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O relógio do fim

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Num futuro próximo, a humanidade acredita ter finalmente conquistado o impossível: prever a morte.O brilhante cientista Dr. Elias Varela desenvolve um dispositivo revolucionário conhecido como Cronovisor, uma tecnologia capaz de calcular o exato momento em que qualquer pessoa irá morrer. Inicialmente criada para salvar vidas, a invenção rapidamente se torna a maior descoberta da história da humanidade.Hospitais usam o Cronovisor para evitar tragédias. Governos disputam acesso à tecnologia. Milhões de pessoas consultam seus relógios para saber quanto tempo ainda lhes resta.Mas tudo muda quando Elias realiza um teste global.Os resultados revelam algo impossível.Todos os relógios mostram a mesma data.A mesma hora.O mesmo destino.Em pouco mais de um ano, toda a humanidade deixará de existir ao mesmo tempo.Enquanto o mundo mergulha no caos, entre medo, fanatismo e desespero, Elias começa uma corrida contra o tempo para descobrir o que causará a extinção global. Porém, quanto mais investiga, mais percebe que o desastre não vem de um asteroide, guerra ou desastre natural.Ele vem do próprio futuro.Agora, Elias precisa enfrentar governos que querem esconder a verdade, uma organização poderosa que deseja controlar o destino da humanidade e um segredo que pode destruir tudo o que ele acredita sobre o tempo.Porque talvez o verdadeiro perigo não seja saber quando vamos morrer.Mas tentar impedir isso.

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O laboratório estava silencioso demais. Não era um silêncio comum, daqueles que simplesmente acontecem quando não há pessoas por perto. Era um silêncio denso, pesado, como se até o ar estivesse atento ao que iria acontecer naquela madrugada. Do lado de fora, a cidade dormia sob um céu coberto por nuvens espessas. As luzes distantes dos prédios criavam reflexos suaves nas grandes janelas do laboratório, mas ali dentro o ambiente era dominado por outra iluminação: o brilho frio de dezenas de telas holográficas suspensas no ar. Linhas de código deslizavam lentamente por elas. Gráficos pulsavam. Algoritmos se reorganizavam. E no centro de tudo aquilo estava um único homem. O Dr. Elias Varela. Ele estava parado diante de uma mesa circular de metal escuro, os braços cruzados, os olhos fixos no pequeno dispositivo que repousava no centro da superfície. Durante alguns segundos ele não se moveu. Apenas observava. Seus olhos estavam cansados. As olheiras profundas denunciavam noites seguidas sem dormir. A barba por fazer tornava seu rosto ainda mais marcado pela tensão. Mas apesar do cansaço, havia algo mais ali. Expectativa. Uma expectativa tão intensa que parecia vibrar dentro do peito. Elias respirou fundo. O ar do laboratório tinha o cheiro metálico típico de equipamentos eletrônicos funcionando por muitas horas. Ventiladores internos giravam dentro das máquinas espalhadas pelo espaço, produzindo um zumbido constante. Era quase três da manhã. O relógio digital na parede marcava 02:56. Faltavam poucos minutos. Dez anos. Dez anos de trabalho estavam prestes a ser colocados à prova. Ele passou a mão lentamente pelo rosto, tentando afastar o peso da exaustão. — Está na hora… — murmurou para si mesmo. Sua voz soou estranha no silêncio do laboratório. Quase como se não pertencesse àquele lugar. Elias aproximou-se da mesa central. Ali estava a máquina que poderia mudar tudo. O Cronovisor. À primeira vista, ninguém imaginaria que aquele pequeno objeto pudesse representar uma das maiores descobertas científicas da história da humanidade. Ele tinha aproximadamente o tamanho de um relógio de pulso, com uma superfície metálica lisa e um visor escuro que ainda estava apagado. Pequenos cabos transparentes conectavam o dispositivo a uma base de dados quânticos instalada logo abaixo da mesa. Mas o verdadeiro poder da máquina não estava no hardware. Estava nos cálculos. Nos algoritmos. Nas equações impossíveis que Elias passou uma década tentando resolver. Ele puxou uma cadeira e sentou-se lentamente diante do painel principal do sistema. Seus dedos pairaram sobre o teclado holográfico. Por um instante, ele hesitou. E então a memória voltou. Sempre voltava. Um corredor de hospital. Luzes brancas. O cheiro forte de desinfetante. E o som contínuo de um monitor cardíaco. Ele se lembrava de cada detalhe daquela noite. Lembrava da sensação de impotência. Do médico tentando explicar algo que ele m*l conseguia ouvir. Lembrava do rosto pálido de Helena deitada na cama. Imóvel. Frágil. Silenciosa. A morte dela havia sido classificada como um acidente imprevisível. Um colapso súbito. Uma falha biológica impossível de antecipar. Mas Elias nunca aceitou aquela explicação. Nunca. Porque, para ele, o universo não era caótico. O universo era um sistema. E todo sistema podia ser compreendido. Se houvesse informação suficiente. Foi assim que o projeto nasceu. Se a morte parecia aleatória… Talvez fosse apenas porque ninguém ainda tinha conseguido calcular todas as variáveis. Elias abriu os olhos lentamente. — Hoje nós vamos descobrir… — disse em voz baixa. Ele pressionou o botão de ativação. Durante alguns segundos, nada aconteceu. Então o laboratório inteiro ganhou vida. As telas se acenderam simultaneamente. Gráficos começaram a surgir. Linhas de código correram pelos monitores com velocidade impressionante. O Cronovisor estava sendo inicializado. O sistema começou a acessar bancos de dados médicos globais, registros genéticos, padrões biológicos e modelos estatísticos de comportamento humano. Mas aquilo era apenas o começo. O verdadeiro cálculo acontecia em um nível muito mais profundo. Um nível quântico. O software criado por Elias analisava bilhões de possibilidades futuras simultaneamente, buscando padrões inevitáveis. Cadeias de eventos. Sequências probabilísticas. Pequenas decisões que, somadas ao longo do tempo, determinavam o destino final de um organismo vivo. Era uma matemática brutalmente complexa. Mas depois de dez anos… ela finalmente estava funcionando. Elias observava tudo com atenção absoluta. Seu coração batia mais rápido. — Vamos lá… — sussurrou. Ele pegou o dispositivo. O metal estava frio contra seus dedos. Por um instante ele pensou em testar em outra pessoa. Algum voluntário. Algum animal. Mas não. Se aquela máquina funcionasse, ele queria saber primeiro. Com as próprias mãos, ele colocou o Cronovisor no pulso esquerdo. O dispositivo encaixou-se automaticamente. O visor permaneceu escuro por alguns segundos. Depois começou a brilhar. Números apareceram lentamente. Elias prendeu a respiração. O visor mostrava uma contagem clara. 27 anos 3 meses 11 dias 6 horas 42 minutos Ele ficou completamente imóvel. Seus olhos analisavam cada número como se não acreditassem no que estavam vendo. Funcionou. Funcionou. Um riso curto escapou de seus lábios. — Meu Deus… Ele se levantou da cadeira e começou a caminhar pelo laboratório, passando as mãos pelos cabelos em completo estado de incredulidade. Aquilo era real. A máquina estava funcionando. O Cronovisor havia calculado o tempo restante de sua vida. Aquilo significava que, teoricamente, seria possível prever o momento exato da morte de qualquer pessoa no planeta. Hospitais poderiam evitar milhares de mortes. Acidentes poderiam ser previstos. Doenças detectadas antes mesmo de aparecerem. Era uma revolução científica. Uma revolução para toda a humanidade. Mas antes de anunciar algo daquela magnitude, Elias precisava confirmar. Ele voltou ao computador principal. — Hora de aumentar a escala. Seus dedos começaram a digitar rapidamente. Ele conectou o Cronovisor ao sistema central de simulação. Agora o programa iria testar milhões de cenários diferentes usando dados reais da população mundial. As máquinas começaram a trabalhar com intensidade máxima. Os ventiladores internos giravam cada vez mais rápido. Os servidores aqueciam. Linhas de cálculo surgiam nas telas em velocidade vertiginosa. Elias observava tudo com fascínio. Até que algo estranho apareceu. Uma linha vermelha. Ele franziu a testa. — Estranho… Outra linha vermelha surgiu. Depois outra. E outra. Em menos de um minuto, todos os monitores do laboratório estavam marcados em vermelho. Elias aproximou-se da tela. Os resultados indicavam algo impossível. As simulações estavam retornando o mesmo resultado. Independentemente da idade. Da saúde. Do país. Do estilo de vida. Todos os modelos apontavam para o mesmo momento final. — Não… — murmurou. Ele reiniciou o cálculo. As máquinas começaram novamente. Mais rápido. Mais profundo. Mais detalhado. Os resultados apareceram novamente. O mesmo padrão. O mesmo resultado. Elias sentiu o estômago gelar. Ele olhou para o monitor central. Uma única data estava escrita ali. 17 de outubro de 2089 Abaixo dela, outro número apareceu lentamente. 03:17 da madrugada O laboratório ficou em silêncio absoluto. Elias sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Aquilo significava apenas uma coisa. Todas as simulações. Todos os futuros possíveis. Todas as vidas humanas. Terminavam naquele exato momento. Ele deu um passo para trás. — Isso… não é possível… Ele rodou o cálculo novamente. E novamente. E novamente. Sempre o mesmo resultado. Sempre a mesma data. Sempre a mesma hora. Como uma sentença inevitável gravada no próprio tecido do universo. Elias encostou as mãos na mesa, tentando organizar os pensamentos. Seu cérebro recusava aceitar aquela conclusão. Mas os números não mentiam. Ele olhou novamente para a tela. 17 de outubro de 2089 03:17 Sua voz saiu quase como um sussurro. — O que acontece… às três e dezessete? Ele ainda não sabia. Mas naquele instante, Elias Varela havia descoberto algo que nenhum ser humano jamais deveria saber. O momento exato em que toda a humanidade deixaria de existir. E em algum lugar do mundo, sem que ele soubesse… O relógio do fim já havia começado a contar.

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