Capítulo — O Primeiro Teste A reunião tinha acabado. A sala ainda cheirava a cigarro e whisky, os copos vazios espalhados pela mesa de vidro. Os chefes aliados tinham ido embora, cada um pro seu morro, e só eu e meu pai ficamos na mansão. Águia me olhava calado, aquele olhar que atravessa sem precisar falar. Ele pegou o copo, rodou o gelo, e soltou: — Tá na hora de ver se tu tá pronto. — Sempre tô pronto, pai. — respondi sem gaguejar. Ele riu de canto, um riso curto, sem humor. — A maioria dos homens que senta nessa cadeira fala a mesma coisa. Poucos provam. Não perguntei mais nada. Aprendi a ler as entrelinhas. Se Águia disse, é porque já tem teste esperando. No dia seguinte, FK me chamou no canto. O caderno dele tava cheio de anotações, e o rosto sério. — Os números da Rocinha nã

