Prólogo: Solitário

1014 Words
Quartel General dos Vingadores, Nova York, 08:59am O sol ainda iluminava com preguiça e as nuvens ainda se espalhavam pelo céu, evitando que os fracos raios solares atravessassem a parede de vidro que cercava a academia do Quartel General dos Vingadores. Em meio aos equipamentos, apenas um era usado e Tony Stark corria enquanto Back in Black tocava, agitando o ambiente. A televisão estava ligada desde que chegara ali, há 35 minutos, e apesar da música e das notícias que passavam na TV muda, sua cabeça estava à mil por hora. Ainda pensava no caos que havia se instalado em sua vida pessoal e em como sua vida profissional estava movimentada. Pra piorar, Pepper fazia falta. Seu ego e seu trabalho a afastaram de seus braços e ele nem sequer tentou lutar. Ele achara que conseguiria esquecer logo, mas não era bem assim que as coisas estavam acontecendo. Parou a esteira e desceu da mesma, arrumando os pesos e se sentando na cadeira. Estava suado e com o coração acelerado. Achava que estava velho para certos movimentos. Tomou um gole de água e fechou os olhos embalado pela melodia do rock em seus ouvidos. Muitas coisas ocupavam sua mente agora. Sua mãe, uma antiga namorada, Pepper. Jogou a toalha no chão com raiva e se levantou com um único pensamento, reaja, Tony! Mais um dia começa. T O N Y   S T A R K Ajeitei o blazer em meus ombros e espirrei perfume em meu pescoço, olhando meu reflexo no espelho. Eu não tinha do que reclamar, estava muito bonito até. Caminhei para fora do quarto e segui pelo complexo, até chegar na área residencial e ver Rogers e Romanoff sentados no meu sofá. Fiz uma careta, confuso, mas fiquei feliz em vê-los. Ouvi dizer que foram para uma missão na Itália. — Invasão de privacidade à essa hora? — perguntei caminhando para a cozinha e coloquei café em minha caneca — Pensei que acordasse mais tarde, Tony. — Natasha não perdeu a oportunidade de implicar — Não são nem dez ainda. — Sou um homem com compromissos, sabia? — adocei meu café e tomei um gole do mesmo — Sou muito requisitado. — digo e ela sorri fraco — Fico feliz em te ver bem, Tony. — Steve, com sua calmaria de sempre, disse a mim, enquanto eu caminhava e sentava no braço de minha poltrona — Igualmente, Rogers. — retribuo — Pensei que voltariam dentro de três dias. — Conseguimos conter a situação. — ele responde — Onde está o Visão? — Nat franze o cenho — Está na Torre, comandando o Museu dos Vingadores. — Museu é pra coisa velha. — ela rebateu fazendo careta — Ou para relembrar algo que não existe mais. — rebati e ela se calou Desde o ocorrido em Sokóvia, a ideia de desfazer o grupo vinha pairando em minha mente. Steve já havia percebido isso e mostrado o quão contra essa ideia ele era. O Capitão achava que os erros passados não podiam ser apagados, mas não eram o suficiente para invalidar a existência do grupo. Segundo ele, a necessidade que o mundo tinha de nos ter era maior que o ódio que algumas pessoas nutriam por nós. — Tony, é um novo tempo. — Steve me olha — Temos a Wanda, o Visão, Rhodes e Sam. Perdemos Thor e Banner, mas ainda podemos recuperar a equipe. Criar um novo amanhã. — diz esperançoso — Estão apenas esperando por um chamado nosso, para uma missão oficial. — Nat me olha — Já disse que é um preço muito alto pra arriscar. — bebo um gole de café — Podemos voltar a ser a equipe de antes. — ela rebateu — Jamais seremos como antes. — murmuro — Tem razão. — Capitão concordou — Seremos melhores. — finalizou e eu hesitei por um momento Eu errei f**o e isso quase causou a extinção global, era um fato. Porém, o mundo precisava dos Vingadores e isso era outro fato inegável. — Certo. — suspiro — Reúnam-se. Ao final daquela tarde, me sentei à mesa de meu escritório e fiquei parado encarando o nada, enquanto brincava de balançar na cadeira. Lembrei-me dos tempos de batalha, das conversas com Banner, da nossa primeira missão juntos. Teria eu desistido da ideia de desfazer os Vingadores porque sabia que o mundo precisava de nós ou eu só desisti pra sufocar minha solidão? Ao final daquela tarde, eu estava, mais uma vez, sozinho. Hospital Geral do Queens — Nova York, 4:37pm Do outro lado da cidade, a adolescente irritada jogou a mochila no sofá do quarto e se afundou no mesmo, bufando. A manhã havia sido turbulenta, a escola foi um saco e nada conseguia fazê-la se distrair. Elena nunca tivera problemas com a escola antes, mas depois de tantas mudanças e perdas pessoais, passou a gostar menos e se afastar mais. — Como foi a escola? — a mulher n***a abatida, deitada no leito, perguntou com sua rouquidão inevitável — Bem. — ela mentiu enquanto encarava os tênis surrados Nesse exato momento, ambas se calaram. Leila sabia que não estava tudo bem e Elena sabia que não poderia mais mentir. Nada estava bem na vida delas. A jovem não aceitava o fato da mãe estar prestes a deixá-la e que ela estava prestes a ficar sozinha. As dívidas do hospital iam se acumulando, assim como os sentimentos ruins de perda, desespero e abandono. E se o homem que fecundou sua mãe as ajudassem? Cresceu sabendo quem ele era e os motivos que sua mãe tinha para não o avisá-lo sobre sua existência. Depois do seu 13° aniversário, Leila a havia dado carta branca para fazer o que achasse melhor e Elena optou por continuar em silêncio. Tinha sua mãe consigo e não sentia falta de mais nada. Ou, talvez, até sentisse, mas era orgulhosa demais pra admitir. Enquanto observava as manchas de seu tênis, evitando o olhar preocupado de sua mãe, Elena não pode deixar de pensar que logo seu maior medo viraria sua realidade. Logo ela estaria sozinha.
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