Talvez ele esteja irritado por tê-los convidado para a festa, e eles vieram e se comportaram de uma maneira ultrajante. Ela não quer outro confronto pois já tem o suficiente em seu prato. Ela não pediu para ser convidada e teria lhe ignorado e passado despercebida se ele não tivesse levantado um dedo detendo-a. Ela olha desafiadoramente para ele.
Seus olhos escaneiam seu rosto, agora desprovida de qualquer maquiagem.
— Você está bem? — Estar perto de sua pele é como ver o sol, e o som de sua voz é puro e aveludado. Ela cruza os braços ao redor de seu corpo e resiste ao instinto de dar um passo para trás, tal é a imensidão do poder selvagem que ele exala. É magnético e irresistível. Ele a faz lembrar uma pantera. Rondando e pronto para atacar, cheio de energia inquieta suprimida. Musculoso e forte.
Graças a Deus pelo sapato de salto. Ela levanta os olhos para o nível de sua boca estreita. Levanta o queixo, o olha diretamente nos olhos, e em sua melhor voz de secretaria, diz — Sim, estou bem. Obrigada.
— Preciso falar com você.
Oh Deus, ele vai me passar um sermão, ela pensou.
— Então fale.
— Em particular, por aqui, por favor. — Ele gesticula com a mão e toma cuidado para não tocá-la. O corredor conduz a uma porta. Ele vai à sua frente e a abre. Ela hesita por um momento, então pensa – f**a-se - e passa por ele. A sala parece ser algum tipo de biblioteca, com paredes cheias de prateleiras de livros encadernados em couro. A sala tem cheiro de couro novo. Ela o ouve fechar a porta e se vira.
Ele está encostado na porta, simplesmente olhando para ela.
—Então? — Ela pergunta.
— Você tem mais de dezoito anos?
— Sim.
— Tem certeza?
— É claro que tenho — ela rosna — Não que seja da sua conta.
— O que Lothian vai ter em troca do seu dinheiro?
Então ele a ouviu. Oh, a vergonha. Se ao menos o chão pudesse se abrir e engoli-la… Felizmente, a raiva veio em seu socorro. Como ele se atreve? Que audácia. Arrogante, bastardo e presunçoso. Com toda a altivez que pode reunir, dadas às circunstâncias, diz irritada — Isso é particular, se você não se importa. E, se isso era tudo…
— Não é mera curiosidade. Estou muito feliz em dobrar a quantia, se é o que acho que é.
Lana não olha para ele. Ela entende por que alguém como Rupert teria que pagar, mas Blake Law Barrington? Ele poderia ter quem quisesse. Em seguida, ocorre que, talvez, esteja apenas brincando com ela. Talvez seja uma coisa que todos os homens ricos fazem.
O orgulho vem à tona. Ela não vai ser humilhada duas vezes em uma noite.
— O que quer que eu ofereci é para Rupert e só Rupert. Agora, por favor, me deixe sair por aquela porta e fique bem longe de mim — Sua voz se levantou com raiva.
Seus olhos faíscam.
— Você sabe que seus olhos ficam azuis, como quando se acende fósforos, quando está com raiva? — Então, mais suavemente, pergunta — Por que alguém como você se envolve com alguém que, se as minhas fontes mais impecáveis são confiáveis, é um completo ignorante? Ele bateu tanto em uma mulher que quebrou sua mandíbula, e a cegou de um olho. — Lana fecha os olhos. Ela bebeu muito champanhe. Toda a situação se tornou impossível para ela lidar com a sua condição atual. Aventurou-se onde nunca deveria ter ido e sente a dor da derrota em seus ossos.
— O que você quer de mim?
Ele deixa a porta e caminha em sua direção. Mais uma vez tem a sensação de que ele é um animal predador. — Bom, para começar… — Chega nela e de repente a puxa para si. Ela cai para a frente e é lançada contra seu corpo duro. As palmas das mãos entram em contato com o material liso de seu blazer. Chocada, ela é preenchida com o cheiro que Rupert chama de dinheiro velho e poder. Difícil de definir, mas a faz lembrar de alecrim, não por causa do seu cheiro, mas porque é tão claro e distinto. Nada fraco.
Tudo assume uma aparência irreal. O interior fabulosamente rico. Lá fora um homem atrás daquela porta que quer violentá-la por dinheiro. Aqui na frente dela, um homem assustadoramente reservado, que traz sensações corporais que nunca experimentou antes. Uma veia na base da garganta está latejando. Ela assiste com curiosidade pois nunca viu um homem destes antes. E então, um braço vem ao seu redor, um punhado de cabelo perto de sua nuca é apreendido e puxado, dessa forma seu rosto está inclinado para cima em direção a ele.
— Isso — ele diz, e sua boca desce rapidamente para possuir a dela. Seu hálito cheira a conhaque ou uísque. Ambos impiedosos, de qualquer maneira.
Por duas vezes hoje ela teve que suportar lábios não convidados e indesejáveis de um estranho, mas sua reação a esse homem arrogante é chocante e imediata.
A boca dele dirige a sua, selvagem, de uma maneira que ela nunca poderia ter imaginado. Ondulações de calor correm através do corpo dela e o raciocínio, parte confiável de seu cérebro - aquela parte que nunca falhou antes - deixa de responder. Para de funcionar. Seus braços enrolam em volta do pescoço feito cobra e se emaranham no cabelo grosso. Ela se emociona em seu abraço possessivo.
Ele circunda a língua, suga profundamente em sua boca e a beija com tal ferocidade, que alguma b***a adormecida interior responde ao seu chamado animal. A emoção perigosa chuta forte na boca do seu estomago. Nenhum homem jamais fez isso com ela, não desta forma. Ela se apega a ele. Como um animal cego que se move apenas pelo instinto, empurra seu corpo contra o dele. Há apenas a necessidade de encontrar mais do seu calor viciante. O que encontra é a dureza grossa de seu desejo por ela. Ele pressiona agressivamente contra a suavidade de seu estômago a excitando além de toda razão.
Ela esquece totalmente onde está.
A voz fria e dura de Rupert a arrasta de volta para aquela sala. Ambos não o ouviram entrar.
— Receio que ela já esteja bastante comprometida — ele diz, mas há muita raiva reprimida em sua voz, que é como um sopro de ar gelado.
Ela retira sua boca de Blake. Ele está posicionado entre ela e Rupert assim seu peito largo a esconde do julgamento de Rupert. Seus olhos, nublados com confusão e desejo, ainda estão presos no olhar de Blake. Por alguns segundos ele não à solta, mas simplesmente fica olhando para as profundezas azuis com algo parecido com surpresa. Então, seus olhos se transformam em granito e seu corpo enrijece, enquanto suas mãos apertam e curvam protetoramente em volta da cintura dela. Lentamente, ele se vira para Rupert.
— Mas ainda não pagou, creio eu? — Ele diz, e olha para baixo sorrindo para o rosto perturbado e corado de Lana. Ela tem duas impressões muito rápidas. Ele é um ator brilhante e é um homem frio. Um ser surpreendentemente frio e sem emoção.
Rupert dirige seus olhos atônitos e ferozes para Lana.
— Você se ofereceu a ele também?
Lana olha em silêncio para Rupert. Seus olhos se movem com ironia e ódio por ela. Ela se sente estremecer.
— Será que ele sabe o quanto você cobra?
— Você duvida que sou capaz de pagar a ela?
Rupert se encolhe como uma sanguessuga que teve sal jogado sobre ela.
— É por isso que você me convidou para vir aqui, não é? — Sim.
— Que piada! — Ele zomba, mas seu comentário carece de qualquer graça real — O grande Barrington não pode encontrar sua própria prostituta. Ele tem que roubar a minha.
— Eu não a roubei — Blake observa razoavelmente — Eu só me ofereci para pagar mais.
Os olhos de Rupert se arregalaram.
— Ela é apenas uma merda de p**a barata. Acabei de pegá-la lá fora — ele mente maliciosamente, sacudindo a cabeça com caspa que caem em direção à porta.
Lana sente a mão de Blake apertar em torno de sua cintura.
— Considere um brinde imerecido, então — ele diz em voz baixa, mas alertando nas palavras calmas. Um aviso que Rupert não perdeu. O ar se torna denso com a tensão. Lana olha de um homem para o outro. É como assistir dois leões lutarem pela supremacia. Mas seu corpo sabe qual leão irá vencer essa luta.
Rupert encolhe os ombros. Ele sabe que seria um t**o de ir contra um Barrington. Ele tem muito a perder.
— Se você acha que vou lutar por ela, você está enganado. Fique com ela.
Ele vira as costas e vai embora.
Blake solta Lana. Ela percebe que está tremendo e se inclina contra a mesa, se odiando, mas incapaz de parar, nada é mais importante do que o dinheiro, então pergunta:
—Você… você quis dizer aquilo, sobre o dinheiro?
— Sim.
Um soluço de alívio escapa de sua garganta. Ela cobre a boca com ambas as mãos.
— Obrigada.
Ele olha para ela com os olhos apertados, surpreso pela intensidade de sua reação, mas não faz nenhum comentário.
— Você tem um casaco?
Ela acena com a cabeça, incapaz de falar.
— Dê-me o bilhete. Eu vou buscá-lo.
Ela olha para a bolsa pendurada em seu quadril, as mãos trêmulas, e balança a cabeça miseravelmente. Ela não se lembra o que fez com ele.
— Eu o perdi. Acho que caiu no… — Está prestes a dizer banheiro quando decide que não é como eles e ela não vai fingir ser algo que não é — …banheiro feminino.
— Vamos. Eu vou buscá-lo para você.
— Eu não posso sair sem ele. Não é meu — ela sussurra.
Ele suspira.
— Está tudo bem. Eu vou buscá-lo. É o casaco… hum… laranja?
Ela olha para ele com cuidado. Não há nenhum sinal de insulto ali. Mas seu rosto está pálido.
— Sim.
— Espere aqui. Não vá a lugar nenhum.
Ela fica no meio da sala embaixo da luz. Ela tem o dinheiro e não tem que ser estuprada por ele. Suas mãos vão para a boca. Aquele beijo. A forma como ele a fez sentir. Só de pensar nisso a faz sentir necessidade da sensação do seu corpo sólido se fundir no dela. A porta se abre, e Rupert entra.
— Você está parecendo assustada. Por quê? Eu não queria que você ficasse m*l. Na verdade, percebo agora que estou realmente muito interessado em sua oferta. Se eu parecia insatisfeito antes, por favor me perdoe.
— Não tem... — diz ela, balançando a cabeça e dando um passo para trás — ...nada a perdoar.
— Ele está realmente pagando o dobro?
— Eu não preciso de mais do que te pedi.
— Então, por que ir com ele? Ele não é diferente de mim. Ele também vai te abandonar como um negócio m*l feito, quando terminar com você. — Ela acena com a cabeça.
— É claro que vai, mas como você disse, eu vim com um preço. Você quis negociar e ele estava disposto a pagar. —Se apenas ela conseguir mantê-lo falando até Blake voltar.
— Eu também estou, agora.
— Além disso, você quer cinquenta tons de cinza e ele só quer uma mulher.
— Talvez eu mude de ideia. Talvez só queira uma mulher também.
Ele se aproxima.
— Blake foi pegar meu casaco. Ele estará de volta a qualquer momento.
—Não, sem isso ele não vai. Ele estende o seu bilhete.
Ele a prende com a mão de repente. Ela tenta se mover para trás, mas ele a agarra pelo braço. Seu aperto é duro, seus dedos cavam dolorosamente em sua b****a. Ele a puxa mais perto.
— Você está me machucando.
— Você ficará surpresa com a quantidade de dor que o corpo humano pode ter.
— O que você quer, Rupert?
— Eu me sinto lesado. Algo que queria, que me foi prometido, foi roubado por outro. Deram-me um sabor de algo que gostei muito. Você resiste bem, Lana. Talvez, você faça isso para nós dois. Vou pagar você também.
Lana pisca. Ela não consegue acreditar no que está ouvindo. Se não fosse tão humilhante, seria surreal. O ambiente em que se encontra, os homens poderosos que estão, obviamente, de repente, aparentemente dispostos a pagar enormes somas para f********o com ela.
— Eu não faria isso com Blake.
— Ele nunca vai saber e mesmo que saiba, não vai se importar. Não é como se ele fosse se casar com você. Você é apenas uma f**a, Lana — ele pronunciou cada palavra com desdém.
A porta se abre e Blake está no batente, com seu casaco laranja dobrado sobre o braço dele. Seu rosto é como uma porta de aço fechada. Ele entra no ambiente e Rupert solta o braço dela. Ela se move para longe dele e o esfrega. Já existem marcas vermelhas nele. Blake olha em silêncio, então, a ajuda com o seu casaco.
— Pronta? — Pergunta ele.
Ela acena com a cabeça.
Ele se vira para Rupert e bate com força no seu queixo. Tão duro que o ex-jogador de rúgbi cai no chão com um grunhido.
— Ela pode ser uma p**a barata, mas estou pagando o que você barganhou, por isso ela é minha p**a barata agora. Você faria bem em lembrar disso… — Blake fala casualmente por sobre o ombro.
Rupert agarra seu lábio sangrando e mostra sua fúria para a única pessoa que ousa.
— Você está demitida — ele grita impotente.
Blake a segura pelo braço e a leva para fora daquele lugar. Não há uma única pessoa naquela festa que não se vire para vê-los sair.