Capítulo – O Barzinho do Morro O morro tinha dessas coisas. No meio de tanto corre, de tanto peso, também existiam lugares que serviam como respiro. E pra Cobra, FK e Playba, aquele pequeno bar no alto da viela era como uma pausa dentro do caos. Era fim de tarde, o sol já começava a se esconder atrás dos prédios distantes, e o som de pagode ecoava das caixas de madeira, embalando o ambiente com uma leveza rara. As mesas eram simples, de plástico vermelho já marcadas pelo tempo. No balcão, o dono — Seu Ademar, um senhor barrigudo e sorridente, conhecido por todo mundo — mantinha o freezer cheio de cerveja trincando. O cheiro de carne na brasa vinha da churrasqueira improvisada no canto, dando ao lugar um clima quase de festa, mesmo sem precisar de muito. — Tá vendo? — disse Cobra, levant

