A Noite da Transição Era quarta-feira, mas no morro o clima era de sábado. A casa imensa da facção — aquela construída especialmente para receber aliados, reuniões e festas fechadas — estava iluminada, repleta de carros estacionados em frente. Soldados faziam a segurança na entrada, mas, por dentro, tudo era luxo: música ambiente, mesas de vidro, churrasco sofisticado, whisky importado, champanhe estourando em alguns cantos. Não era uma festa qualquer. Aquela noite marcava a passagem da chefia da facção. O Águia, homem temido e respeitado, iria oficialmente entregar o comando para o filho. Cobra seria, dali em diante, o chefe máximo. Todos os chefes aliados estavam presentes: Diguinho e Fera do Vidigal, Pinguim do São Carlos, Alemão da Maré, Boca do Chapadão, Neguinho da Penha. Era uma

