Gruds de Dio Gen

1411 Words
O plano de casar com um homem que me deixe governar continua. Não precisa ser um príncipe que fale com todas as letras "governe no meu lugar", só preciso saber através da personalidade se ele é capaz de concordar com isso ou ser obrigado a concordar. A propósito, ontem não pude ficar com nenhum príncipe. Eu estava no mundo da Lua e pensava muito sobre os meus planos. Hoje, dedico-me completamente a um príncipe, Gruds do reino Dio Gen. Terminamos de tomar café da manhã e agora estamos sentados na grama. — O que gosta de fazer? — pergunto. — Adoro ficar assim, em paz com a natureza. Ouvir os pássaros cantarem e dormir na sombra de uma árvore. Sei que é clichê por causa do meu reino, mas eu adoro a natureza. — E é um homem muito calmo pelo que vejo. — Nunca me irrito. Talvez seja pela meditação. — Deu de ombros. — Meditar? Como se faz isso? — Medito todas as tardes, quer meditar comigo depois do almoço? — Sim. — Sorrio. — Até hoje não saí do castelo. Podemos passear fora dele? Eu gostaria de conhecer as redondezas. — Claro. Eu raramente vou à cidade, mas os guardas podem nos levar em algum lugar interessante. Podemos almoçar fora. — E nos fingir de camponeses? Não quero chamar atenção. — Podemos... Nos arrumamos com roupas simples e dois dos guardas também se arrumaram assim. Saímos do castelo para passear na capital. A capital é um local tão movimentado. Os ladrilhos no chão formam desenhos da Lua e do Sol. A maioria das casas possui cor bege. As crianças brincam na grande fonte e imitam as posições das grandes estátuas em volta: um garoto recebendo a Lua e Sol de um homem e uma mulher. A mulher dá a Lua e o homem o Sol. Gruds olha para as crianças e depois para mim. — Não quer se molhar? — Não poderemos entrar num restaurante molhados. — É um dia quente e estamos usando roupas leves. Logo secarão. Talvez não seja uma má ideia. Faz tempo que eu não faço isso. Corro para a fonte e entro nela. Gruds faz o mesmo e os guardas nos observam. Deito na fonte para molhar o meu corpo todo e me sento. As crianças jogam água no rosto uma da outra e Gruds começa a fazer isso comigo. Revido várias vezes. Nós começamos a brincar com as crianças. Rimos... — Nós precisamos ir agora. Devemos almoçar. — Respiro de forma ofegante depois de tanto brincar. Levanto-me. — Certo. — Ele se levanta e sai da fonte sacudindo o seu cabelo. — Foi divertido. — Sim. — Subo na beira da fonte e fico de frente para ele. — A sua companhia é muito agradável. — Obrigado. — Ele sorri e olha para os meus p****s. Seu sorriso se desfaz. — Princesa, saia daí! — Por quê? — Olho para baixo. Ah, estão marcando. Que coisa... Ele olha para os lados e depois para os guardas. Esfrega a mão nos cabelos. — Princesa, por favor. Está vulnerável. — Vulnerável? Como assim? — Saio da fonte e tropeço. Bato os braços como uma galinha tentando me equilibrar. Gruds me segura e olha em volta. As pessoas estão olhando torto para nós. Caio, um dos guardas, vem até nós. — Tire as mãos da princesa imediatamente. — Eu ia cair. — Endireito-me e coloco as mãos na cintura. — Seria melhor eu ter quebrado a cara no chão? — Perdoe-me, princesa, mas as pessoas estão olhando. Tocar uma mulher em público... E a senhorita está... — Ele desvia os olhos. — Precisamos sair daqui. — Pode cruzar os braços princesa? — Gruds pergunta. Cruzo os braços. Saímos dali e fomos para o bosque nos secar. — Aqui é tão calmo — digo de costas para Gruds. Ele se recusa a olhar para mim devido à roupa que está marcando e também por se sentir envergonhado de ter me tocado. Estamos sentados na grama em uma "caverna" criada por trepadeiras e árvores. É um lindo local que recebe luz solar de um círculo no teto. Um pequeno rio passa aqui por dentro. — Gruds, não precisa se sentir m*l, eu não vi problema no que você fez. Obrigada por me impedir de cair. — Perdemos o horário de almoçar e ainda não nós secamos. Perdoe-me pela ideia i****a de entrar na fonte. — Eu adorei brincar na fonte. — Sorrio. — E dizem que eu preciso emagrecer, então é melhor que eu perca algumas refeições. — Não! — Ele se vira. Viro-me também e ele olha para o lado. — A... A alteza é per-perfeita. Pode parecer que não é nada, mas pular refeições faz m*l ao organismo. Não faça isso. — Não farei. Podemos meditar? — Sim. — Ele fecha os olhos e se senta com as pernas cruzadas. — Primeiro precisa me imitar. — Certo! — Faço o mesmo que ele. — Esvazie a sua mente, respire profundamente e relaxe ouvindo o som da natureza. Faço o que ele manda. Ouço o som dos passarinhos cantando, o som da água do rio e o som do vento balançando as folhas. O meu corpo se arrepia e relaxa. — Gruds, quais os seus planos? — sussurro enquanto tento me concentrar na natureza. — Geralmente não se conversa enquanto se medita. — "Geralmente" não é o mesmo que sempre. — Abro um olho. Ele continua de olhos fechados e concentrado. Fecho o olho. — Tem razão. Quero que o meu reino tenha todo tipo de variedade de plantas e animais, quero que a fome acabe e quando eu me casar, talvez com vossa alteza se me aceitar, quero ter vários filhos. Lembro do grito ensurdecedor que a minha tia deu quando estava a ganhar o filho. Abro os olhos e coloco a mão no peito. Meu coração bate forte e meu rosto esquenta. O desespero dela, o choro, o corpo completamente suado. Ela chorava enquanto dizia que não conseguia mais fazer força. A parteira pedia para ela continuar, fez tanta força que urinou. Afinal, o bebê tinha mesmo que sair por ali? Não é um lugar muito pequeno para sair um bebê? Isso não é natural! Não é certo! Eliza me disse que uma das obrigações de uma esposa é ter filhos. Eu não quero sentir dor. — Não, não... — Balanço a cabeça para os lados. O grito não sai da minha mente. — Princesa? — Ele abre os olhos. — Princesa Eleanor, diga o que está sentindo. — Sofrimento, gritos e pavor. — Respiro fundo tentando respirar. Sinto falta de ar. De repente, vejo tudo ficar preto... Abro os olhos devagar, vejo o teto do meu quarto. Estou na minha cama. Vejo o doutor Zul e o meu pai conversando ao meu lado. — E então? — meu pai pergunta ao médico. — Ela está bem. — Ele sorri para mim. — Que bom que a alteza acordou. Descanse, ouviu? — Ele sai do meu quarto. O meu pai respira fundo. — Você só dá trabalho! — Ele passa a mão no rosto, parece cansado. — É um saco ter que lidar com você e fingir preocupação para todos. Agora pouco os seus pretendentes estavam a tumultuar a porta do seu quarto. — E o Gruds? — Sento na cama. — Chegou com você nos braços, estava extremamente preocupado. A última vez que desmaiou assim você tinha 8 anos e estava vendo o parto da sua tia. Ah, não! Não foi a última, a última você havia desmaiado quando eu te dei um escorpião. — Ele ri. — Coitadinha... Lembra-se? Você tinha 10 anos. — Uma linda demonstração do seu amor. Nunca me esquecerei. — Sorrio. — Pode sair do meu quarto, majestade? Controlo a minha respiração e tento ficar calma para não gritar com ele. — Claro, só quero avisá-la que a partir de hoje está proibida de sair do castelo. Se for para desmaiar, que desmaie aqui dentro. — Qual a diferença? — Reviro os olhos. — A diferença é que dá para te tratar logo. Eu preciso de um neto e sem uma filha não dá! — Ele sai do meu quarto e bate a porta. Não é como se eu tivesse coisas a fazer fora do castelo. Que seja assim, então. Não preciso sair para fazer os meus planos. E que do meu ventre não saia nenhuma criança! Amém.
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