E L E N A S T A R K
Assim que cruzamos a porta lateral da sala de coletiva, foram flashes e mais flashes, me cegando por um segundo. Eu estava me sentindo estranha, algo fervia dentro de mim.
Após um tempo, deixei Anthony e meus novos amigos conversando numa sala reservada, e corri para a primeira sacada que achei — que, por sinal, ficava no último andar. Tinha que passar por um amplo escritório, que tinha a foto de Pepper e Tony na mesa. Sorri pegando o porta-retratos e o coloquei no lugar, indo para a sacada.
Uau!
Dava pra ver Nova York inteira. Inclusive a Torre que danifiquei.
Ai, meu Deus!
Ainda tem isso.
Como eu saberei a hora certa de contar?
E se Anthony descobrir antes?
Ele pode ficar bravo por eu ter escondido, mas também pode ficar bravo por eu ser assim.
Como saber o que fazer?
De uma coisa, eu sei, hoje eu assumi meu posto. Hoje, mais do que nunca, me sinto a verdadeira herdeira de Tony Stark. Não dos bens materiais, mas sim do coração que ele carrega. Hoje, sou uma Stark de verdade. Sinto que não estou mais tão sozinha.
— Olha, você tá de parabéns. — ouvi a voz grave de Steve, e sorri me virando para ele, sentindo o vento bagunçar meus cabelos
— Obrigada, mas... — pensei — Pelo que?
— Pelo modo como lidou com tudo. Com os olhares, as críticas, as perguntas. Parece que alguém novo chegou. — ele me olhou e eu sorri fraco — Steve Rogers! — estendeu o braço para que eu apertasse sua mão. Eu ri
— Elena Stark. — apertei sua mão e senti um arrepio me atravessar, não sei se pelo contato ou por assumir meu nome paterno
— Você é muito madura, Elena. Está enfrentando tudo com muita sabedoria. — ele se pôs ao meu lado, observando Nova York, com suas mãos no bolso
— É porque você ainda não me viu surtando e chorando escondida no quarto. — ri fraco
— Ah, bem que ouvi uns miados estranhos ontem de noite. — ele levou na brincadeira
— Ainda não tive muito tempo para assimilar. Tudo aconteceu muito rápido.
— Se quiser um ombro amigo, estou aqui. Apesar, que, um velho ombro amigo, talvez seja melhor. — ele me olhou
— Você é velho. — eu o olhei e nós sorrimos juntos, um olhando os olhos do outro
— Você sabe o que quis dizer, senhorita humor.
— Não tenho amigos, Rogers. Minha melhor amiga se mudou há seis meses e eu troquei de escola. — dei de ombros — Ensino Médio é uma m***a.
— Ah, ele não gosta desse linguajar. — ouvi o tom sarcástico e virei, vendo Anthony caminhar até nós, com um embrulho em mãos
— Sério mesmo, Stark? — Steve se virou, ainda com as mãos no bolso e com um sorriso brincando no canto dos lábios
— Vamos almoçar já já. — Tony o olhou e ele afirmou com a cabeça, saindo — Vejo que descobriu minha antiga sala. — ele se aproximou de mim
— Precisava de ar fresco. — dei de ombros e coloquei uma mexa rebelde de cabelos, atrás da orelha
— Eu notei. — ele me olhou — Eu... Hã... — ele pareceu escolher bem as palavras — Estou muito orgulhoso e surpreso. Você agiu bem melhor do que eu esperava.
— Você esperava algo de mim? — franzo o cenho
— É claro. Você tem a bravura de Leila em seu sangue. — ele sorriu e eu sorri, baixando o olhar, envergonhada — Pra você. Eu escolhi. — ele me deu o pequeno embrulho e eu o peguei, abrindo-o e vendo o cordão escrito Stark no pingente
— É lindo. — sorri olhando o cordão dourado — Obrigada, Anthony. — sorri e o abracei forte
Agi por impulso, mas nem me importei. Anthony também pareceu surpreso, pois demorou um pouco para me apertar em seus braços. Eu sorri quando o fez. Me sentia em casa, finalmente. Acho que, lá no fundo, eu sempre quis isso. Sempre fui apenas uma menininha em busca do paraíso.
***
— Mãe, esse é Thor. Thor, essa é Leila Vetter. — sorri ao apontar para minha mãe, naquele leito
— Olá, senhora Vetter. — ele sorriu abanando a mão e voltou a pôr a mão no bolso
— Oi, hã... Filha, ele é um deus. Digo, ele é enorme. — ela disse de olhos arregalados e eu ri fraco
— Ah, mãe! — franzo o cenho, segurando sua mão — Cadê os bons modos, dona Leila?
— Não sou tão grande assim. — ele riu
— Eu poderia ter me arrumado melhor.
— Ah, que isso, mãe?! A senhora está ótima. — menti, vendo-a abatida sorrir bem fraquinho e, logo, tossir. Eu apenas segurei sua mão, forte
— Eu vi a coletiva na TV. Você estava tão bonita e tão madura. — ela acariciou minha bochecha e eu sorri, baixando os olhos — Não sinta vergonha, meu amor. Precisa aprender a receber elogios. — ela ergueu meu rosto e sorriu — Que colar lindo.
— Anthony me deu, pouco depois da coletiva. — sorri exibindo meu sobrenome paterno em meu colo
— Combinou com você. Está linda. – ela sorriu e tossiu mais um pouco
Eu sentia um misto de sentimentos dentro de mim e aquilo me assustava. De ontem para hoje, não só minha vida mudou radicalmente, como minha mãe parece muito mais abatida e m*l. Parece que ela só estava esperando Anthony aparecer para ir em paz.
Não queria pensar dessa forma.
— Uh, mãe, tem gente querendo vê-la. — digo ao me lembrar que Pepper está aguardando do lado de fora
— E, por que não entram? — ela franze o cenho
— Porque seria meio saia justa. — cocei a cabeça
— Bobagem. Grandão, mande entrar, por favor. — ela olhou para Thor, que sorriu com o apelido e, abriu a porta, liberando a entrada de Pepper e Tony
— Oi. — Anthony disse visivelmente desconfortável e, um silêncio temporário se fez
— Sou Pepper Potts. — Pepper sorriu gentil
— Sou Leila Vetter. — minha mãe retribuiu o sorriso, mesmo que estivesse apagadinho, por conta de seu estado de saúde — Como consegue aguentar Tony? — elas riram e, toda a tensão de antes, se desfez
— Oh, é difícil. — Pepper riu — Bem difícil. Ele tem um gênio muito forte.
— Se você acha isso, imagine eu, que vivi 17 anos com a versão feminina dele. — minha mãe riu
— Ei! — eu a repreendi, me fazendo de ofendida
— É, eles são bem parecidos. — Pepper riu
— Espero que aguente dois Tony na sua vida. — murmura
— Farei o possível. — minha madrasta promete
— Espero mesmo que consiga. — e, de repente, os olhares delas ficaram cúmplices. Como se minha mãe pedisse algo à ela, em silêncio
— Deixa comigo, Leila. — Pepper apertou sua outra mão, num sinal de confiança
— Leila, desculpe por ter surtado, no começo. — Tony diz após pigarrear — Eu entendo perfeitamente porque se afastou.
— Anthony, eu é quem devo desculpas. Não tive fé em você, mas não tinha o direito de jogar isso em cima de você, agora. — minha mãe o olhou, ainda segurando a mão de Pepper
— Eu agradeço por ter voltado agora. Gostei de descobrir Elena. — ele sorriu me olhando e eu baixei o olhar, sorrindo
— Ela é uma boa menina. Com o tempo, você saberá mais sobre ela. — ela me lançou um olhar que eu logo desvendei. Ela queria que eu contasse — Vi seus novos amigos na televisão, também. São lutadores.
— É, mãe. — sorri — Eles são insanos, mas são ótimos.
— Espero que esteja segura. — mamãe comenta — Muito poder atrai perigo.
— Eu a protegerei com minha vida, senhora Vetter. — Thor diz com sua pose de guerreiro — Pra chegarem até ela, primeiro, terão que passar por mim.
— Hm, creio que nada passe por você, grandão. — ela brinca e todos rimos
— Ela estará segura, Leila. — Tony garante — Eu prometo.
Ficamos um tempo em silêncio, até que minha mãe deu crise de tosse de novo. Tapou a boca com a mão, mas podemos ver o rastro de sangue na mesma. Thor gritou por um médico no corredor, mas eu fiquei parada, olhando-a.
Ela me olhava nos olhos. Parecia se despedir. Eu não queria que ela fosse. Não agora.
— Vá com seu pai. — diz ainda tossindo — E me perdoe por mantê-la longe dele por tanto tempo.
— Não, mãe. — me n**o a deixá-la, mas ainda assim me afasto, pois a equipe médica entra no quarto para examiná-la — Eu vou passar essa noite com você.
— Elena, vá. — ela me olha severa, apesar da falta de ar
— Não. — insisto
— E-Elena. — ela gagueja — I-isso é uma... ordem. — ofega — Vá!
— Eu preciso que vocês se retirem agora. — o médico pediu e as enfermeiras começaram a nos enxotar
Meu choro foi abafado assim que Thor me envolveu em seus braços e me tirou do quarto. A última imagem que tive do quarto, minha mãe estava lutando pra respirar.