capítulo 05- Alex

1384 Words
Alex narrando Entrei no carro e a Louise já tava no modo ataque, falando rápido em inglês, perguntando sobre tudo . Eu juro nem sei porque deixei ela vir , que garota insuportável. Eu deixei ela falar. Aprendi cedo que às vezes o silêncio cansa mais que discussão. No hotel foi pior. Ela queria resposta pra coisa que eu não podia explicar. Quanto menos gente de fora saber das minhas raizes melhor. Deixei ela no quarto organizando as coisas dela , eu tambem nao sou um cretino como todas dizem , kkkk , ja que ela quer aproveitar a viajem , que aproveite , mas não comigo .Porque a minha programação e no lugar que eu cresci . No lugar que meu pai lutou e que meu irmao luta ate hoje pra manter de pe o legado . Meu empresário chegou logo em seguida que fizemos o check-in , foi no saguão do hotel mesmo onde fizemos uma reunião de poucos minutos , a pastinha na mão cheia de notas , arquivos de processos , outras coisas mais simples que tinha que resolver aqui no brasil , um dos papeis era sobre a compra do meu mais novo automóvel uma maquina que eu sempre quis ter , um sonho que vou realizar e vai ser aqui no brasil . Thiago , um amigo dono da maior empresa de carros importados no brasil a Tcar imports, e de la que vai sair minha mais nova conquista uma Mclaren , o carro dos meus sonhos. Dois milhões e meio num carro . Fruto do meu trabalho e dedicação. E um orgulho que eu estou de mim mesmo . Que não cabe no peito. Um carro que vou deixar na minha casa da região dos lagos. Lá e meu refúgio quando venho para o Brasil, lugar tranquilo , poucas pessoas já foram lá, mulheres só chegam lá sem celular. Só em festinhas privadas que costumo fazer em época de férias. Meu irmão mesmo só conhece por foto . Ele que me ajudou a escolher. Tem a estrutura bacana o lugar e ótimo avaliada e doze milhões, enfim prioridades né. Quando meu empresário disse que eu precisava tomar cuidado com a imprensa, ele vive pra apagar incêndios que a Internet em si cria sobre mim. , fazem de tudo pra tentar denegrir a minha imagem ainda mas com mulheres , só esse ano já saiu a noticia que duas estavam gravidas de mim. O que poucos sabem é que fiz vasectomia , optei pela que dá pra reverter no futuro , quem sabe um dia eu encontre uma mulher que valha a pena , bacana que me faça ter vontade de ser pai , de construir família . Enquanto essa vontade não vem , estou focado só na minha carreira, e tudo que mais importa no momento. Graças a Deus a Reunião chata terminou com pouco mais de vinte minutos , papo de contrato, imagem, agenda, eliminatórias convocações. Tudo que eu sempre quis, mas que pesa pra c*****o. A Louise interrompeu no meio, sem educação nenhuma. Disse que eu tinha prometido férias, que não atravessou o oceano pra ficar trancada em hotel ouvindo conversa em outro idioma. Falou que eu escondia coisas, que aquele “lugar ” era perigoso, que eu não pensei nela. Foi ali que eu saquei ela não entende nada de mim. Nem queria entender.Fomos para o quarto e no meio da discussão ela disse começou a jogar as coisas na mala , chorando . Eu não disse nada demais , só que precisava resolver algumas coisas sem ela. Surtou, histérica. Se arrependimento matasse eu já estaria enterrado. Disse que ia embora .Não segurei. Não é amor, e conveniência. Ela saiu batendo a porta, p**a, dizendo que ia embora no primeiro voo e que eu ainda ia me arrepender. Suspirei fundo. Paz. Às vezes perder é ganhar. Ela é gata, uma mulher de um corpo desejável já me rendeu boas fotos em capa de revista . Mas chata pra c*****o. Agora é aproveitar as cariocas que pra falar a verdade é muito mas do meu agrado , coisa de outro mundo , Brasil né po só mulher diferenciada. Me joguei na cama , me dei ao luxo de descansar , dormi , coisa rara pra mim , se eu durmo por cinco horas e muito no dia , os treinos são pesados , costumo descansar entre um lugar e outro nos ônibus e avião , mas nunca é a mesma coisa .Estava tão cansado da viajem , que dormi ate o dia seguinte. Quando acordei tomei um café reforçado no quarto mesmo , infelizmente tem coisas que nao tenho o luxo de fazer , ser famoso e bom mas tem seus pontos , tipo coisas simples que sinto falta de quando ainda era garoto sem fama , tomar cafe na padaria , ir no shopping compra um tenis novo . Nossa era bom demais e eu nao dava valor ,igual hoje . Tive que sair meio que disfarçado , despistar os jornalistas que ja estavam de campana em frente ao hotel , fui pro escritório do meu advogado assinar alguns papeis, resolvi algumas coisas documento, umas paradas com patrocinador, visita rápida na CBF. Tudo certo. À noite já estava tudo no esquema um carro discreto com motorista enviado pelo meu empresário me levou pro morro. Dessa vez sem holofote, sem câmera, sem mulher reclamando. Só eu. Quando o carro entrou na Babilônia os cria ja tudo sabia que era eu , dessa vez não teve surpresa, nem fuzil apontando teve fogos pra comemorar minha chegada . Antes do carro parar no alto do morro eu já ouvi de longe. Pagode estalando, moto subindo e descendo. A casa do meu irmão tava iluminada como se fosse dia de final. Parecia até que o morro sabia que eu tinha voltado.Desci do carro e a cena me acertou no peito. A molecada na rua me esperando pra foto. Tirei com geral. Demorei um tempo pra entrar que Guga saiu no portão pra ver oque tinha acontecido. Botei o pe pra dentro , a Casa lotada. Mulher pra todo lado, cerveja gelada, churrasco , pandeiro chorando, tantã marcando, os cria que cresceram comigo tudo ali. Uns mais parrudos, outros com cicatriz, outros de boné e corrente. Mas todos com aquele mesmo sorriso de quando a gente sonhava junto. - OLHA QUEM TÁ AÍ, p***a! alguém gritou. Em segundos virei atração. Abraço pra cá, tapa nas costas, risada alta. Mulher se aproximando sem vergonha nenhuma, olho brilhando, curiosidade misturada com desejo. Normal. Faz parte do pacote. Mas eu tava aqui por outra coisa. Procurei ele no meio da bagunça. Biro tava sentado com duas no colo , todo de preto, a mesma marra do meu pai , olhando tudo com atenção. O som alto, a casa cheia e quando nosso olhar se cruzou ele só assentiu com a cabeça. Nada de cena. Nada de discurso. Mas aquele gesto dizia tudo. Cheguei mais perto. - Falei que vinha, não falei? disse, sorrindo. - Tu some, mas aparece fazendo barulho respondeu sério… quase.- Olhar o jogador Caro aí p***a ... bota esse pagode pra tocar p***a . Aí que eu percebi que ele estava feliz de me receber no morro . A casa inteira parecia outra , algumas mudanças, melhoria , luxos , a cara dele . Sempre do bom e do melhor. Eu que nunca liguei muito pra isso , acabei pegando algumas manias dele , jeito de luxar . O pagode continuou, as mulheres rodavam, os cria bebendo ,e ai comecei a lembrar de história antiga, uns cara falavam dos campeonatos de várzea, das fugas da polícia, das tardes jogando bola descalço. Eu ria, bebia, cantava junto. Aqui eu não era manchete. Eu era o Alex. Levantei o copo, olhei pro céu por um segundo. Silencioso. Meu pai tava aqui. Eu sentia. Duas garotas já chegou daquele jeito , Biro só levantou o copo de whisky na minha direção e eu levantei o meu , a semana prometia e hoje ia ser só o começo. E eu sabia que os dias no morro iam me recarregar mais do que qualquer resort de luxo. Porque aqui, no meio do caos, do som alto e das lembranças, eu ainda sou eu mesmo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD