Espera aí! Ele é o Yori? me apavoro, o próprio a ruiva responde tranquilamente, não notando a urgência em minha voz.
Christopher é o Yori balbucio sozinha, o garoto que viu a minha b***a no meio da floresta é o Yori? "Yori, o babaca"?
Mas é claro! Christopher Yori! O filho da mãe tem nome composto.
Oh, merda! Tapo o meu rosto com as duas mãos, ardendo de vergonha, e me jogo onde Loren estava sentada há poucos minutos, escorregando a b***a no estofado até estar quase deitada.
Já o conhece? Ben pergunta, confuso...Meio que sim, e não foi em uma situação muito boa, resmungo baixo.
Eu sinceramente esperava não o ver nunca mais em toda a minha vida.
Mas cá estamos nós, os dois na mesma festa.
Me contorço de ansiedade e solto um suspiro irritado.
Não é muito agradável ver o maluco que me viu seminua e mijando na floresta há quatro dias no mesmo lugar que eu.
Ainda mais depois de descobrir que ele é uma suposta ex-paixão não superada da minha irmã.
Curiosa para saber o que está acontecendo, dou uma breve espiada por entre os dedos, e, por azar, o encontro caminhando na direção do nosso círculo, onde os outros ainda brincam de “Beijo ou consequência”.
Seus olhos parecem não terem me notaram ou, pelo menos, ainda não… À medida que a noite ia vagarosamente se desdobrando, sentia uma necessidade absurda de me encolher ou ser abduzida pelo sofá, apenas para não ser notada por Christopher que se mantinha sentado confortavelmente no círculo de jogos desde que notou que os demais estavam brincando, há pelo menos vinte minutos.
A todo instante me mantive no mesmo lugar, enrolada em meu casaco e escondendo o rosto, como se eu fosse uma celebridade fugindo de paparazzis.
Sempre que ele fazia menção a olhar para cá, eu abaixava a cabeça ou a virava.
A essa altura, tinha medo de respirar alto demais e acabar chamando a sua atenção.
Não fazia ideia de como seria quando ele me olhasse de novo depois de toda aquela embaraçosa situação que passamos na floresta.
Tudo isso é uma grande merda! Por que diabos ele tinha que aparecer nessa festa? Ele nunca antes havia aparecido em qualquer outra em que eu estivesse, e isso acontece justo dias depois de tê-lo conhecido.
É uma baita coincidência horrorosa ou uma punição? Ele está completamente esparramado em seu assento, com os cotovelos apoiados nas laterais da sua poltrona e as pernas compridas esticadas, ocupando grande parte do espaço à sua frente, como se estivesse apenas curtindo
uma tarde de domingo em sua sala de estar.
Esse garoto é um absurdo de tão alto, deve ter cerca de uns 2 metros de altura, ou sei lá.
Ele ria condescendente toda vez que alguma menina se animava com a possibilidade de a garrafa parar apontando para os dois, mas a oportunidade não veio a calhar.
Era inevitável a decepção no rosto delas,
tudo bem que ele é um cara atraente, mas não dava para essas garotas serem menos óbvias? Estava tão claro que isso só enchia o ego desse infame narcisista.
Sentado e distraído, pude perceber que ele não era só alto pra caramba, como também passava uma vibe caótica em meio ao fato de ter várias tatuagens espalhadas por todo o seu corpo.
Algumas no pescoço, outras nas mãos e nos braços, que, por sinal, eram cheias de veias salientadas.
Eu não sabia se havia mais por debaixo de sua larga camiseta preta, mas quase podia ter certeza que sim.
Eu queria não o ter secado tanto com os olhos, porém, era algo quase impossível. Toda vez que ele passava a língua sobre os lábios, ele o fazia bem devagarinho, e sempre curvava um breve sorriso cínico ao terminar, de modo que tivesse a certeza de que estava sendo observado por alguém que claramente se sentia atingido ao ver aquilo.
Christopher encarava as pessoas como se fossem livros abertos, como se ele conhecesse cada um e suas histórias.
Ninguém em questão parecia ser do interesse dele, ou talvez, eu estivesse tão imersa observando-o que passei a imaginar uma certa apatia de sua parte.
As pessoas na festa ainda não haviam parado de dançar. Até o volume do som fora aumentado quando a maioria já estava alucinando ao som da banda Midnight.
Ouvi falar que as festas em que minha irmã ia eram sempre pesadas e com muitas pessoas que, assustadoramente, não tinham limites e nunca diziam não para o que quer que lhes fosse oferecido e, por isso, sempre que chegavam ao fim da festa, estava a maioria chapada.
Claire e Joshua eram os únicos amigos de Lorena que, em grande parte das vezes, tinham mais responsabilidade.
Em todas essas festas, sempre havia um grupinho mais quieto, que preferia ficar retido da bagunça, e era desses que eu ficava perto, bem como agora.
Minha irmã se acomodou um pouco mais afastada de mim, em um banquinho, estava bebendo e evitava olhar diretamente para Christopher.
Eu sabia que ela estava desconfortável, mas ela não iria admitir isso, tampouco tocar no assunto novamente.
Os outros permaneciam brincando, ainda na mesma empolgação de quando começaram, mas, de repente, se fez um silêncio brutal na sala quando tudo foi tomado por um grande suspense nos últimos giros da garrafa, antes dela parar.
Oh, merda! a voz de Marcos se sobressaltou animada quando Christopher finalmente foi escolhido.
Junto dele, o objeto de vidro também apontava para uma garota de pele n***a e belíssimos olhos safiras, sentada em uma cadeira próxima do círculo.
Estavam todos estáticos e surpresos, enquanto isso, Chris deslizava os olhos com malícia sobre o corpo cheio de curvas da menina.
De fato, ele não parecia querer ninguém na festa, mas ela parecia tê-lo interessado.
Já a morena o olhava boquiaberta, parecia ainda não acreditar que iria o beijar...Argh! O grandalhão cheio de tatuagens a chamou com a mão sem qualquer cerimônia. Desajeitada e com um sorriso tímido, ela se levantou e foi até ele.
Christopher a pegou pela cintura e a fez sentar em seu colo de frente para si, ele sussurrou algo em seu ouvido e então, a puxou pelo rosto, encaixando os lábios dos dois um ao outro.
Eu prometi a mim que só olharia o suficiente, mas falhei.
Eu o assisti agarrar os quadris dela e puxar com força para ele enquanto enfiava os dedos no cabelo cacheado da garota para pressionar os lábios dela ainda mais nos deles.
Também vi quando ele escorregou uma de suas mãos tatuadas para debaixo do vestido dela, mas parou na b***a e a apertou com ferocidade.
Notei o empenho que ele mantinha em manter um ritmo selvagem de sua língua dentro da boca dela, como se quisesse dominá-la por inteiro.
Aquilo definitivamente havia passado de apenas um beijo de brincadeira e havia se tornado uma cena de pré-sexo...Eu tenho certeza.
Evitei manter os olhos na cena posta diante de mim quando comecei a me sentir nauseada, logo virei o rosto, poupando-me do resto.
Voltei a olhar apenas quando ouvi Ben ao meu lado murmurando enojado:"finalmente acabou".
A garota estava sem fôlego e ainda o segurava pelo pescoço, parecia ofegante e atônita.
Acho que beijá-lo deve ter sido um sonho realizado, ou então, tão bom que a deixou bêbada.
Terminamos por aqui, Christopher a informa, novamente entediado. Ela ficou em choque, parecia esperar por mais, até que se tocou que o cara à sua frente não tinha planos de pegar o seu número, e chamá-la para sair ou continuar a beijando.
Foi então que ela se levantou e voltou para onde estava, com o rosto visivelmente constrangido.
Para ele, ela era só mais um desafio, nada mais.
E isso foi um terrível balde de água gelada para a pobre e iludida da garota.
Dyana, você está brincando? a voz de Marcos instantaneamente me fez entrar em pânico.
Em pé, diante do círculo, como se administrasse o jogo, ele me olhava sereno, enquanto eu surtava internamente ao constatar que havia perdido minha camuflagem.
Meu rosto inteiro ardia de vergonha ao ter ganhado a atenção de todos ali, até mesmo a de Christopher, que deixou um sorriso irônico despontar de seus lábios ainda inchados e avermelhados devido ao seu recém-beijo.
Seus olhos verdes deslizavam de cima a baixo sobre o meu corpo, sem o menor pudor.
Meu estômago se revirou e precisei lembrar-me de respirar.
Apenas por tê-lo me encarando, senti como se uma avalanche tivesse recaído sobre mim de maneira abrupta e eu não soubesse o que fazer ou como escapar.
Cruzei os dedos uns nos outros e olhei para Marcos que, por sua vez, ainda esperava uma resposta.
Definitivamente, não, e para todos os efeitos, me vejam apenas como um abajur de decoração e esqueçam que eu estou aqui, disparo trêmula e todos riem, menos eu.
Marcos cruza os braços e me lança um olhar com descrença.
Não vai mesmo brincar? insiste...Balanço a cabeça.
Fora de cogitação! Dyana não curte essas brincadeiras Lorena reforça, com o seu modo irmã protetora ativado, em seguida toma mais um gole de sua cerveja.
Marcos parece contrariado, mas acaba assentindo.
Sabe que rebater a minha irmã é o mesmo que pedir por uma guerra.
Ok! e você, Ben? Marcos aponta, tirando o foco de mim, e mentalmente o agradeço por isso.
Os olhares se vão para o garoto ao meu lado ou, pelo menos, quase todos.
Sinto minha pele sendo fuzilada pelo olhar maciço de Christopher.
Meu coração está disparado no peito e minhas mãos soam frias.
Por alguma razão ele continua me encarando.
E, por soslaio, percebo seu olhar vagando por cada mísero pedaço do meu rosto, como se não pudesse se conter.
Vou, eu não tenho nada melhor para fazer mesmo, Ben suspira.
Ok, então... beijo ou consequência? Marcos incita sorrindo.
Espera! Você não vai girar a garrafa? intervém, confuso. Os dois trocam olhares, Marcos mantém um sorriso perverso no rosto, como se planejasse algo, até que o responde:
Que se dane a garrafa, Ben revira os olhos.
Beleza! Beijo, então...Dá de ombros.
Te desafio a beijar o Christopher ele o provoca, aos risos.
Ah, vá se f***r! Se era o seu plano desde o início me fazer escolher consequência, era só ter dito, Ben zomba. Todos da roda caem na gargalhada, até mesmo Christopher.
O que verdadeiramente me admira, o fato dele não querer rebater que um menino foi desafiado a beijá-lo é bem legal.
Sem masculinidade frágil então, ótimo! Tudo bem, consequência, então, se rende...Responda, quem daqui dessa festa você gostaria de dar uns pegas?
Todos ficam apreensivos e curiosos, até mesmo Lorena se ajeita em seu banco. Exceto o som da música e das pessoas à nossa volta, ninguém mais ousou fazer barulho.
Sorrio disso, tão curiosos....Não vou mentir, eu ficaria com a Dyana revela, curvando um breve sorriso tímido.
Ele lentamente vira o seu rosto para mim, apreensivo.
E outra vez na mesma noite, sinto minhas bochechas corarem.
Olho em volta, ainda abismada, e encontro Marcos com uma expressão irritada e os punhos cerrados.
Próximo dele, vejo Christopher não muito diferente, o olhar sério e os lábios frisados. E há uma curta distância, a minha irmã... visivelmente intrigada.
Ao que parece, a qualquer momento Ben vai ser estrangulado pelos dois garotos.
Ainda não sei o que há de tão errado dele ter dito isso, mas parece que de alguma forma conseguiu incomodá-los.
Bom, não é como se eu fosse obrigar a Dyana a me beijar , prossegue, em seguida baixa a voz, em tom mais sugestivo, mas se ela quiser...
Caramba, Dyana, Joshua ao lado de Claire, brinca, todo orgulhoso. É claro que isso iria deixar os amigos de Lorena chocados.
Ninguém nunca menciona o meu nome em brincadeiras assim.
Pelo visto, estes adoram “carne nova”...E-eu acho melhor eu ir ao banheiro me desespero.
Tento não surtar, já é constrangedor demais ter que passar por isso.