Já passavam das três da tarde quando finalmente foram almoçar, depois de um banho que deveria ter demorado uns cinquenta minutos — Adeline expulsou os dois safados do banheiro, pois definitivamente não estava preparada para uma terceira rodada em tão pouco tempo, e pelo olhar sacana no olhar dos dois, eles com certeza estavam com segundas intenções.
Beau fez uma comida rápida, pois estavam com fome demais para esperarem um almoço bastante elaborado. Os dois rapazes estavam com sorrisinhos tranquilos no rosto, enquanto Adeline corava de forma absurda se ao menos olhasse para eles, e como Max e Beau gostavam pra caramba de contato físico, ela sempre estava corada.
Estavam prestes a levantar da mesa para irem lavar os pratos quando o som de um carro se aproximando pela pequena estrada de terra ecoou pela colina. Beau e Max trocaram olhares demorados, pois claramente não estavam esperando por ninguém. Vez ou outra eles ligavam para as outras pessoa da matilha para perguntar se estava tudo e bem, mas nenhum outro lobisomem havia aparecido alí até agora.
— Vamos lá. — Max disse, enquanto o irmão assentia e levantava da cadeira. Adeline fez o mesmo, então os três começaram a dar a volta na varanda e descer em direção a base da colina em passos rápidos, enquanto os dois rapazes tomavam a sua frente de maneira possessiva, como se quisessem que ela se mantivesse atrás deles. Adeline revirou os olhos e deu um empurrãozinho em Beau, só não fazendo o mesmo com Max porque ele se esquivou.
Mesmo que ainda estivessem a uma pequena distância, era possível ver alguém abrindo aquele portão de madeira e deixando-o aberto, antes de entrar no carro — Um carro esportivo vermelho e bastante chique — e entrar na propriedade dos lobisomens Logo em seguida. O carro subir pela pequena estrada gramada, parando apenas quando estivesse à uns três metros de distância.
Beau e Max pararam e cruzaram os braços, observando enquanto um rapaz loiro e baixo saia de dentro do veículo. Ele era esguio e absurdamente bonito, e assim que ele ergueu a cabeça e olhou na direção do trio, a verdade sobre a sua natureza veio junto com seus traços absurdamente delicados e simétricos: Ele era um vampiro. Um vampiro que deveria ter uns dezoito anos quando foi transformado. Seus olhos eram de um azul absurdamente claro, emoldurados por cílios longos e dourados. Não havia sequer uma mancha na sua pele absurdamente pálida, o que fez Adeline ficar com um pouquinho de inveja, porque cada centímetro da sua era repleta de pontinhos levemente mais escuros.
— Quem é você? — Beau perguntou de forma brusca, fazendo garras aparecerem nos seus dedos. Adeline sabia que não existia aquele tipo de rivalidade entre vampiros e lobisomens como apareciam em filmes e livros de fantasia, mas nada impedia os rapazes de ficarem incomodados com desconhecidos invadindo o seu próprio território. Max lançou um rápido olhar para Adeline, perguntando-a silenciosamente se ela conhecia o vampiro, mas a garota negou rapidamente com um leve nemear de cabeça.
— Vim aqui por causa dela. — O vampiro apontou pra Adeline, fazendo os lobisomens rosnar e se postarem à frente da garota. Adeline revirou os olhos e se enfiou por debaixo dos dois, passando por eles e ficando de frente para o vampiro, sentindo um calafrio de medo subir pela sua coluna.
— É-é por causa do Onyx, não é? Aconteceu alguma coisa com ele? — Ela perguntou nervosamente, dando mais um passo para a frente. Beau rosnou e passou os braços pela sua cintura, puxando-a de volta para arraste a fazendo colidir com seu peitoral.
— Sim.
— Ele tá bem? Tá vivo? — As pernas de Adeline fraquejaram, enquanto ela dava uma cotovelada em Beau, que a soltou, mas continuou com as mãos na sua cintura. Max agarrou sua mão e lhe lançou um olhar preocupado.
— Vivo, sim. Mas "bem" já não é a mesma história. Ele foi capturado por Titus, o pai de vocês. Precisa fazer alguma coisa se quiser vê-lo livre novamente algum dia. — Disse o vampiro, soltando um suspiro rápido. Se ele ligava para a demostração de afeto do trio à frente, não demostrou.
— V-você é amigo dele? — Adeline gaguejou, sentindo seus olhos pinicarem. Ela sabia pela ligação do outro dia que as coisas não estavam boas, mas ser capturado por aquele monstro... Isso era assustador.
— não sou amigo dele e também nem tenho força ou coragem para tentar fazer alguma coisa sozinho, mas uma pessoa importante para mim foi capturada também, e preciso que ele seja libertado. Eu... Devo isso à ele. — O vampiro explicou, fazendo a garota ligar os pontos rapidamente e lembrar o nome do namorado do irmão. Atticus.
— Como vamos fazer isso? — Perguntou, ignorando os rosnados de Beau e Max. Poderia ser uma armadilha? É claro que poderia, mas Adeline não podia simplesmente ignorar o que estava acontecendo com o irmão.
— Não sei. Também não posso ficar longe por muito tempo para não levantar suspeitas, além de que não é seguro deixá-los sozinhos naquele lugar com todos os outros vampiros. O celular do seu irmão foi destruído, então eu procurei o chip entre os pedaços e coloquei no meu próprio. Ele falou com você no outro dia quando eu conseguir entregar o celular sem levantar suspeitas. — O cara explicou, olhando apressadamente para o relógio de pulso, antes de começar a retornar para o carro.
— Espera!! O que vamos fazer?! — Ela exclamou, pronta para ir com o vampiro e tentar alguma coisa sozinha. O loiro olhou por cima do ombro e mordeu o lábio. Estava evidente que ele estava absurdamente apressado e nervoso com isso.
— Se você pensar em alguma coisa, posso facilitar a entrada de um pequeno grupo no covil. Me ligue antes e eu vou dar um jeito. — Disse ele apressadamente, antes de abrir a porta do carro e pular para dentro dele. As janelas estavam abaixadas, então Adeline correu até lá e abaixou a cabeça, ainda encarando o vampiro.
— Cuida dele enquanto eu não vou.
— Farei isso. — O Vampiro confirmou, ligando e ignição do carro.
— Qual seu nome?
— Xavier. — respondeu ele, arrancando com o carro assim que Adeline retirou as mãos da porta aberta. Ela observou o carro desaparecer em questão de segundos, ultrapassando o portão de madeira e desaparecendo na floresta.