•DYANA BELL •
4 dias depois…
Chegamos, aviso a minha irmã e ergo os olhos do GPS para o nosso destino final, a antiga mansão de madeira, onde ocorre a maior festança da vez.
Minha irmã já havia desacelerado a sua SUV antes mesmo que eu tivesse terminado de falar e procurou estacionar em uma das poucas vagas livres na entrada da casa.
A casa está localizada em um dos lugares mais solitários da floresta de Starfall.
Sem nenhum dono para vistoriar, o imóvel se torna a oportunidade perfeita para festas clandestinas.
Eu nunca havia vindo aqui antes, no entanto, depois de tanto Lorena insistir, acabei me rendendo.
A festa está abarrotada de pessoas transitando de lá para cá, e uma estrondosa música provém de lá de dentro.
Há pelo menos três casais se beijando, ou quase transando, em um canto mais afastado.
Sinto meu estômago se revirar com a cena,
nota mental, não tocar em nada, pois ao que parece, esse é um bordel adolescente.
Tudo aqui indica perigo de uma casa desmoronando.
As paredes m*l se aguentam no lugar, e onde deveriam ter janelas, agora são apenas espaços vazios.
A madeira está deteriorada e a varanda está com as escadas quebradas, mas acho que ninguém parece realmente ligar para isso.
Me retraio no banco com todo o cenário posto à minha frente e enrugo o nariz em uma careta.
Tô falando sério, Lorena, acho melhor você encontrar novos amigos, esses parecem querer nos matar nos chamando para essas festas.
Ela sorri com o seu jeito provocador e joga a cabeça para o lado, deixando que os seus cabelos ruivos, um pouco mais escuros que os meus caiam sobre o seu ombro.
Eles não são tão perturbados quando estão sóbrios. Ergo uma sobrancelha, contrariada, Marcos tentou afogar você quando te conheceu.
E ele estava sóbrio e o jeitinho dele, ela dá de ombros.
Você definitivamente precisa de novos amigos.
Dyana, fica tranquila, se alguma coisa te acontecer por causa de algum deles, eles não vão nem chegar a ver o próximo amanhecer, comenta tranquila.
Eu estou mais preocupada com a saúde mental deles do que comigo.
Ela desliza a língua pelos lábios, tentando engolir um sorriso.
Vamos Lorena sai na frente e me junto logo em seguida.
Caminhamos de braços dados rumo à baderna, de vez em quando, desviando de um maluco ou outro.
Eles estão mortos de bêbados e cambaleando sobre os próprios pés.
Lorena não queria vir tão cedo da festa, mas a convenci de que o quanto antes voltássemos para casa, menor seria a punição imposta pelos nossos pais desta vez.
Na última, fomos obrigadas a confessar nossos pecados ao padre e rezarmos umas dez ave-marias.
Que Deus me perdoe, mas meus pecados estão acabando com os meus joelhos.
Assim que entramos, minha irmã cumprimentou a todos por onde passávamos, eu apenas repeti o gesto para não parecer uma total estranha.
Uma das razões pelas quais eu sempre fico acobertada por Lorena, é que eu sempre me sinto mais confortável quando me escondo. Ao contrário de mim, Lorena parece totalmente à vontade com a atenção que recebe.
Ao passarmos pela maior parte dos festeiros, chegamos no centro da casa, que outrora deveria ter sido uma sala elegante e rústica, no entanto, agora é só mais um amontoado de poeira e móveis quebrados.
Vistoriando tudo em volta encontramos Marcos, Claire e Joshua sentados no velho sofá amarelo cheio de rasgos com outros adolescentes.
Estão todos obviamente bêbados, animados e postos em um círculo no cômodo.
Há uma garrafa no meio da roda de pessoas, em cima de uma desgastada mesa de centro de madeira.
Alguém fica encarregado de rodá-la enquanto os outros ficam na expectativa de onde ela vai parar.
Um tipo de jogo que mais recorda "verdade ou desafio", porém não parece ser essa a brincadeira.
Me sento no braço quebrado de um dos sofás, ainda insegura de tocar em qualquer coisa, já Lorena se acomoda na parte estofada, ao meu lado.
Qual é a dessa brincadeira? pergunto baixinho, para que apenas ela me escute.
Lorena se inclina um pouco em minha direção.
É beijo ou consequência ou você beija alguém, ou tem que cumprir um desafio.
E é a pessoa que escolhe quem vai beijar? investigo, os olhos vidrados no jogo.
Não, quem escolhe é a garrafa, e a mesma coisa de verdade ou desafio, mas sem a verdade.
A agitação aumenta assim que a garrafa para no lugar, o gargalo indicando um garoto com camiseta azul de Star Wars e a outra ponta para uma garota morena com peitões.
O escolhido de óculos fundo de garrafa ligeiramente enrubesce e curva um sorriso tímido em seu rosto.
A garota troca um sorriso malicioso antes de tomar a atitude de se levantar.
Os burburinhos de comemoração aumentam à medida em que ela caminha confiante em direção ao menino, que mais parece querer se mijar de nervosismo.
Hum... e se a pessoa não quiser ser beijada? indago, incomodada com a ideia de assistir alguém ser obrigado a isso.
Bom, então ele ou ela vai ter que cumprir um desafio, mas não acho que seja necessário.
Todo mundo sempre beija, menos o Yori, o cara do sofá ao lado que, discretamente, ouvia nossa conversa comenta de repente.
É Menos ele Lorena confirma baixo, parecendo estar chateada com algo....“Yori”? cochicho, intrigada.
É só um garoto que não gosta de beijar qualquer garota, ele meio que... tem preferência minha irmã explica, mas em seguida dá de ombros.
Digamos que ele é extremamente arrogante, o xereta fala, em seguida estende a sua mão.
Eu sou o Benjamin, mas me chamam de Ben... Sou Dyana, mas me chamam de Dy o cumprimento.
Ele abre um lindo sorriso que ilumina todo o seu rosto meigo e misterioso.
O garoto possui cabelos encaracolados e veste roupas escuras e largas.
Não sei em que momento ele se sentou do nosso lado, mas, pelo visto, consegue ser tanto reservado quanto extrovertido...Vou chamar você de Dyana, então.
Sorrio tímida e volto a assistir o casal escolhido aos beijos, com a plateia de amigos eufóricos ao redor.
Ele é um cuzão, minha irmã solta subitamente, os olhos fixos à sua frente e os cotovelos apoiados nas pernas.
Franzo o cenho, e Ben, assim como eu, olhamos para ela curiosos.
Do que estão falando? Claire se aproxima, balançando os cabelos castanhos quando desiste de observar a brincadeira.
Do Yori respondo...Ela ergue as duas sobrancelhas.
Ah, então já o conhece? murmura....Não, mas acho que já não gosto dele, aponto o queixo discretamente para a minha irmã, indicando a razão para não confiar nele.
Ela ri baixo e se senta ao lado de Ben, bom, ele é um i****a, mas a galera até que gosta dele.
Ergo uma sobrancelha...Então é para gostar dele ou não? indago, confusa.
Apenas não goste dele, Dyana a Lorena se pronuncia.
Ok... pronuncio bem lentamente, desconfiada.
Ele não é tão r**m, Lorena, Claire o defende.
Não é tão r**m? ela retruca, indignada....Aquele cara é um sacana que faz da vida de todo mundo um inferno.
Você só está dizendo isso porque ele não quis te beijar, rebate....Péssimo erro!
Agora minha irmã a está olhando como se quisesse arrancar o pescoço da melhor amiga.
Oh-oh! murmuro....Nunca mais, na sua vida, defenda aquele canalha filho de uma mãe.
E não, não foi porque ele não estava a fim de mim.
Ele é um babaca e ponto final, Ben e eu rimos, mas prendemos o riso assim que ela nos encara sanguinária.
Eu só quis dizer que ele não é tão r**m, ele é um ser complicado, isso é óbvio, mas sempre defende a galera.
E se não fosse por ele nós já teríamos sido presas, lembra? Lorena solta um suspiro irritado e se levanta, acabando bruscamente com a conversa.
Eu vou pegar bebidas pronuncia fria, olho confusa de uma para a outra, esperando por mais detalhes, entretanto, as duas continuam em um silêncio mortal, mas isso se encerra assim que Lorena se afasta de nós.
Merda! A Claire suspira, não deveria ter dito nada, isso ainda a incomoda.
Por quê? questiono rapidamente.
Ela o queria, e ele não a queria esclarece, Lorena nunca me contou nada disso. E ela normalmente me conta tudo sobre os seus relacionamentos.
É bem esquisito o fato de ela nunca ter mencionado esse garoto para mim antes.
O que significa que ele foi uma decepção tão grande que nem ela própria teve coragem de me contar.
Mas isso é papo para depois, vem cá que história é essa de prisão? troco de assunto, antes que eu esqueça de mencionar esse grande detalhe.
Ela bufa, não muito orgulhosa das lembranças desse dia.
Organizamos uma festa na floresta nas férias passadas e uma menina menor de idade teve uma overdose, a ambulância e a polícia chegaram, mas o Yori deu um jeito para que não precisássemos ir para a delegacia, ele tem conhecidos importantes por lá e livrou a barra pra gente.
Foi horrível, mas depois ela ficou bem, esse tipo de coisa é bem a cara dos amigos de Lorena mesmo.
Olha, eu acho que eu estava lá, Ben comenta...E onde eu estava? falo.
Provavelmente estudando Claire responde sorrindo, já que eu furar as saideiras é algo bem costumeiro.
Reviro os olhos.... Eu e essa minha mania de querer um futuro.
Os dois riem, mas Claire para repentinamente e arregala os olhos.
Ai, merda! O que é? sondo preocupada ao vê-la entrar em pânico.
O Yori está aqui, a Lorena vai surtar sussurra.
Onde? Estico o pescoço...Ali...Aponta com o queixo e sigo com o olhar.
O garoto completamente tatuado e absurdo de tão alto se aproxima do amontoado de gente que parece o esperar para cumprimentá-lo.
Ele está totalmente à vontade, como se soubesse que será bem recepcionado por onde quer que passe.
Os olhos verdes olham para os seus amigos com perversidade, sua boca está curvada para o canto e a sua expressão está cheia de superioridade de tanta arrogância que exala.
Eu teria realmente ficado encantada com a sua beleza e enojada com o seu comportamento se o garoto já não me fosse familiar....Merda! Merda! Merda!