Um dia r**m.

3759 Words
"Nem tudo tem conserto, inclusive um bolo destruído." Valentina, como todos os dias, acordou com o primeiro raio de sol. Tomou banho, escovou os dentes e correu para a cozinha preparar o café da manhã de todos. Violeta sempre acordava junto da irmã, mas a sua tarefa matinal era limpar o quarto delas e arrumar Vitória para a creche. Pelo menos Valentina não precisava se preocupar com mais essa tarefa diária. Depois de deixar tudo pronto, ela levava o café de suas irmãs e tomava no quarto mesmo. Porém o destino das irmãs mais jovens era a casa da dona Marieta, que ficava com as garotas durante as férias e feriados que a Valentina precisava trabalhar, e o feriado de Natal era um deles, a confeitaria recebia muitos pedidos e por isso tinham que trabalhar nessa data. Bento não tinha sido a favor de abrigar as irmãs em sua casa, porém Luzia tinha dívidas com seu irmão, por isso não lhe negou esse favor. Mas sobre a condição de que ajudariam nas despesas da casa e com seus afazeres diários, e assim Valentina se desdobrava com todas aquelas responsabilidades, não sobrando tempo para ela. Valentina não tinha vida social e nem mesmo podia cursar uma faculdade desistindo do seu sonho de estudar moda. Namorar? Ela já tinha desistido disso há muito tempo, e não pensava em relacionamentos, não queria se machucar novamente. — Tina, no domingo podemos ir ao parque, nem que seja para andarmos apenas, não aguento ficar mais em casa, e muito menos escutar o senhor Bento resmungando pelos cantos. — Vou pensar no seu caso — ela riu. — Mas se desejar pode ir passar o dia com a Bruna, vocês são tão amigas. — Sugeriu a casa da amiga da irmã. — A Bruninha vai viajar com os pais, vão aproveitar o feriado e viajar para a casa dos avós dela, no interior. — Disse. — E eu e a Bruna nem estamos tão unidas ultimamente. — deu de ombros. — Porque? Vocês brigaram? — Valentina preocupou-se. — Não, ela só encontrou uma companhia melhor que a minha. — Explicou olhando para os dois lados da rua para poder atravessar. — Companhia melhor que a sua? Como assim, porquinho? Eu não entendi. — Voltou a questionar a irmã. — A Bruninha está namorando, Tina. Ela só anda com o namorado para cima e para baixo. — Revelou para a irmã o motivo de não estar mais tão próxima da colega de escola. — Mas a Bruninha é só uma criança, Violeta? Você é uma criança. — Valentina assustou-se com o que sua irmã acabara de lhe revelar. — Você não tem namorado, não é? Ou tem? Não me esconda nada? — Violeta sabia que podia contar com sua irmã sempre, e se um dia tivesse interesse em algum rapaz, ela seria a primeira a saber. — Ela não é uma criança, maninha. A Bruna como todos os outros alunos da minha turma são maiores de quinze anos, eu sou a mais jovem — lembrou — E não, eu não estou namorando, nem penso nisso. Quando isso acontecer você será a primeira a saber, não irei esconder nada de você. — Eu esqueci que minha irmã é uma garota muito inteligente e que avançou dois anos. — Se gabou pela irmã. — A mamãe deve estar muito orgulhosa de você, pelo menos uma de nós está dando orgulho a ela. — Falou quando chegaram em frente a casa da dona Marieta. — Ela também está orgulhosa de você, Tina. Veja o duro que você dá todos os dias para nos sustentar, para ter um lugar onde possamos passar todas as noites seguras. A mamãe está muito orgulhosa de você, disso tenho certeza. — Violeta disse pegando a mochila de sua irmã Vitória. Uma lágrima solitária escorreu do olho da jovem. — Tininha, não chora. Vai ficar feia se chorar. — Vitória disse, secando as lágrimas da irmã. — A Vitória tem razão, não chora pra não ficar feia. — Violeta riu e tocou a campainha. — Comportem-se e qualquer coisa me liguem, estarei com o celular próximo de mim. — Disse despedindo-se das irmãs. — Bom dia, dona Marieta. — Violeta cumprimentou a mulher. — Bom dia, minhas lindas. Já estava com saudades de vocês. — Disse alegremente. — Elas só falam na senhora, dona Marieta. — Disse Valentina. — Como está sua mãe? — Perguntou. — A mamãe continua na mesma, já estamos nos preparando para o que pode vir. — Lamentou a mulher que tinha a mesma aparência de cansaço de Valentina. — Eu sinto muito, senhora. — Disse. — Vocês colaborem com a dona Marieta, a mamãe dela precisa de descanso e conforto. — Orientou suas irmãs. — Quanto a isso não precisa se preocupar, a mamãe adora as meninas e adora assistir filmes de princesas com elas. E ama quando a Violeta lê romances de época para ela. Sempre diz que essas histórias a fazem lembrar do seu passado. — Disse a mulher mais velha emocionada. — Fico feliz em saber que minhas irmãs estão colaborando para que a sua mãe tenha momentos de descontração. — sentiu uma felicidade em seu coração, por saber que suas irmãs tão jovens já ajudavam outras pessoas. — Agora sim eu preciso ir, nos vemos mais tarde. — Beijou a bochecha de suas irmãs e saiu, rumo ao seu trabalho. — Tchau Valentina, tenha um ótimo dia de trabalho. — Disse Marieta, entrando em sua casa com as pequenas. Valentina colocou seus fones de ouvidos, colocando suas velhas músicas que lhe faziam tão bem. Uma playlist bem variada, ela não tinha um estilo de música definido, por isso nos seus fones tocava músicas que agradariam qualquer pessoa que desejasse dividir o fone dela com ela. A jovem cumprimentava os outros comerciantes que abriram seus comércios naquele feriado. Valentina era conhecida por todos, por sempre fazer as entregas de pedidos de lanches desses comerciantes. Assim como em Rosa Branca, ela tinha feito bons colegas, não os chamava de amigos, pois não confiava em ninguém, já confiou bastante nas pessoas, mas todas que ela depositou sua confiança a trairam da pior forma. — Bom dia, Luzia. Bom dia, Caio. — Cumprimentou seus colegas de trabalho e também a mulher que dividia a mesma casa. — Bom dia, Tina, não a vi quando saiu de casa hoje. — Luzia falou. — Sai cedo para deixar as meninas na casa da dona Marieta. Acho que você ainda estava no quarto. — explicou. — Talvez. — Luzia deu de ombros encerrando o assunto. — O Felipe não pôde vir hoje, então a entrega do bolo de aniversário do senhor César terá que ser entregue por você, acha que consegue? — Perguntou, limpando seu espaço de trabalho, o caixa da confeitaria. — Claro que sim, eu vou ajudar a Isabela terminar de confeitar o bolo e assim que terminar eu farei a entrega. — Disse indo em direção a cozinha da confeitaria. — Nossa, Isabela. Ficou incrível! O filho do senhor César vai adorar. — Afirmou entrando na cozinha vendo o bolo de dois andares em azul vermelho, no seu topo o escudo do capitão América, herói favorito do garotinho que iria completar sete anos. — Sim, ficou muito lindo, valeu todo o esforço para terminá-lo. — a confeitaria chefe concluiu. — Eu que irei fazer a entrega dele, o Felipe não veio hoje. — Avisou. — O que aconteceu com o Felipe? — Isabela indagou dando os últimos toques no bolo. — Eles não me falaram, mas acredito que seja o seu problema de rinite, quando ele tem crise, o coitado fica muito m*l. E esse clima louco que estamos enfrentando. Um dia está quente, no outro gelado, outro fica úmido e nublado, vai entender. Tudo isso prejudica nossa saúde, principalmente quem tem problemas respiratórios. — Continuou. — Você e ele não deu certo? — Perguntou. — Ele parece gostar muito de você. — É a mesma história de sempre, Isa. Eu não tenho tempo para romances, ele até já me acompanhou até em casa algumas vezes, trocamos alguns beijos, mas nada sério, e nunca passou disso. — Suspirou. — O Felipe é lindo, gentil, simpático, carinhoso. Mas infelizmente nunca vamos dar certo, ele é romântico, quer casar, ter filhos, uma família tradicional e completa. E eu não procuro isso mais, tenho duas grandes responsabilidades e não é todo homem que vai aceitar isso e o Felipe é um deles. — Explicou. — Você não pode dizer que nunca mais vai amar, Valentina. Você é jovem, bonita, talentosa, inteligente, uma mulher incrível cheia de qualidades, logo vai encontrar alguém que aceite você e suas irmãs, e que você vai amar loucamente. — Valentina riu com o seu futuro idealizado pela sua colega de trabalho. — Isabela, não é apenas a questão que alguém tenha que me aceitar com as minhas irmãs, o problema sou eu. Deixei de acreditar no amor, ele não é mais prioridade na minha vida, na verdade ele não é nada para mim. Não quero me envolver com alguém e depois descobrir que era só uma farsa e me decepcionar mais uma vez. — Colocou o avental em volta da cintura e começou preparar a cobertura de alguns cupcakes. — Vai se tornar uma solteira, sozinha e solitária? — Perguntou. — Melhor que ao lado de uma pessoa que me use para conseguir o que é meu. — Respondeu lembrando de tudo que já passou. Valentina jamais esqueceria o seu passado. — Nem todo homem é o Rafael, Tina. Ainda existem homens bons, capazes de amar e ser verdadeiros com uma mulher, você não pode dizer que todos são assim. Ainda existem pessoas que prezam um amor verdadeiro. — Colocou os objetos sujos usados na decoração do bolo na pia. — E você? Fala tanto desse amor verdadeiro e até hoje ainda não arrumou ninguém. — Valentina tocou onde mais doía na colega de trabalho. — É diferente, Valentina. — Disse triste. — Claro que não é, Isabela. — retrucou — Meu noivo me amava, íamos nos casar. Não teve traição de nenhuma forma entre nós, ele não me tratava m*l e muito menos estava atrás de bens materiais meus, ele foi vítima de uma bala perdida, ele não me deixou por escolha sua, ele foi tirado de mim. — Para Isabela, ainda era triste falar sobre a morte de seu noivo. — Desculpe, não foi isso que eu quis dizer. Eu refiro ao fato de voltar a se apaixonar, dar mais uma chance ao amor. Você não se decepcionou com seu noivo, então acredito que você ainda acredite no amor, diferente de mim que não acredito que esse amor entre casais ainda exista. — Segurou a mão da colega. — Eu sinto como se estivesse traindo o Samuel. Sempre que olho para alguém, e vejo que a pessoa tem interesse em mim, eu vejo isso como uma traição. — Explicou o motivo de não tentar um novo relacionamento com alguém. — Mas você não está, e eu tenho certeza que o Samuel ficará feliz, onde ele esteja ele irá ficar feliz por saber que a mulher que ele morreu amando está feliz com alguém. — Falou desenformando os cupcakes começando a confeitá-los. — E o Luís? da floricultura ao lado, é apaixonadinho por você. — Disse Valentina rindo da carranca que se formou na cara da colega. — O Luís é mais velho que eu, é viúvo e tem uma filha de sete anos, não sei se conseguiria ficar com ele sabendo de tudo isso. — Disse. — Bom, idade não é problema quando se ama, a filha dele pode gostar de você, o que acho que isso acontecerá facilmente, já quanto a viuvez dele, veja isso como algo que vocês têm em comum, já conheceram a dor de perder um grande amor. — Argumentou finalizando a primeira bandeja de cupcakes. — Eu não sei, melhor eu ficar quietinha no meu canto, com as memórias lindas do meu eterno amor, Samuel. — Segurou a medalhinha que carregava em seu pescoço que foi dada pelo seu falecido noivo. — A conversa está ótima, porém deu sua hora, é melhor você ir levar esse bolo logo, melhor entregar um pouco adiantado da hora marcada. — Olhou para o relógio da cozinha, apressando a jovem. O bolo era pesado, apesar do seu tamanho ser pequeno. Valentina xingou mentalmente o Felipe por não ir ao trabalho naquele dia, e também ao seu patrão que não permitiu que ela fosse de táxi. Valentina tinha uma baixa estatura e o bolo ficava bem a sua frente, e aquilo dificultava sua locomoção. Ainda teria que atravessar a rua para chegar ao seu destino final. Por sorte o salão onde ocorreria a festa era próximo a confeitaria. — Esse sinal tinha que abrir logo agora? Já não sinto mais os meus braços. — A jovem reclamou, sem poder trocar de posição, já que o bolo necessitava que fosse carregado com as duas mãos. Ela esperou aqueles segundos passarem que pareciam mais uma eternidade. Quando ele fechou novamente, ela agradeceu colocando seus pés na faixa de pedestres. Ela não olhou para os lados como fazia sempre, e não viu que alguém vinha em sua direção, em uma potente H2R. Valentina assustou-se com o ronco do motor, assim como o piloto que conseguiu frear antes de se chocar contra Valentina. Porém o estrago estava feito, o piloto não conseguiu segurar o peso da moto, caindo em seguida. Valentina também não impediu que o bolo que ela carregava voasse de suas mãos e caísse destruído aos seus pés. Pelo menos ninguém se machucou, mas o jovem piloto levantou-se furioso indo até a moto, levantando ela com a ajuda de mais dois homens que passavam no momento. — Ei você, veja o que fez. Vai ter que arcar com o conserto da minha preciosa. — Caminhou a passos largos em direção de Valentina que tinha seus pulsos cerrados de raiva. Valentina virou-se com faísca de fogo saindo de seus olhos. O homem ainda tinha o capacete em sua cabeça. — Você é surda ou o que? Está vendo o tamanho do estrago que fez. — Olhou em direção à sua moto. — Porque você não cala essa sua boca, meu trabalho está destruído e isso aqui nenhum dinheiro conserta. — Falou baixo. — O que você disse? — Perguntou sem entender o que Valentina havia dito. — Tira esse capacete, se deseja falar comigo, tire antes esse negócio da sua cabeça. — Apontou o seu dedo em direção à cabeça do homem. Ele fez o que ela pediu, tirando o capacete que revelou seu rosto. Rosto esse que tinha sido bem agraciado com um grande punhado de beleza, o quão gentil fora a natureza por colocar tamanha beleza em apenas uma pessoa. Seus olhos pequenos denunciavam que ele não era brasileiro, mas sim um asiático. Porém ele falava muito bem o português. Talvez já morasse no Brasil há alguns anos? Valentina, mesmo muito furiosa e morrendo de medo de perder seu emprego, não deixou de reparar no quão lindo ele era. Sua pele era clara, seus cabelos negros como a noite, nariz pequeno com a pontinha arredondada, os lábios bem delineados formavam um pequeno biquinho quando falava. Apesar de não ter um corpo padrão, é considerado magro, suas bochechas eram rechonchudas que tinham uma coloração avermelhada devido sua raiva. — Você ouviu o que eu disse, garota? Você tem que pagar pelo conserto da minha moto. E já vou adiantando que não será barato. — o trânsito estava parado para ver a discussão dos dois. — Como pode exigir algo quando o único culpado disso acontecer foi você? — Gritou com o resto do bolo nas mãos. — Você atravessou a rua sem ser a hora certa. — Ele falou. — Não seu i****a, o sinal estava fechado, você que não respeitou a sinalização, e se você tivesse me atropelado? O que iria fazer? — Continuou. — Eu não fui culpado por nada, a única louca que atravessa a rua sem olhar para os lados é você. E não vai sair daqui sem pagar os danos dela. Não adianta ficar gritando aí que sou o culpado. — O homem estava irredutível e não assumia sua culpa. — Mas eu não vou mesmo, não sou eu a culpada. — Continuou firme. — O bolo que eu iria entregar está destruído e o dono dele esperava ansioso por ele. A essa hora o homem já deve ter ligado para o meu chefe que com certeza está querendo minha cabeça. Esse bolo que você destruiu não tem conserto e isso custará meu emprego. — Disse enfurecida. — Eu não tenho nada a ver com isso. Assim, você aprenderá a olhar para os dois lados da rua antes de atravessar, principalmente quando estiver à procura de um novo emprego. — O jovem estava conseguindo tirar Valentina do sério. — Você não vai pagar pelo bolo? — Perguntou tentando não demonstrar que sua vontade era voar no seu pescoço e forçá-lo a assumir a culpa. — Claro que não, você que me deve o conserto da minha moto e não eu a você. Prepare-se. — Cruzou os braços na altura do seu peito. — Então você não vai me pagar? Quer que eu pague o conserto desse trem aí? E ainda se diz inocente de tudo que aconteceu? — Ele assentiu. — Ótimo, então aqui está o meu pagamento. Valentina deixando toda sua raiva que ela tentou segurar vir à tona, pegou o resto do bolo que estava todo quebrado e jogou na cara do homem, sujando ele todo de glacê e recheio. Ela riu e as pessoas que passavam também. O homem ficou furioso. Tirou aquele amontoado de bolo do rosto. Vendo o sorriso de vitória no rosto da mulher, que apesar de tão pequena, era o verdadeiro d***o. Aproximou-se dela e retribuiu o que ela fez com ele, jogando de volta o bolo no rosto de Valentina. — Agora estamos quites. — Disse rindo dela também. — Seu i*****l. Espero que sua moto fure os dois pneus no seu caminho, seja lá para onde esteja indo. — Valentina disse saindo de perto dele. Não percebendo que um carro vinha em alta velocidade em direção dela. A jovem deu sorte que o homem que há pouco ela discutia, foi rápido a puxando de volta, impedindo um acidente. Mas não impediu que o impacto de seus corpos os levassem ao chão também. Valentina acabou colidindo seu nariz contra a testa do rapaz, machucando-o, logo o sinal de seu machucado começou a sair, o homem também tinha se machucado. O homem gemeu de dor, o sangue do nariz de Valentina caiu em sua camisa branca que já estava suja de bolo. — Você machucou seu nariz, está sangrando. — Disse encarando Valentina que estava atordoada com a dor. Ela saiu de cima dele, sentando-se no meio da rua. Os motoristas começaram a reclamar por aquilo. — Vem, vamos sair daqui. — Conduziu a jovem até a calçada do outro lado da rua. O rapaz podia até ter ficado com raiva por Valentina estar no seu caminho, mas ele não deixaria uma pessoa se machucar. O homem tinha seu lado generoso e humano. — Eu bati meu nariz em sua cabeça ou foi na sua testa? — Perguntou sentindo o líquido quente e vermelho escorrer por sua boca. — Em alguma parte do meu rosto, não sei bem onde. — Falou. — Você sabe que tudo isso é culpa sua, e cada vez só aumenta. — Mesmo sentindo dor a jovem não deixou de alfinetar o rapaz. Valentina sentou-se num banco que tinha ao lado de fora de uma loja. A jovem abriu sua bolsa, tirando uma toalhinha de ursinhos que sempre carregava para sua irmã Vitória. O homem riu daquilo. Também pegou uma bola de algodão para seu nariz. Ela limpou o sangue que escorria de seu nariz. — Está rindo do meu lencinho? Não é meu, é da minha irmã — explicou, para que ele não pensasse que ela ainda usava lenço de boca. — Me dá. — Estendeu o braço em direção do homem. — O quê? — Não entendeu o pedido da mulher. — Seu braço. — Puxou sem nenhuma delicadeza. Amarrando o lenço para que o sangue parasse de escorrer. — É melhor deixar sua cabeça erguida ou irá sangrar mais. Vou chamar um táxi e te levar para um hospital, será que quebrou seu nariz? — Disse preocupado. Mas a cara de Valentina não era uma das melhores. — Há poucos minutos estava exigindo que eu pagasse o conserto de sua moto, agora já está preocupado comigo. O que mudou? — Perguntou. — Está com medo que te denuncie por agressão? — Falou. — Mais um escândalo para meu currículo, nossa, isso seria ótimo. — resmungou. — O que eu vou falar para meu chefe? E o garotinho que esperava pelo seu bolo, vai me odiar pelo resto da vida dele. — Disse de olhos fechados e cabeça erguida. — Você devia ir lá naquele salão e explicar para o garoto que foi o culpado por destruir o bolo de aniversário dele. O homem fitou seu rosto sujo de glacê. — Eu não tenho culpa, ainda tinha carros passando no sinal, só os segui. Foi quando quase bati em você, não tenho culpa que você se assustou. — disse calmo. — E depois fiquei com medo de que fosse atropelada e algo r**m acontecesse com você quando estava discutindo comigo. — Falou. — Você é muito estressada, sabia? — Bipolar. — Valentina concluiu vendo a mudança de humor do rapaz. — O que disse? — Pela primeira vez olhou em seus olhos. — Você é bipolar, agora a pouco você estava furioso comigo gritando feito um louco, agora já está aí todo calmo, voz mansa e preocupado comigo. — Riu de uma forma estranha. — Só reforçando que não tenho dinheiro para pagar conserto de uma moto como a sua, a não ser que eu venda um rim. — Nem se vendesse todos seus órgãos. — Disse o homem sorrindo de lado, pela situação que os dois se encontravam. — Adeus. — Brava, Valentina levantou-se e deixou o homem sozinho. A forma como ele falou a magoou. — Volta aqui, garota. — gritou. — Você nem me disse seu nome. — disse, vendo a jovem desaparecer entre as outras pessoas
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD