A cidade de Paris estava em silêncio, mas era um silêncio carregado de tensão. Elias, Lara e Caio estavam em um local que poderia ser sua última chance de derrotar a Ordem de Orpheus. O ar pesado parecia refletir a urgência do momento. Cada decisão tomada agora seria crucial para o destino da humanidade. Eles haviam encontrado a pessoa sem tempo, e com isso, tinham acesso à chave para mudar o curso do futuro. Mas essa chave também era perigosa. Se caísse nas mãos erradas, a Ordem de Orpheus não apenas controlaria o presente, mas também o futuro de todas as gerações que viriam.
O tempo estava se esgotando.
Elias olhou para a pessoa sem tempo, que estava diante dele, seus olhos profundos e misteriosos, como se ela estivesse sempre à frente do próprio tempo. Havia uma quietude nela, uma calma perturbadora, como se ela já soubesse o que aconteceria. Mas isso não era algo que Elias queria saber. Ele precisava agora de respostas.
— Você disse que me protegeria, — Elias começou, sua voz grave, mas determinada. — Mas o que exatamente isso significa? A Ordem de Orpheus não vai desistir de nós. Eles têm mais poder do que imaginamos.
A pessoa sem tempo olhou para ele com uma expressão enigmática, como se estivesse avaliando cada palavra. Ela estava com eles, mas ainda assim parecia distante, como se seu propósito fosse algo além da compreensão humana.
— Eu sou a linha entre o que pode ser e o que deve ser — respondeu a pessoa, sua voz suave, mas carregada de sabedoria. — O futuro não é um destino fixo, mas uma série de possibilidades. Eu não posso interferir diretamente, mas posso garantir que as escolhas feitas levem à preservação do equilíbrio.
Lara se aproximou, seus olhos fixos na figura à sua frente, tentando entender.
— Mas o que isso significa para nós? — ela perguntou, a ansiedade em sua voz. — Como podemos usar esse poder para deter a Ordem? Eles estão muito perto, e não podemos mais esperar.
A pessoa sem tempo olhou para Lara, seus olhos parecendo penetrar na alma dela.
— O que deve ser feito agora é escolher o caminho mais difícil. O futuro está em constante movimento, e a Ordem de Orpheus quer usar a máquina para estabilizar o que é imprevisível. Eles querem transformar o tempo em algo controlável, como se fosse uma linha reta, sem desvios, sem escolhas. Mas as escolhas são o que definem o futuro. Sem elas, o mundo se tornaria uma prisão.
Elias franziu a testa. A cada palavra, ele sentia o peso do dilema. O que estava em jogo não era apenas uma batalha contra a Ordem de Orpheus. Era uma luta pela liberdade do futuro. A pessoa sem tempo não era apenas um ser com poderes sobrenaturais. Ela era a própria essência do que significava viver em um mundo de escolhas, sem uma linha reta ou predeterminada para seguir.
— Então, você está dizendo que, para derrotarmos a Ordem, precisamos deixar o futuro ser o que ele é, e não tentar controlá-lo? — Elias perguntou, o medo e a dúvida ainda presentes em sua mente.
A pessoa sem tempo deu um passo à frente, agora mais próxima de Elias, e em sua presença, Elias sentiu uma estranha sensação de paz misturada com uma urgência indescritível.
— Sim — disse a pessoa sem tempo, a voz séria. — O que vocês chamam de controle é uma ilusão. A Ordem de Orpheus quer manter o controle do tempo como se ele fosse um ciclo previsível, mas isso vai destruir as escolhas. E sem escolhas, vocês não seriam mais humanos. Vocês não seriam nada. A chave para derrotá-los é permitir que o tempo siga seu curso sem a interferência da Ordem. Essa é a verdadeira batalha.
Lara parecia processar as palavras da pessoa sem tempo, e sua expressão ficou mais séria.
— Então devemos destruir o Cronovisor, — ela disse, com um olhar firme. — Se a Ordem não puder usar a máquina, eles perderão o controle, certo?
A pessoa sem tempo não respondeu imediatamente. Ela parecia refletir, como se suas palavras fossem mais do que simples respostas.
— Destruir o Cronovisor não é a solução. O dispositivo é apenas uma ferramenta. A verdadeira batalha está em suas escolhas. Vocês podem destruí-lo, mas isso não vai destruir o poder que a Ordem de Orpheus tem. Eles querem manipular as escolhas, não a máquina. Para acabar com a Ordem, precisam proteger o direito de escolher, mesmo que isso signifique uma luta sem garantias.
Elias e Lara ficaram em silêncio, absorvendo as palavras da pessoa sem tempo. Eles estavam em um ponto de não retorno. Destruir o Cronovisor, como sugerido por Lara, poderia impedir a Ordem de usá-lo, mas também significaria que perderiam o único meio de entender e prever as consequências de suas ações. De alguma forma, eles precisavam encontrar um meio termo.
— Mas se não destruirmos a máquina, a Ordem continuará tentando usá-la — disse Elias, seu tom urgente, mas racional. — Como podemos garantir que eles não usem o Cronovisor para reescrever o futuro a seu favor?
A pessoa sem tempo olhou para ele, seus olhos agora mais focados.
— Vocês precisam de aliados. Não vão conseguir fazer isso sozinhos. A Ordem é forte, mas ainda há aqueles que querem impedir que o controle absoluto se instale. A verdade está em suas mãos, mas também nas mãos de outros. A resposta está em quem você escolhe confiar.
Antes que Elias pudesse responder, o som de passos apressados ecoou pelo corredor. Eles estavam sendo perseguidos. A Ordem de Orpheus havia finalmente descoberto onde estavam.
— Eles nos encontraram! — disse Lara, sua voz tensa. — Precisamos sair daqui agora.
Elias rapidamente olhou para Caio, que estava já analisando a situação e fazendo cálculos rápidos.
— Nós temos uma rota de fuga subterrânea, — Caio disse, com a calma que sempre o caracterizou. — Mas precisamos de mais tempo. Eles vão cercar a área em minutos.
A pessoa sem tempo olhou para os três, e pela primeira vez, ela parecia mais tangível. Sua presença parecia intensificar a tensão no ar, como se ela fosse parte de algo maior, mais complicado.
— Sigam o caminho. O futuro não está decidido. O que escolherem agora será o que vai definir o que virá. Eu os ajudarei, mas o que acontece depois será sua responsabilidade.
Elias olhou para Lara e Caio, e, sem hesitar, fez o movimento.
— Vamos. — Sua voz estava firme, sem dúvida. O que quer que acontecesse, eles precisavam continuar. Não podiam parar agora.
Eles seguiram pela rota subterrânea, avançando através dos corredores escuros enquanto o som de explosões e tiros ecoava ao fundo. O chão parecia tremer com a intensidade dos impactos, e o perigo estava mais perto do que nunca.
—
Enquanto avançavam pelos túneis, Elias não conseguia deixar de sentir a gravidade da situação. Eles estavam enfrentando uma guerra que não escolhiam lutar, uma batalha para proteger algo tão intangível quanto o próprio futuro. As escolhas estavam sendo feitas a cada segundo. E agora, mais do que nunca, o peso de cada decisão era claro.
Elias se voltou para Caio, que estava à frente, com os olhos fixos no caminho.
— Você sabe o que fazer, certo? — Elias perguntou, sua voz mais tensa do que o habitual.
Caio olhou para ele e, com um sorriso ligeiramente tenso, respondeu.
— Sim, pai. Nós vamos conseguir.
A dúvida que Elias sentia foi substituída por uma confiança renovada. Se Caio estava ao seu lado, não havia limites para o que poderiam alcançar. Eles ainda tinham uma chance.