Omar de Pereskia

1198 Words
"A vida é uma grande montanha íngreme" disse o autor do livro de filosofia, Bernardo Rico. Pretendo chegar ao topo da montanha, mas não quero voltar lá para baixo. Talvez seja inevitável que isso aconteça, então pretendo estar preparada, pois, vou querer subir de novo. Hoje, li vários livros escritos por pessoas irrelevantes, mas com visões relevantes sobre economia. São desocupados como eu, por isso tiveram tempo de escrever. Eu agradeço por isso. Já que adquiri um pouco mais de inteligência enquanto o Sol dormia, eu posso continuar a conhecer os príncipes. Coloco um vestido preto e o colar que Rafael me deu. Olho-me no espelho. Por algum motivo, cada vez que eu me olho no espelho me sinto muito bem. Eu gosto da minha aparência. Saio do quarto. Deparo-me com Gruds. — Em fim, eu posso vê-la. — Ele respira fundo. — Sente-se bem? A alteza havia entrado em pânico e desmaiado. Não me deixaram entrar no seu quarto para vê-la. Seria uma atitude demasiadamente depravada, mas eu estava com medo. — Eu estou bem. — Sorrio e dou um giro com os braços para cima. — Não está claro? — Está. — Ele dá um riso e sorri de lado. — Ainda bem! Afinal, o que tinha? — Eu... havia visto um animal peçonhento. Um escorpião! Morro de medo de escorpião. Na verdade, o meu medo de escorpião já não existe faz tempo, isso se deve ao meu querido pai e as suas formas de demonstrar o carinho que sente por mim. — Que bom que agora está bem. Achei que seu surto tinha relação com gravidez. — Ele dá um leve riso e coça a nunca. — Não pense nisso. O escorpião estava lá! Espero que no seu reino não tenha muitos. — Não. Se nos casarmos poderemos até mesmo dormir na mata. Não tem escorpiões... Posso acompanhá-la? — Claro. Fomos tomar café da manhã e depois escolhi aleatoriamente Omar para passar a tarde comigo. Estamos andando pelos corredores do castelo, já que virei prisioneira. — Diga-me, princesa, o que mais gosta de fazer? — Bom... Acho que ler livros. Adquiro muita informação através deles. — É uma leitora assídua... Gostei. Mulheres leitoras são inteligentes e possuem muito assunto. A maioria das mulheres do meu reino não sabem ler e escrever. — Triste. O que o senhor gosta de fazer? — Nada interessante. A minha vida não deve ser agitada como a sua. Qual o seu livro preferido? — A queda do império Arca. O senhor gosta de ler? — Talvez. Gosta de história? Do passado? Paro de andar e coloco as mãos na cintura. Ele me olha esperando eu dizer algo. Como ele acha que eu vou aceitar me casar com ele se eu não consigo saber NADA sobre ele? — O senhor pode me dizer se em Pereskia os homens não falam sobre si? — Ah... Bem... Eu não sou interessante. Prefiro falar sobre vossa alteza. Saber dos seus gostos e desgostos, o que te faz feliz e o que te faz triste, o que gosta de comer, de beber... — Tá! Tá bom! — Volto a andar. — Mas não custa nada dizer um pouco sobre você. Quantos anos o senhor tem? — Tenho 22 anos e a princesa? — Apenas 18. — É tão bela e jovem. — Ele insinua tocar no meu rosto, mas abaixa a mão. — Eu seria um homem muito feliz se a tivesse como esposa. A propósito, que tipo de homem gosta? — Tipo de homem? Não sei. E o senhor? — Entro na biblioteca. — Meu tipo é vossa alteza. — Encantador. — Sorrio e sento no sofá. Ele entra e encosta a porta. — Espero estar sendo uma boa companhia. — Ele senta ao meu lado. — Talvez. Ele dá um riso. — Eu estou entendendo o que está a fazer. — Ele dá um risinho e molha os lábios. Todos tem coisas a dizer sobre si, mesmo que seja algo desinteressante. Eu quero conhecê-lo e vou. — Vamos fazer um jogo. Um jogo sobre a história, do meu reino e a do seu reino. Você faz perguntas sobre o seu e eu faço perguntas sobre o meu. Quem responder corretamente poderá fazer uma pergunta para o outro e será obrigatório responder. — Inteligente, mas farei perguntas difíceis. Não vou facilitar. — Eu não pedi. — Ergo a cabeça. — Eu começo! Em que ano o rei Dominique abdicou ao trono? — Claro que 4 séculos atrás, no Dia da Lua, quando disse a todos que já não tinha mais condições para reinar por causa das suas loucuras. Foi muito fácil. O que gosta de almoçar? — Carne, de qualquer tipo. — Qual foi o acontecimento que revolucionou o reino Pereskia e o transformou num exportador de madeira? — A extinção do reino Mortigo que se juntou ao reino Pereskia. Quer ser rei? — Eu... — Ele olha para baixo e depois levanta a cabeça sorrindo. — Eu quero ser rei. — Ele pisca para mim. A minha pergunta foi muito fácil, preciso dificultar. A propósito, não entendi a piscada. — Qual o nome completo do rei que governava no começo da revolução? — Impossível de saber, é um nome muito grande! — Estreito os olhos. — Qual o meu nome todo? — Eleanor Eveline Branco de Luél. — Como você sabe? — Suspiro com decepção. — Eu quero me casar com uma mulher e não vou saber o nome dela? — Ele cruza os braços. — Quero saber tudo. Quero saber os mínimos detalhes. Que lado da cama gosta de dormir, que tipo de cobertor gosta de usar, o que quer eu faça para te fazer feliz... Tudo. — Ele acaricia a minha bochecha com o dedo e olha para a minha boca. — Agora a pergunta que você deve responder... Sabe o que é um beijo? — Sim. — Estreito os olhos. Ele morde o lábio. — Por quê? — Tombo a cabeça para o lado. — Posso te beijar? — sussurra. Lembro do meu pai beijando a minha mãe. Os lábios se encostando. Nunca vi mais ninguém fazer aquilo. Acredito que isso deve ser uma exclusividade de casais, então seria errado eu fazer. — Sim! Ele rapidamente me puxa pela nuca e os seus lábios tocam o meu. Fecho os olhos. É quente, os seus lábios são macios e têm um gosto leve de canela. A sua boca se afasta da minha, mas logo ele volta a me beijar e coloca a sua língua. Abro os olhos. Não é r**m, mas não sabia que isso acontecia. Afasto a minha boca da dele. — Os seus lábios são tentadores, princesa. — Ele toca com o dedo os meus lábios. O encaro. Foi uma experiência interessante e diferente. Não vejo motivo para ser exclusivo de casais. Eu gostei e quero fazer mais vezes. — Com certeza devem ser tentadores. Olhamos para porta. É Victor e carrega um olhar perverso. Estava entretida e não ouvi os seus passos. Se os seus pensamentos são maléficos, eu levo no peito maldade. Espero que não tire a minha paciência, pois eu posso ser tão perversa quando ele.
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