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1292 Words
O silêncio no laboratório era pesado, quase palpável. Elias Varela estava imerso em seus cálculos, seus olhos fixos na tela enquanto tentava entender o que acontecia com o Cronovisor. A cada segundo, as tentativas de prever o futuro se tornavam mais caóticas. O dispositivo, que originalmente deveria apenas prever a morte de qualquer ser humano com precisão absoluta, agora estava desafiando a própria lógica do tempo. Elias sabia que a Ordem de Orpheus estava cada vez mais perto e que não havia mais tempo para hesitar. Cada descoberta que ele fazia parecia empurrá-lo para um precipício do qual não sabia se conseguiria sair. Foi então que a porta do laboratório se abriu. O som de passos rápidos ecoou na sala silenciosa. Caio, seu filho, entrou, com a expressão concentrada que sempre o acompanhava. Aos 16 anos, Caio já exibia um intelecto que muitos cientistas renomados invejariam. Sua mente era afiada e sua capacidade de entender o impossível parecia ser natural. Ele tinha uma visão única do mundo, uma perspectiva que sempre ajudava Elias a enxergar além das limitações de sua própria compreensão. — Pai — disse Caio, com a voz firme. — Eu encontrei algo. Algo que vai mudar tudo. Elias não tirou os olhos da tela por um momento. Mas as palavras de Caio o fizeram parar por um instante. Ele sabia que o garoto não falava de algo trivial. Quando Caio dizia algo assim, significava que estava em algo importante, algo que poderia ser crucial para o que estava prestes a acontecer. — O que você encontrou, Caio? — Elias perguntou, a voz mais grave do que queria. Caio se aproximou da mesa de Elias, observando o monitor com a mesma atenção e intensidade que o pai. Depois de um breve silêncio, ele respondeu: — Eu localizei a pessoa sem tempo. Elias congelou. Aquelas palavras reverberaram na sala com um peso indescritível. A pessoa sem tempo. A entidade que, até aquele momento, parecia um enigma intransponível. A pessoa que não aparecia no Cronovisor, a única falha no sistema perfeito. Se Caio realmente havia conseguido localizá-la, isso mudaria tudo. A jornada deles agora tomaria um rumo diferente, mais perigoso do que jamais imaginaram. — Como você conseguiu? — Elias perguntou, seu tom agora mais urgente. Caio olhou para ele, seu rosto sério, mas com uma luz de excitação nos olhos. — Eu encontrei o padrão. Não de uma maneira normal. A pessoa sem tempo não está no Cronovisor, mas ela deixa um rastro. Um padrão que não podemos entender com os cálculos tradicionais. Ela se move de uma forma que o Cronovisor não consegue prever, como se estivesse... além do tempo. Elias sentiu um calafrio. A ideia de uma pessoa que pudesse estar fora das regras do tempo, uma pessoa que não estava sujeita às leis da física que ele e a humanidade sempre entenderam, era inimaginável. A pessoa sem tempo não deveria existir. E, no entanto, ali estava Caio, apresentando a prova de que isso era possível. — Mas ela não aparece nos registros, Caio. Ela está fora do sistema — Elias murmurou, ainda processando a magnitude da informação. — O que isso significa? Caio respirou fundo antes de responder. — Significa que essa pessoa está fora do controle do tempo, pai. Ela não segue o padrão que entendemos. E, de alguma forma, ela está alterando o curso dos eventos ao seu redor. Não é só uma anomalia; ela tem poder sobre o que acontece ao redor dela. Elias sentiu o peso das palavras de Caio como um peso físico. Se a pessoa sem tempo era capaz de manipular o tempo de uma forma desconhecida, isso significava que ela não era apenas uma ameaça. Ela era a chave. A chave para salvar ou destruir a humanidade. — Isso muda tudo — disse Elias, mais para si mesmo do que para Caio. Ele sentiu uma mistura de medo e fascínio. Se Caio estava certo, então a missão deles estava prestes a se tornar ainda mais complexa. Eles não estavam apenas tentando impedir a Ordem de Orpheus de controlar o Cronovisor, mas agora precisavam entender quem era a pessoa sem tempo e qual seu papel real na linha do tempo. Caio olhou para ele, mais calmo agora, mas ainda focado na tarefa à frente. — Precisamos encontrá-la antes da Ordem de Orpheus. Se a captura dessa pessoa for bem-sucedida, tudo o que tentamos fazer será em vão. A Ordem usará esse poder para manipular o tempo de uma forma que nenhum de nós pode prever. Elias assentiu, seus pensamentos se organizando com uma clareza renovada. O perigo nunca foi tão iminente, mas agora, ele tinha uma nova missão. Proteger a pessoa sem tempo era a única chance que ele e Lara tinham de impedir a destruição iminente. Mas a missão estava longe de ser simples. A Ordem de Orpheus tinha recursos infinitos, e seus agentes eram implacáveis. Eles não parariam até que tivessem o Cronovisor e a pessoa sem tempo sob seu controle. — Nós precisamos sair daqui, agora. — Elias disse, interrompendo seus próprios pensamentos. — Se a Ordem já sabe que estamos em Paris, temos que nos mover. Agora. Caio olhou para ele com os olhos atentos e rapidamente pegou uma mochila que estava ao lado da mesa, começando a se preparar para a fuga. — O que vamos fazer com o Cronovisor? — Caio perguntou, sua expressão focada, mas com um toque de preocupação. Ele sabia que a decisão de destruir ou proteger o Cronovisor poderia definir o futuro da humanidade. Elias hesitou por um momento. Ele olhou para o dispositivo, agora com uma sensação de responsabilidade esmagadora. A máquina que ele criara, com a intenção de salvar vidas, agora estava no centro de uma batalha muito maior. O Cronovisor não era apenas uma ferramenta científica. Era uma arma. E ele precisava decidir qual seria seu destino. — Vamos protegê-lo. — Elias disse finalmente, a decisão tomada com firmeza. — Não podemos deixar que eles usem o Cronovisor para manipular o futuro. Ele deve ser destruído, mas somente quando encontrarmos uma maneira de impedir a Ordem. Caio olhou para ele, e pela primeira vez, um leve sorriso surgiu em seu rosto. O que parecia ser uma batalha sem fim agora tinha uma direção. Eles tinham uma missão: proteger a pessoa sem tempo e impedir que a Ordem usasse o Cronovisor para moldar o futuro. --- As horas seguintes foram uma corrida contra o tempo. Eles se moveram pelas ruas de Paris com rapidez, usando rotas alternativas para evitar os drones da Ordem de Orpheus. Cada movimento era cuidadosamente planejado, mas Elias sabia que, por mais que tentassem, não teriam muito tempo antes que a Ordem os localizasse. O peso da missão estava se tornando insuportável, mas Elias sabia que não podia falhar. O futuro da humanidade dependia disso. À medida que se aproximavam de um local seguro para reunir mais informações e planejar o próximo passo, Elias não pôde deixar de pensar em Caio, no quanto ele havia crescido e no quanto ele era importante para essa luta. Caio não era apenas o filho de Elias; ele era agora um dos pilares que sustentavam a esperança de salvar o futuro. Mas o perigo estava sempre à espreita. No momento em que a Ordem de Orpheus descobrisse onde eles estavam, tudo poderia acabar. Elias olhou para Caio, que caminhava ao seu lado, com o rosto sério e determinado. Eles estavam prestes a enfrentar a maior luta de suas vidas. Mas algo mais estava em jogo. O Cronovisor, a pessoa sem tempo, a Ordem de Orpheus — tudo isso havia se tornado um tabuleiro de xadrez onde o futuro estava sendo jogado. E Elias estava determinado a não perder a partida.
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