Elle segurava a borda da cama como se o mundo estivesse desmoronando sob seus pés. O envelope com a passagem repousava sobre a mesa, pesando mais do que qualquer bagagem que ela pudesse carregar. Ir embora significava abandonar uma história marcada por dores, mas também deixar para trás os lugares onde começava, enfim, a encontrar força: os olhos de Théo, o toque dele, o abrigo que ele se tornara. Lá fora, a cidade seguia indiferente. Buzinas, passos apressados, vozes se cruzando sem tempo para profundidade. Dentro daquele quarto apertado, porém, o tempo parecia suspenso, como se aguardasse, silencioso, a decisão mais importante da vida de Elle. Ela apertou os olhos com força. A mente, um emaranhado de possibilidades. E se não desse certo? E se, lá fora, ela voltasse a ser apenas mais um

