quero ser uma completa narcisista, mas não é estranho ninguém estar… — Perguntando muito sobre você? — disse Alice. — Eles estão, mas o povo daqui disfarça muito bem. São todos um bando de cínicos. — Tá bem afiada hoje, hein. Esse estilo não combina muito com você. — mencionou Juan. — Quer falar sobre algo? — Não… — Alice disse. — Só é muita coisa acontecendo. Ela tentou não me encarar, mas eu permaneci com os olhos fixos nos dela. Eu a entendia e não poderia achar r**m por, de repente, ela ter pessoas estranhas morando na sua casa e invadindo sua vida. O clima obviamente estava pesado demais. — Tá bom, esse clima de velório não é para mim. — disse Lia. — Vamos falar sobre as eletivas das aulas extras. — O que seria isso? — perguntei, muito inocente. — O máximo que tinha na minha outra escola eram as aulas de reforço. — Aqui são vários cursos que podemos fazer depois das aulas, como futebol, basquete, vôlei, ser líder de torcida, fazer parte da equipe de coral e assim por diante. Os meninos, acredito eu… — Lia fez uma breve pausa. — Irão estar novamente no time de… — Vôlei! — ambos falaram juntos. — É claro! Alice faz parte da equipe de robótica e, de todos nós, ela realmente vai para uma ótima faculdade. Já eu, irei me inscrever este ano nas líderes, pois já passei por tudo quanto é curso e não gostei de nada! Tenho que gostar pelo menos de alguma coisa. — disse Lia. — E você? Já sabe? — Não faço ideia… — respondi. — Então se inscreve nas líderes este ano e depois você faz outra coisa. Não tem erro. — Até eu faria, se não precisasse fazer algum aquecimento. Ambos deram risada, mas aceitei fazer um teste para a equipe de líderes de torcida. Tudo estava indo bem, até eu entender quem eram as capitãs do grupo. As mesmas das quais eu não tive um bom início e sinceramente m*l me recordava dos nomes. — Bem-vindas, meninas! — a loira começou a dizer. — Hoje daremos início a mais uma eletiva. Para as que já conhecemos, vocês sabem sobre nosso trabalho, e as que não conhecem… — ela olhou em minha direção. — Boa sorte. — Relaxa! — disse Lia, entendendo meu olhar. — A Clara faz isso com todos que ela considera uma ameaça, principalmente se uma certa pessoa já se interessou por você no primeiro dia. — O quê? — Vai dizer que não entendeu mesmo os olhares do Rodrigo? — Ela riu, vendo que eu realmente não estava entendendo. — Melinda! Ela se apaixonou à primeira vista. — Lia e Melinda, estamos atrapalhando vocês? — perguntou Clara. — Óbvio! Mas pode continuar, eu deixo. — disse Lia. — Chata demais. — acrescentou ela, sussurrando. Eu ri. No final, a eletiva não foi nada complicada e eu esperava que fosse mais difícil. Assim que finalizamos, Lia e eu fomos ao ginásio da escola esperar pelos meninos e aguardar a lista de quem entrou nos grupos.

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