Nanica!

4804 Words
"Um dia r**m, sempre pode ficar pior." [...] — Onde você se meteu, sua irresponsável? — Alberto, dono da confeitaria, berrou assim que viu Valentina passar pelas portas do estabelecimento. — O cliente ligou aborrecido porque o bolo não tinha sido entregue, sendo que a responsável pela entrega dele já tinha saído há mais de meia hora daqui, percurso que você faria em quinze minutos. — Reclamou. — Aconteceu um acidente. — Valentina disse, tentando não ficar nervosa, mas por dentro ela estava em pânico, perder aquele emprego era como ir morar na rua. Luzia encarou a jovem que entendeu o que aquele olhar significava. — Eu estava atravessando a rua, um rapaz não viu que o sinal estava fechado, ele se assustou, eu também me assustei e acabei derrubando o bolo e ele também caiu. Mas não tivemos culpa, foi um acidente que poderia ter acontecido com qualquer pessoa e até mesmo custando nossas vidas. — Toda suja de bolo e com a voz embargada ela explicou. — Pode descontar o valor do bolo do meu salário, eu também pedirei desculpas ao cliente pessoalmente, mas por favor, não me demita. — pediu em súplica. — Mas é claro que eu irei descontar do seu salário, mas não posso atender seu último pedido. Não suporto erros, e você, senhorita Nunes é o desastre em pessoa. Passe aqui amanhã para que possamos acertar suas contas. Agora por favor, pegue suas coisas e saia da confeitaria, não quero espantar os clientes com você toda suja no meio do meu estabelecimento. — Sem nenhum remorso, o homem virou-se, dando as costas para a mulher que deixava as lágrimas rolarem por sua face amendoada e suja de cobertura de bolo. — Por favor, não me demita, eu não posso perder esse emprego. Eu tenho duas irmãs para criar, elas necessitam de mim e eu desse emprego. Será muito difícil encontrar outro trabalho. — Correu atrás do homem e segurou seu braço. — Me larga sua louca, não ver que está me sujando? — Sacudiu o braço com força, fazendo com que Valentina se desequilibrasse e caísse no chão, próximo ao balcão onde Luzia assistia a tudo com uma certa satisfação. Aquilo tudo levaria a saída de Valentina e suas irmãs de sua casa. Luzia nunca gostou da ideia de ter três pessoas a mais vivendo em sua casa e só estava fazendo aquilo porque foi pedido do seu irmão, mas antes das irmãs Nunes chegarem no Rio de Janeiro, ela traçou regras e uma delas era sempre ter um emprego para poder ajudar nas despesas de casa, pois ela não iria sustentar três bocas com seu próprio suor, muito menos o seu marido que fora totalmente contra o acolhimento das garotas. Sentindo suas costas doerem, ela só conseguiu ver a imagem do culpado de tudo aquilo que estava acontecendo, seu pai. Mentalmente ela o xingou, toda humilhação em sua vida e inclusive a morte de sua mãe começou quando ele negou a família e acreditou em boatos sem fundamentos, sem ter nenhuma explicação para o que haviam lhe dito. O homem não se importou se Valentina tinha se machucado, apenas se retirou, deixando-a caída no mesmo lugar. — Você sabe o que isso significa, não é? — Luzia falou do caixa. — Você tem dois dias para arrumar outro lugar e sair lá de casa. Você sabia das regras, sabia sobre quais condições você e suas irmãs podiam ficar na minha casa, porém não conseguiu nem mesmo segurar um emprego, e sem emprego, sem casa. — Avisou sem se importar com o que Valentina estava passando. Valentina sempre soube que sua estadia na casa de Luzia não era aceita de bom grado por ela e por Bento, por isso não retrucou, ela procuraria outro lugar para ficar com as pequenas, mas não ia se humilhar aquela mulher amarga e c***l que mantinha seu nariz empinado e a cara de satisfação por Tina ter sido demitida. Tina prometeu para si mesma que ninguém mais iria a humilhar, ela não correria mais atrás daquele emprego e muito menos iria implorar para ficar na casa de Luzia. Ela estava cansada de viver trancafiada dentro de um quarto com suas irmãs, pedindo que elas não fizessem barulho para não incomodar Luzia e Bento. Assim como Alberto pediu, ela fez, e em menos de quinze minutos ela já estava indo para casa. Valentina não perderia tempo. Quando chegou em casa colocou uma roupa limpa, fez um currículo rápido e imprimiu algumas cópias. Ela tinha um pouco de dinheiro na conta, o qual ela conseguiu com a venda das jóias de sua mãe e as dela também, além de sempre depositar um pouco do seu salário. Naquela tarde ela deixaria alguns currículos em confeitarias que ela conhecia e depois procuraria uma casinha para alugar e morar com suas irmãs. Dias difíceis esperavam pela jovem que faria qualquer coisa para ver suas irmãs bem. Longe dali, numa mansão milionária, um homem furioso adentrava a sala cheia de parentes que estavam à sua espera. A família Choi o esperava para a leitura do testamento de seu avô, que faleceu há dois meses. — Edu, o que aconteceu com você? — Uma jovem surpresa perguntou. — Um pequeno acidente, vou subir e me limpar. — Disse, sem olhar em volta, onde todos tinham sua atenção voltada para ele. — Como assim um pequeno acidente, Eduardo? Você qualquer dia desses vai me matar de preocupação. — Uma voz ressoou chamando a atenção de Eduardo que já estava sem sua camisa. Só assim ele percebeu que estava cercado de seus familiares e dois homens vestidos de terno e gravata. — Oi família! Senhores, desculpem o atraso, mas é que eu acabei me envolvendo em um pequeno acidente de trânsito e terminei assim, cheio de bolo. E mamãe, não seja dramática, dessa vez eu estou bem. — Com um sorriso encantador explicou o porquê de chegar naquela situação. — Mais um acidente para sua coleção, não é Eduardo. Quando você vai tomar juízo? — Papai, dessa vez eu não tive culpa, eu até vinha bem devagar, se estivesse em alta velocidade, vocês agora estariam preparando o meu velório. — Brincou e então seus olhos encontraram aquele que era seu rival na empresa da família Choi. — O que esse cara está fazendo aqui? — Perguntou ao seu pai, nervoso. — Caso não lembre, eu também sou neto, priminho. — Eriberto falou com todo seu deboche e egocentrismo. — Meu falecido esposo era filho dessa família também, Eduardo. Ele também tem direito na herança e fomos chamados para a leitura do testamento, por mais que você não goste, somos seus familiares também. — Sônia se pronunciou. — O filho que deu as costas para a família quando soube que era adotado e só voltou anos depois, quando os negócios da família estavam crescendo e o vovô se tornando um dos empresários mais rico do Brasil e da Ásia, trazendo você uma gastadeira, um filho irresponsável e dívidas para o vovô e o papai pagar. — Eduardo lembrou tudo o que o seu tio fez antes de morrer. — Olha quem fala, você pode até ser bom com os negócios da família, mas já se envolveu em muitos escândalos. — Eriberto alfinetou. — Mas sempre assumi meus erros, nunca me escondi debaixo das saias da vovó, nem da mamãe. — Eduardo disse aquilo que era a mais pura verdade. — Já chega, não quero discussões na minha casa, respeitem a memória do meu falecido esposo. E você Eduardo, trate de subir e se limpar, ainda tem roupas suas aqui em casa, já estamos atrasados e os advogados têm horários a cumprir. — Aika, a anfitriã, viúva e avó retrucou fazendo todos ficarem quietos. — Está bem, vovó. Em menos de dez minutos eu volto. — Eduardo subiu as escadas que davam acesso ao andar de cima da mansão e Luciana, sua irmã subiu em seu encalço. Luciana acompanhou o irmão. Eduardo era o mais velho e ela era mais nova que ele, os dois eram muito apegados e dividiam segredos. — Você viu como a vovó protege o babaca do Eriberto? — O rapaz perguntou à irmã quando os dois entraram no quarto. — A vovó defende todos os seus netos, Eduardo. E concordo com ela, vocês tem que respeitar a memória do vovô e parar com essas brigas quando se encontram. A vovó já está numa idade avançada também, e precisa de paz e não de dois netos batendo boca na frente dela e ela tendo que fazê-los parar. — Luciana era calma e não apoiava a impaciência do irmão. — Não dá pra olhar para cara do Eriberto e não falar nada, ele está aprontando na empresa e só eu conheço o maldito. Vocês acabam passando a mão na cabeça dele e acham que eu que implico com ele, mas não é. — Disse aparecendo de cueca no quarto. — Credo Eduardo, me poupe da sua nudez, vista-se logo. — A jovem disse virando o rosto. — Não estou nu, estou de cueca. — Disse pegando uma bermuda e uma camiseta. — Deixando sua b***a branca de lado e o i*****l do Eriberto, me fala, como foi esse acidente seu? — Luciana perguntou sobre o que a levou até ali. — Eu sabia que você estava louca para saber o que aconteceu para eu ter chegado assim, sujo de bolo. — Ele riu com a careta que sua irmã fez por ele ter acertado o motivo dela estar ali. — Já te conto. Eduardo entrou no banheiro e tomou uma chuveirada rápido. Saindo logo, foi até onde sua irmã estava terminando de secar os cabelos. — Tive a má sorte de trombar com uma nanica com um bolo gigante no semáforo, aquele perto da empresa. — Começou e Luciana era pura atenção com o irmão. Enquanto terminava de se vestir, ele resumiu o que tinha acontecido. Luciana fez um curativo rápido no ferimento do irmão e ele fez questão de guardar o lenço que Valentina usou em seu machucado num saquinho preto e colocou em seu bolso. — Mas, Edu, essa garota vai perder o emprego, disso eu não tenho nenhuma dúvida. Agora estou com pena dela, um bolo normal é fácil de conseguir agora um temático e grande não é. — Disse Luciana, saindo do quarto acompanhando o irmão. — Eu sei que vai, principalmente por conhecer como são as pessoas no nosso país, e se ela for funcionária de alguma daquelas confeitarias ali do centro, próximo a empresa, aí é que a demissão dela vai ser certa. — Concluiu. — E acho que ela cuida de uma irmã pequena, ela tinha um lenço com ela, o qual, ela usou em mim. — Falou descendo as escadas. — Se quiser posso pesquisar sobre a garota e ver se ela foi demitida e se podemos ajudar em alguma coisa? — Luciana se propôs a ajudar. — Como ela se chama? — Perguntou. — Não sei, ela não me falou o nome dela, mas só tem três confeitarias próximas a empresa, era um bolo do capitão América, hoje é feriado de natal, então vai ser fácil encontrar a garota com essas informações. — Disse. — Amanhã eu irei procurar a tal garota. — Disse e deu uma piscadela para o irmão, indo sentar-se ao lado de seu pai. — Conseguiu descobrir alguma coisa? — Perguntou o pai de Eduardo. — Sim, depois eu conto tudo ao senhor. — Luciana disse. Tudo que Luciana queria saber foi a mando do seu pai, apesar de ser a confidente de Eduardo, ela não escondia certas coisas de seu pai, quando essas coisas trariam possíveis problemas para a família Choi. E antes mesmo de chegar na casa de sua avó, Arthur já sabia o motivo da demora de seu filho. — Já que o senhor Eduardo chegou, podemos começar com a leitura do testamento, ou melhor com a apresentação do vídeo deixado pelo senhor Haneul Choi. — Disse Orlando, o advogado da família há anos que estava acompanhado por um representante do cartório, que oficializaram as assinaturas dos herdeiros. A família de Eduardo tinha ascendência coreana e japonesa, sendo seu avô nativo da Coreia do Sul e sua avó nativa do Japão. Que escolheram o Brasil um dos países para expandir seus negócios, assim o seu pai que nasceu em terras brasileiras também casou-se com uma mulher brasileira, a encantadora Cecília Bitencourt. Eduardo tinha mais dois irmãos, além de Luciana, os gêmeos Gabriel e Gabriela, com quinze anos. Orlando deu play no vídeo e o rosto daquele que não estava mais entre seus familiares, encheu a tela da televisão. A aparência já cansada e as marcas da idade eram nítidas na face do homem. Sua viúva se emocionou quando viu o homem que viveu mais de Cinquenta anos ao seu lado. — Oi, meus queridos filhos, netos e meu eterno amor. Quando estiverem todos reunidos vendo este vídeo, com certeza não estarei mais entre vocês. Como vocês sabem eu construí um império no ramo da moda e da beleza, consegui unir duas grandes potências no ramo dos negócios: Roupas e cosméticos. Pois, hoje todo mundo precisa disso, independente de ser alguém vaidoso ou não. Eu sei que o Arthur em breve irá se aposentar e gerar duas empresas não é fácil. A Dália cosméticos eu deixarei sobre a administração da minha querida Luciana, talvez você, minha neta, acreditava que eu não achava que você tinha talento e que era capaz de administrar uma empresa e gerenciar uma equipe, mas eu sempre acreditei no seu potencial e sabia que se tornara uma grande e talentosa profissional. — Eriberto fez cara feia para a prima que estava emocionada com a revelação do avô. — Sobre a TY Fashion, tanto no Rio de Janeiro como na Ásia, ficará na responsabilidade do meu neto Eduardo, ele sucederá o Arthur. O Eduardo já se demonstrou um grande profissional e aprendeu muito com o pai, tenho certeza que ele fará um ótimo trabalho como eu e o pai dele. O Eriberto continuará como diretor de recursos humanos. — Eriberto e Sônia bufaram em negação. — Continuando, eu fiz grandes negócios, comprei vários imóveis, onde parte deles são alugados e estão sob administração do Arthur e quero que continuem com ele, assim como quinze por cento dos lucros da Dália cosméticos. Cada um dos meus netos receberão uma chave de uma casa, a qual vocês decidem o que fazer. Gabriel e Gabriela podem fazer o que quiserem apenas quando completarem a maioridade, aos dois deixei uma mesada que será depositada todo mês em suas contas. As minhas noras, que estiveram todos esses anos ao lado dos meus filhos, deixei um apartamento no mesmo valor e no mesmo condomínio. Todos os meus outros bens, como: a casa que sempre moramos no Brasil, a do Japão e Coreia do Sul, quanto aos automóveis e vinte e cinco por cento dos lucros das empresas, ficam para minha esposa, Aika. — A mulher estava emocionada e segurava a mão de seu filho Arthur. — Bom, agora para que a TY Fashion continue com a família Choi e o Eduardo como presidente dela, eu deixo meu último pedido e condição. Para que o Eduardo assuma de vez a presidência da empresa, ele terá que se casar em até dois meses após a leitura do testamento… — É o que? — Gritou Eduardo. — Escuta até o final, filho. — Cecília acalmou seu primogênito. — Caso isso não aconteça, a TY Fashion irá à leilão e a renda arrecadada será doada para instituições de caridades. — Todos assistiam o vídeo incrédulos. — Por que essa condição? Bem, se trata da cultura da minha família, o homem só está preparado para dirigir bem um negócio quando tem bons resultados em casa, ou seja é um bom marido e pai, e principalmente quando se tem uma boa companheira, confidente, amante e amiga ao seu lado. Essa condição não vale para a Luciana, pois na família ela será a primeira mulher a dirigir uma empresa e eu sei o tamanho da responsabilidade da minha neta e o quão pé no chão ela é, sempre foi sensata e nunca deixou se enganar por conversa de ninguém, e espero que ela tenha sucesso nessa vida dos negócios. Eduardo, não sinta raiva de mim, no futuro você entenderá o que isso significa. Porém, cuidado com a mulher que escolherá para ter ao seu lado, essa mulher precisa ser uma pessoa íntegra, confiável, responsável, inteligente e que tenha gosto pelo trabalho, quando eu falo isso eu não estou me reverendo aos jovens que você conhece. Essas só sabem gastar o dinheiro dos seus pais sem saber como foi difícil ser adquirido, seu pai e sua saberá quem é a mulher certa para ocupar o cargo de sua esposa e carregar nosso sobrenome. — Suspirou. — Então, era isso que eu tinha para dizer a todos, é chegada a hora de me despedir, mais uma vez. Não sintam raiva se o que eu fiz não superou a expectativa de vocês, foi o que pude fazer e o que eu achei que era certo. Permitam-se viver intensamente, abracem quem amam como se fosse o último abraço, nunca deixem de dizer o que sentem e pensam, amem como se não houvesse amanhã e lembrem-se de mim com amor e carinho pois foi com esse sentimento que sempre pensei em vocês. Adeus e sejam felizes. Amo vocês! — E com um sorriso nos lábios o vídeo assim encerrou. — Estou com todos os documentos e cópias do testamento em vídeo e impressos, cada um de vocês receberão uma cópia, além das escrituras das casas e apartamentos. Já está tudo certo, é só assinarem e é de vocês. — Disse Orlando para a família que tentavam processar aquela última vontade do homem. — Eu quero tudo que é meu e da mamãe agora. — O ambicioso Eriberto levantou-se indo até o advogado. Os seus primos reviraram os olhos em desprezo. Todos ali sabiam o quão egoísta e ambicioso Eriberto era, e assim como seu pai, apenas os lucros da empresa e o sobrenome famoso da família o interessava, o que não era diferente de Sônia, que dividia os mesmos sentimentos do filho e do esposo. — Você sabia disso, vovó? — Eduardo a questionou sobre a condição do avô. — Não meu filho, estou tão surpresa quanto você. Eu não pensei que ele usaria essa condição da cultura da nossa família com você, afinal, você cresceu longe de todos os costumes coreanos e j*******s. Sempre deixamos que vocês, nossos netos, crescessem seguindo a cultura brasileira para que não sofressem com brincadeiras de m*l gosto pelas pessoas. — Disse calmamente Aika, uma japonesa que fugiu de casa para viver seu primeiro e único grande amor. — E você não pode mudar isso, vovó? — Luciana indagou segurando a pasta com os documentos que o advogado acabara de lhe entregar. — Infelizmente não, querida. É a vontade de seu avô, está registrado em cartório, só ele poderia mudar isso, e sabemos que não tem como isso acontecer. O Eduardo terá que seguir essa exigência do Haneul, ou seu futuro é o futuro de muitos funcionários estará comprometido. — Continuou a mais velha. — Pois bem, eu não sei se serei capaz de casar assim, do nada, tão rápido. Sem falar que eu ainda sou jovem. — Retrucou Eduardo bagunçando seus fios negros que voltaram para o mesmo lugar, ficando impecavelmente arrumados. — Você já tem vinte e nove anos, Eduardo. Já está na idade para casar e sossegar, não ficar brincando de adolescente em noitadas pelas boates e ruas cariocas. — Cecília disse com um tom de repreensão ao filho. — Eu pretendia casar depois dos trinta e cinco anos, ainda tenho muito o que curtir da vida. — Continuou. — Você já curtiu o suficiente, já estou cansado de ter que correr atrás de jornalistas para impedir que publiquem escândalos sobre suas aventuras. Se fosse tão responsável na sua vida pessoal quanto é na profissional, já teria encontrado uma boa mulher e agora poderia até já estar casado. — Arthur falou colocando as mãos nos bolsos de sua calça. — O papai não exerceu essa condição comigo, porque na sua idade, eu assumi a presidência da empresa porque já estava noivo de sua mãe. Casamos e um ano depois tivemos você. — Revelou e Eduardo suspirou, sabendo que tinha um grande desafio pela frente. — Talvez não seja difícil encontrar alguém para casar, afinal, estamos falando do herdeiro e futuro presidente da segunda maior fortuna do Brasil. — sorriu com sua própria fala. — Aí é que você se engana, não vai ser com esse tipo de argumento que irá conseguir alguém. Na família não entrará nenhuma interesseira, só casará com uma moça que tenha a nossa aprovação. — Arthur informou, fazendo o filho bufar de raiva. — Então que comece a busca pela noiva perfeita. Se ferrou irmão. — Brincou Gabriel. — Boa sorte, Edu! — Desejou Gabriela. [...] — Velho desgraçado! — esbravejou Eriberto após cruzar as portas da mansão de seu avô. — A melhor parte ficaram com os seus netinhos queridos, a sonsa da Luciana nunca vai conseguir administrar aquela empresa, mamãe. Eu deveria ter ficado no lugar dela, afinal eu sou o segundo neto homem daquele velho. — Entrou no carro com a mãe. — O seu avô sempre deixou bem claro que não gostava de você e do seu pai. Os melhores cargos na empresa sempre foram para o Arthur e sua família. Estou curiosa para ver o tal apartamento que ele deixou para mim e ainda é igual ao da i****a da Cecília. — Xingou Sônia com raiva. Haneul tinha o mesmo carinho por todos seus netos, porém Eriberto sempre foi um libertino que levava a vida a gastar e dar desfalques na empresa, assim como seu pai e não demonstravam interesse por seus respectivos trabalhos. Eduardo também gostava de curtir a vida e até se envolver em alguns escândalos, porém todos os erros fora da empresa eram supridos por uma boa conduta no ambiente de trabalho. E o seu avô deu-lhes os cargos conforme suas especializações. Nem Eriberto, nem seu pai Anthony, eram capazes de presidir uma empresa do porte da TY Fashion. Mas seus cargos não eram ruins, eram cargos bastante importantes na empresa e eles eram bem pagos por eles, porém pai e filho não queriam crescer e conseguir uma posição maior na empresa, eles queriam ir ao topo sem nenhum esforço, apenas por serem filho e neto do dono. Tanto Eduardo como Luciana, estudaram bastante para chegar a ter bons cargos na empresa. Luciana começou como assistente da assistente do seu avô, quando começou a estagiar na empresa aos dezesseis anos, tendo como sua obrigação organizar documentos e anotar recados, mas isso lhe deu experiência e a fez crescer na Dália Cosméticos. Com Eduardo também não foi diferente, começou na empresa desde cedo, ao lado do pai, no começo ele apenas observava o trabalho do pai, acompanhava ele em reuniões importantes, foi seguindo o exemplo do pai que se tornou tão bom quanto ele. Gabriel e Gabriela seguiam os mesmos passos dos irmãos, e sempre foi o sonho de todos trabalharem na empresa da família. Gabriel era tímido e pretendia estudar cosmetologia, apaixonado por cuidados com a pele ele já sabia bem o que queria no futuro. Já Gabriela era apaixonada por moda e adorava criar peças novas e customizar as suas, além de ter uma página em suas redes sociais onde dava dicas de como se vestir e seguir a moda de acordo com seu estilo. — Então é isso, eu terei que me casar para garantir o bem estar de toda a família? — Eduardo ainda não acreditava que precisava se unir em um enlace matrimonial para poder assumir a empresa que ele ajudava a manter de pé. — O casamento não é tão r**m assim, filho. — disse Cecília entrando no carro com o filho e o marido. — Você que diz, mamãe. Mas vejam só, eu não tenho nem namorada, como você acha que isso vai acontecer em dois meses? Claro, em um passe de mágica minha noiva cairá em meus braços. — Disse irritado. — Talvez não seja tão difícil assim como você pensa. Não faça uma tempestade em copo d'água. Talvez hoje você esteja irritado com as condições do seu avô, mas quem sabe em pouco tempo estará o agradecendo por isso. — Arthur disse tentando acalmar o filho. — Ai papai, acho que o senhor assistiu muitos filmes de romance com as minhas irmãs. Não estamos vivendo uma ficção e sim vida real, aqui as coisas acontecem de forma bem diferente. — Cruzou os braços olhando para a janela do carro com as orelhas vermelhas de raiva que ficara. — Suas irmãs nunca gostaram de filmes de romance, Edu! — Gargalhou Arthur. — Deixe isso comigo e com a sua mãe, nós encontraremos a moça perfeita. — Confessou Arthur com um sorriso divertido nos lábios. — O que? Vão arrumar uma noiva de contrato para mim? Acham que estamos em que século? — Vociferou irritado. — É isso ou dar adeus a tudo que temos. — Começou. — Eduardo, eu tinha quase certeza que o papai usaria isso com você, no dia do meu casamento com a sua mãe, ele confessou que não fizera isso comigo porque sabia que a Cecília e eu nos amávamos e que ela não era uma interesseira oportunista. — Continuou. — Por isso, nesse último mês eu fui esperto e dei a entender à minha mãe que você estava em um relacionamento com uma moça de outra cidade. — Arthur m*l terminou de falar e sentiu seus tímpanos doerem com o grito do filho. — Você fez o que papai? — Eduardo estava se sentindo um homem do século passado, onde seus casamento eram feitos a base de arranjos entre famílias. — O que você ouviu, Eduardo. Como acha que poderá sobreviver se a empresa realmente for a leilão? — Arthur tocou onde doía em todas da sua família, a conta bancária. — Sabe que a mamãe não apoiaria um casamento arranjado, por isso inventei essa história de namoro ou dê adeus a tudo que tem. — Eduardo massageou as têmporas, toda aquela conversa estava o deixando irritado. Não que eles fossem pessoas doentes por dinheiro, isso não. Porém nasceram em meio à riqueza e ao luxo e viver fora daquilo não passava pela cabeça deles. E Arthur sabia que o filho não se negaria a fazer isso por seus familiares. — Esse natal com certeza será lembrado por mim como o pior de todos. — Assegurou fechando os olhos, jogando sua cabeça para trás. — Papai pode me deixar no meu apartamento? Vou tentar dormir o resto do dia e rezar para que isso seja apenas um sonho, um sonho r**m por sinal. — Infelizmente não é, meu amor. Mas você vai tirar isso de letra, tenho certeza. — Cecília acariciou as mãos do filho e ele lhe devolveu o carinho com um sorriso singelo. — Chegamos Eduardo. Reflita sobre e tome uma decisão rápida, nos vemos amanhã na empresa. — Disse Arthur, pressionando um pouco o filho. — Está bem, papai. Até amanhã. — Saiu do carro batendo a porta com força e sem olhar para trás, entrou no condomínio. Aquilo foi um baque para Eduardo, sua liberdade estava com os dias contados. Mas talvez não fosse assim tão r**m como Eduardo achava que seria. Teria que dar adeus a muitas coisas, principalmente as noitadas com os amigos e principalmente seu hobby preferido: o exibicionismo e apostas com motocicletas que ele participava. Eduardo colecionava algumas cicatrizes dessas suas aventuras noturnas, causadas por pequenos acidentes. Entrou no elevador, discando o vigésimo quarto andar, onde ficava seu apartamento. Quando entrou em casa jogou sobre o aparador o molho de chaves que trazia consigo. Se direcionou até o seu quarto jogando-se naquela imensa cama. Sentiu o volume do lenço em seu bolso, o retirou e encarou aquele pedaço de tecido. — Sua nanica, você não sabe o tamanho do prejuízo que me causara. E eu? Qual foi o tamanho do prejuízo que te causei? Será que minha distração custou-lhe seu emprego? — Com aquela dúvida e várias sem respostas, Eduardo ficou a olhar o tecido de cor delicada e fofo. O destino era traiçoeiro, mas, por vezes era bem amigável e coloca pessoas em nossos caminhos que podem se tornar nossa salvação, contudo, como disse anteriormente o destino é traiçoeiro, e assim como a nossa salvação pode cruzar nossos caminhos, a desgraça também é capaz de fazer o mesmo.
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