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1591 Words
A campainha insistente do celular acorda Lana. Por um momento ela fica deitada em sua cama, amassada e confusa. Sua cabeça lateja furiosamente. Então, ela dá um tapinha no edredom em torno dela, localiza sua bolsa e puxa o telefone vendo o número. É a agência. Ela senta, limpa a garganta e diz, — Sim? — Oi, Lana, aqui é Jane. — Oi, Jane. — Bem, nós recebemos uma denúncia preocupante e muito grave de seu empregador atual. Eles também solicitaram um substituto para concluir a reserva. Então, por favor, não vá ao trabalho hoje. A Sra. Lipman também gostaria de vê-la para resolver esta situação. Você pode vir hoje, mais tarde? Lana lembra de Blake dizendo para manter o dia livre. — Hoje não, mas amanhã posso. — Oh — há uma pausa surpresa. —Tudo bem. Pode ser às 10:30, amanhã? — OK, nos vemos então. Lana relaxa suavemente a cabeça para trás em seu travesseiro. Ela ouve com atenção e escuta sua mãe se movendo ao redor no apartamento. Ela suspira, pois vai ter que sair e enfrentar sua mãe e dizer novas mentiras, mas sente-se tão cansada que cai de volta no sono. Novamente, é o telefone que a acorda. Ela o levanta até seu rosto e é um número que não reconhece. — Olá — ela grunhiu. — Sra. Bloom? — uma voz de mulher pergunta. Sua voz é extremamente eficiente e profissional. E bem acordada. — Sim. — Laura Arnold, assistente pessoal do Sr. Barrington, falando. Você pode falar agora? — Sim, é claro. — Lana se levanta e toma um gole de água de uma garrafa ao lado da cama. — O Sr. Barrington me pediu para marcar alguns compromissos para você hoje. Posso passá-los. — Que tipo de compromissos? — Peter Edwards, motorista do Sr. Barrington, estará em seu apartamento às 10:45. Sua primeira parada será o seu médico, onde você tem uma consulta com a enfermeira. — Como você sabe quem meu médico é? Há uma pausa. Está cheia de possibilidades, talvez até explicações. — Não importa — diz Lana rapidamente. Como se ela não tivesse sido interrompida, a mulher continua — Ela vai discutir várias opções de contracepção com você, se você ainda não estiver fazendo uso de algum método anticoncepcional. Em seguida, você tem uma reunião com o advogado do Sr. Barrington. Depois de ter concluído seus negócios lá, você será deixada com nossa publicitária, no escritório de Fleur Jan. A Srta. Jan irá levá-la às compras e, em seguida, para o seu encontro com o cabeleireiro. Depois Peter tem instruções para levá-la a um salão de beleza onde você tem horário marcado para uma depilação de corpo inteiro, manicure e pedicure. Por favor, tenha em mente que o Sr. Barrington não gosta de cores berrantes. Ele prefere cores claras, mas gosta de unhas francesas. Quando você terminar no salão, Peter irá levá-la para o apartamento em St John Wood. Por favor, se instale. A geladeira e armários serão totalmente abastecidos, mas se precisar, eu também posso mandar uma refeição de sua escolha de um dos restaurantes locais. Seria aconselhável comer levemente, quando o Sr. Barrington chegar em Londres mais tarde, ele irá querer levala para jantar cerca de nove horas. Ele tende a ser muito pontual, então fique pronta até oito e meia. Você tem necessidades dietéticas especiais ou preferências? — Não. — Alergias alimentares? — Não. — Bom. Você quer que eu peça seu jantar? — Não, eu vou fazer. — Tudo bem. Você tem um passaporte? — Não. — Você vai precisar de um. — Por quê? — O Sr. Barrington viaja frequentemente e acredito que você vai ser obrigada a acompanhá-lo em algumas dessas viagens. — Uh… entendo. — Vou tomar as providências necessárias para você e entro em contato amanhã. — Obrigada. — Oh, e quando você for ao encontro do advogado, por favor, leve algum tipo de identificação. Você tem alguma dúvida? — Er… Não, acho que não. — Se você tiver qualquer pergunta ou pedidos, me chame neste número. Ficarei feliz em ajudar. —Está bem. Obrigada, senhorita Arnold. — É senhora Arnold, na verdade. Tenha um bom dia, senhorita Bloom. Lana desligou, se deixou cair para trás e sorriu. Ela sentiu uma onda selvagem de alegria. Ele não mudou de ideia. Parece quase impossível imaginar, mas ela conseguiu. Conseguiu o dinheiro. Sua mãe vai para a América. Ainda assim, ela nunca esperava tal competência ou rigor. Isto é mais como uma aquisição de negócios do que a simples transação que previu. Ingenuamente, ela pensou em coisas mais simples, imaginando visitas a hotéis decadentes ou um apartamento com cheiro estranho em algum lugar em Londres, provavelmente Soho. Mas com uma eficiência extraordinária, ele desenhou sua realidade para mostrar a ela o seu mundo sem emoções, onde tudo é preto e branco, e todos os esforços devem ser feitos para evitar qualquer tipo de cinza rastejando em forma de confusão ou desordem. Olhou para o seu despertador ao lado. Ela deve ter ficado mais cansada do que percebeu. Já é nove e meia, e é mais um dia cinzento lá fora. Ela segura a cabeça em suas mãos. Mais uma dose dupla de paracetamol deve fazer efeito. Ela se senta e olha para si mesma. O vestido laranja está muito amassado. Os detalhes da noite passada são nebulosos. Apenas o beijo permanece intacto. Deita-se na cama, fecha os olhos e se lembra de seus olhos, como ele estava indiferente. Se não fosse por essa veia pulsando loucamente em sua garganta, teria pensado que ele não sentiu nada. Eventualmente, ela não podia mais adiar o encontro com sua mãe, então se arrasta para fora da cama e vai para seu banheiro privado. Os azulejos são verdes pálidos e um ou dois estão rachados, mas tudo é brilhantemente limpo. Ela tira o vestido laranja e com cuidado o lava na pia, torce, e o pendura dentro do banheiro, e entra no box. Depois liga o chuveiro, e deixa a água quente correr sobre seu corpo. Quando sai, se sente como uma nova pessoa. Ela coloca roupas íntimas, um jeans e uma camisa branca. Então penteia o cabelo, faz um r**o de cavalo no alto da cabeça e com uma última olhada no espelho, vai até a cozinha. — Bom dia, mãe. Como você está se sentindo hoje? — Hoje é um bom dia. Lana sorri brilhantemente para sua mãe. Ambas ansiosas pelos dias bons. Os bons dias são o que as mantém seguindo em frente. — Você não tem que ir trabalhar hoje? — Sua mãe pergunta. — Não. Fui demitida ontem. Sua mãe lhe dá um olhar surpreso e preocupado. — Senta. Quero falar com você. — Lana senta e sua mãe coloca uma tigela na frente dela. — Este homem realmente nos dará o dinheiro? — A menos que ele desista — ela diz e coloca um pouco de cereal na tigela. — Qual o nome dele? — Blake — diz ela, servindo leite. Sua mãe suspira. —Você está propositalmente dificultando as coisas? Tudo bem. O nome dele é Blake Barrington. — Ela polvilha duas colheres de açúcar em seu cereal. — Barrington? — a testa de sua mãe franze. — Por que esse nome me é familiar? Lana termina de mastigar antes de responder. — Porque é uma família de banqueiros famosos — ela murmura e rapidamente coloca mais cereal na boca. Sua mãe suspira e senta na cadeira em frente à sua filha. Há algo nos olhos de sua mãe que ela nunca viu antes. — Há quanto tempo você tem se encontrado com ele? — Eu o conheci ontem. — Mais cereal é imediatamente enfiado em sua boca. Ela quer acabar com essa conversa o mais rápido possível. — Você o conheceu ontem e ele concordou em dar 50 mil libras. — Mmnnn. — Ela faz um som de mastigar. — Por quê? — Acho que deve ter sido amor à primeira vista. Os olhos da mãe estreitam. — Existe algo que você não está me contando, mocinha? — Não. O resto são todos detalhes sórdidos — ela desconversa alegremente. Mas sua mãe não deixa passar. Ela é como um cão que fareja sangue. Quantos anos ele tem? — Eu não perguntei, mas ele não parece ter mais de trinta anos. — Então, ele não é um homem velho? — Definitivamente, não. — Quando irei conhecê-lo? Lana sai de sua cadeira com sua tigela vazia e vai para a pia. — Em breve, mamãe. Muito em breve — diz ela, rapidamente enxaguando sua tigela e colher. Sua mãe se senta à mesa, imóvel como uma estátua. — Será que Jack sabe? — Jack? — Lana se vira para a mãe. — Nós não somos namorados, você sabe. — Eu sei, eu sei, mas… — Mas o quê? — Bem, sempre achei que você acabaria com ele. — Nós não nos sentimos assim em relação ao outro. Ela suspirou. — Vocês parecem tão certos um para o outro. Sempre sonhei que ele seria meu genro. — Desde quando? — Lana. Ele é alto e bonito e logo vai ser um médico. Eu não vou casar com Jack, mãe. Ele é como meu irmão. — O caminho do verdadeiro amor nem sempre é suave —sua mãe insiste teimosamente. Lana vai para seu quarto, coloca o casaco laranja em um cabide, pega o sapato laranja do chão, e vai para fora da porta, dizendo: — Estou indo para a casa de Bill.
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