CAPÍTULO 02

2161 Words
Havia uma daquelas máquinas automáticas na lojinha de conveniência do posto, então Adeline comprou uma latinha de coca cola e um pacote de batas fritas, empurrando as notas amassadas se dois dólares contra aquela pequena fresta da máquina onde o pagamento deveria ser colocado. As notas estavam tão velhas e desgastadas que a máquina às cuspiu duas vezes de volta para as mãos de Adeline, antes de finalmente aceitar o dinheiro e libertar a comida, fazendo-a cair naquele compartimento largo na parte de baixo da máquina. A garota pegou o refrigerante e o pacote de batatinhas, abrindo a lata com dificuldade, pois suas unhas eram bastante curtas — Ver Onyx roendo as unhas vinte e quatro horas por dia à fez pegar o mesmo hábito —. Por causa da queda de quase um metro de altura da máquina, o refrigerante estava agitado e derramou um pouco nas suas mãos, não que ela se importasse com isso. Ela começou a caminhar para fora da lojinha de conveniência em passos tranquilos, tomando um belo gole do refrigerante, que estava tão frio que haviam algumas pedras de gelo dentro da latinha metálico. Adeline caminhou até a oficina em passos tranquilos, encontrando os dois homens completamente focados na caminhonete. Aquele que estava suado e um pouco sujo de poeira estava mexendo atentamente naquele monte de negócios debaixo do capô, enquanto o outro estava dentro da caminhonete, ligando a ignição. O carro fez um som descente e minimamente normal dessa vez, mas o carro morreu cinco segundos depois, fazendo o cara que estava em pé de frente para o carro confirmar levemente com a cabeça e continuar mexendo no motor. Adeline viu o outro sair do carro, mas ele era tão alto que roçou a cabeça no quebra-sol desgastado que ficava em cima do banco do motorista, fazendo-o abaixar — pois as dobradiças eram velhas — e um monte de papelzinhos cair no chão ao lado do carro. O homem saiu da caminhonete e começou a catar os papéis, enquanto Adeline colocava o seu lanche em cima de um banco de madeira que ficava em uma das paredes e ia até lá ajudá-lo. A maioria dos papéis eram fotos. Algumas delas eram de Onyx e Adeline, apesar de algumas outras serem só de Onyx. O homem pegou uma foto tirada por um dos amigos deles, em que Onyx e Adeline estavam lado a lado, sorrindo para a foto. Os dois eram exatamente da mesma altura e tinham as mesmas cores, além de que tinham a mesma quantidade de sardas, só se diferenciando no sexo e na cor dos olhos. — Meu irmão gêmeo. — Ela explicou, analisando as fotos. — Vocês são praticamente idênticos! — O homem exclamou, abrindo um pequeno sorriso e devolvendo a pilha de papéis e fotos para Adeline, que sentiu suas bochechas corarem e devolveu o sorriso, encarando o rosto bonito dele. O homem farejou levemente o ar novamente, fazendo Adeline se perguntar se ele estava com sinusite ou se realmente estava se sentindo algum cheiro. E por falar em cheiro, o olfato sobrehumano de Adeline combinado com a proximidade com o cara fez o cheiro gostoso dele entrar pelas suas narinas, o que a fez morder levemente o lábio. — V-vocês dois também são. — Ela gaguejou, alternando o olhar entre ele e o outro, inclinando-se para dentro do carro para guardar as fotos de volta dentro do quebra-sol. — Nah. Não somos gêmeos. Eu sou um ano mais velho que ele. — O cara disse, fazendo Adeline arregalar os olhos e olhar por cima do ombro rapidamente. Como assim não eram gêmeos?! Eles eram simplesmente um idênticos!! A garota alternou novamente o olhar entre eles igual uma bobalhona, ainda sem acreditar naquilo. Além de que também estava surpresa por aquele que tinha uma cicatriz no nariz ser o mais novo, e não ao contrário. Ele era mais calado e tinha um olhar duro, e isso o fazia parecer mais maduro que o outro. Os dois pareciam ter uns trinta anos, talvez mais, talvez menos. — Não fomos apresentados, não é? Eu sou o Max, e aquele alí é meu irmão, Beau. — Disse o mais falante, apontando levemente para o irmão, que ergueu o olhar e encarou Adeline, assentindo levemente com a cabeça, como se dissesse "Olá". Era interessante como os nomes combinavam perfeitamente com eles. Max tinha cara de atrevido, assim como o nome "Beau" também expressava a personalidade do outro, que era meio na dele, mas definitivamente não era um santinho. — M-meu nome é Adeline. — A ruiva respondeu, vendo Max se aproximar e se agigantar sobre ela, pegando a sua mão delicada e cheia de sardas, levando-a até os lábios carnudos e dando um beijo demorado nas costas da mão dela, fazendo um arrepio subir pelo seu braço e percorrer sua coluna. Ele não desgrudou os olhos escuros dos dela por um segundo sequer, mesmo enquanto retirava os lábios da sua pele e dava um passo para trás. Adeline observou, ainda meio atônita, Beau parar de mexer no carro e se aproximar também. Ele tinha uma presença assustadoramente sexy, e apesar de ainda estar um pouco suado, suas mãos estavam limpinhas, e quando ele pegou sua mão e levou até os lábios também, outro arrepio caloroso subiu pela coluna de Adeline e fez seu corpo inteiro formigar em resposta. O cheiro dele também era assustadoramente gostoso, fazendo-a arquejar baixinho. — É um prazer, princesa. — Disse ele, dando um passo para trás e já começando a dar a volta no carro para voltar a trabalhar no motor. Os dois continuavam farejando o ar e trocando olhares demorados, fazendo Adeline tentar sentiu algum cheiro anormal, mas sem sucesso. Ela cheirou disfarçadamente a própria axila para saber se o cheiro vinha dela, mas percebeu que continuava cheirosa como sempre. Adeline sentou no banco do motorista e buscou rapidamente o celular, enquanto colocava o pacote de batatinhas fritas entre as pernas para apoia-lo e o abria com a mão livre, colocando a latinha atrás do volante, naquela parte reta do carro. Ela buscou rapidamente o número de Onyx, ligando para ele de novo, mas sem sucesso novamente. Os avós não sabiam usar celular, então sequer havia um número para falar com eles caso quisesse. Ela tentou ligar mais duas vezes só para garantir, antes de soltar um grunhido e desligar o celular. — Com licença. Será que tem algum lugar pra eu colocar meu celular para carregar? — Adeline perguntou para Max, que estava mais próximo, organizando algumas daquelas chaves de mecânico dentro de uma caixa. Ele olhou por cima do ombro e a encarou com aqueles grandes olhos pretos, confirmando levemente com a cabeça. — Alí no canto. Em cima do banco. — Max apontou para para aquele banco acolchoado quase ao lado da porta, então ela agradeceu com um pequeno sorriso, antes de começar na vasculhar sua velha mochila à procura do carregador, que estava praticamente se desfazendo de tão velho, mas que pelo menos ainda funcionava, e o principal: não havia explodido na sua cara. Adeline correu até lá e colocou o aparelho para carregar, antes de se voltar para os dois homens, percebendo pela primeira vez que Ambos tinha uma espécie de tatuagem acima do peito. Não exatamente em cima do peito, mas sim entre eles, sobre o externo. A tatuagem era de uma tinta meio dourada, contrastando completamente com a pele marrom. A dos dois eram exatamente iguais, e olhar para elas fazia a nuca de Adeline formigar. Elas tinham um formato estranho, como se fossem um monte de arabescos formando uma lua crescente mais ou menos de uns dez centímetros. — Isso é alguma tatuagem tribal ou algo do tipo? — Adeline perguntou, com curiosidade, apontando para o peito de Beau, que olhou para baixo e seguiu o seu dedo, encarando a tatuagem e ficando completamente sobressaltado, quase dando um pulo para trás. O mesmo aconteceu com Max, que olhou para o próprio peitoral, depois para o do irmão e depois para o rosto dele. Os dois se encararam com os olhos levemente arregalados, antes de moverem o olhar para Adeline, que observava a cena com curiosidade. Ela se perguntou se era algum símbolo de gangue super secreto que não poderiam mostrar para ninguém, e como estavam sem camisa antes dela aparecer, haviam esquecido completamente disso. O olhar deles era como se aquilo não estivesse alí antes, mas definitivamente não poderia ser isso, não é? — Se importa de aguardar por alguns instantes, princesa? Preciso fazer com meu irmão. — Max disse, agarrando o braço do irmão e o puxando em direção a porta dos fundos sem ao menos esperar por uma resposta. Olívia deu de ombros e voltou a comer as suas batatinhas e a tomar os últimos resquícios do refrigerante. [•••] Demorou quase meia hora até os dois homens aparecerem novamente, e mesmo que estivessem tentando parecer calmos, estava visível nos seus rostos que alguma coisa havia mudado, e eles encaravam Adeline demoradamente, o que fazia o seu corpo inteiro formigar em resposta. Enquanto eles estavam fora, ela conseguir escutar alguns barulhos dos dois conversando bem alto, apesar de não ter entendido nenhuma palavra do que estavam falando, como se fosse outra língua — Apesar do tom de voz não ter evidenciado que era uma conversa tranquila ou algo do tipo. — Aconteceu alguma coisa? — Adeline perguntou, alternando o olhar entre eles dois, que agora haviam vestido camisetas. Max estava com uma cinza e Beau com uma preta, que apesar de esconderem seus peitorais, evidenciava cada músculo deles. Adeline reparou que o cabelo de ambos parecia uma espécie de juba sexy e longa, meio ondulada em Beau, meio cacheada em Max. — Nada com que se preocupar. — Max disse, então os dois se aproximarem para voltar a concertar o carro de Onyx, embora Adeline sentisse olhares ocasionais direcionados à ela. Os dois não a deixavam incomodada ou desconfortável de modo algum, apenas a deixavam completamente intrigada. [•••] Cerca de quarenta minutos depois, o carro já estava completamente concertado. Beau pediu para que Adeline ligasse e ignição da caminhonete, e assim que ela fez isso, o carro voltou à vida rapidamente, com um barulho limpinho e baixo dessa vez — pelo menos se comparado à como era antes. — Obrigada pela ajuda, gente! Vocês me salvaram de um problema e tanto. — Adeline disse, imaginando que estaria completamente lascada caso o carro tivesse apagado longe de qualquer lugar com pessoas, como no deserto ou na autoestrada que cruzava a floresta à partir dalí. — Qual o valor do concerto? — Ela começou a tirar algumas notas amassadas do bolso traseiro da calça, selecionando as maiores delas. Ela tinha 100 dólares alí mas, mas se fosse mais que isso, tinha mais dinheiro dentro da sua mochila. — Não é nada, não, princesa. — Beau disse, enquanto Max confirmou levemente com a cabeça, abrindo um pequeno sorriso. — Certeza? Vocês passaram um bom tempo trabalhando nele. — Adeline não estava com dinheiro suficiente à ponto de continuar insistindo em pagar um concerto, mas sua dignidade exigia que ela insistisse pelo menos mais uma vez. Os dois homens negaram levemente, dizendo que não iam aceitar o pagamento. A ruiva ficou com vontade de perguntar se eles usavam isso de cantada com frequência, mas percebeu que talvez não tivesse i********e o suficiente para isso. — Sendo assim, muito obrigado, rapazes. — Adeline foi até o banco e pegou o celular, que já estava quase completamente carregado. Ela percebeu que já iria anoitecer em no máximo uma hora e meia, então teria que ir embora rapidamente, e caso não encontrasse um lugar para ficar, iria dormir no carro novamente. — Para onde está indo? — Max perguntou, se aproximando para dar outro beijo na sua mão. Adeline engoliu em seco e observou ele fazer isso, vendo Beau também se aproximar e fazer o mesmo. — Eu... Não tenho um destino específico. Só vou passar alguns dias longe e voltar pra casa logo em seguida. — Ela deu de ombros, vendo os dois assentirem levemente com a cabeça. — Não há nenhum hotel ou pensão à partir daqui, além de que vai anoitecer daqui a pouco. Porque você não dorme aqui? Temos um quarto vago lá atrás. — Beau sugeriu, dando um passo para a frente e prendendo uma mecha do cabelo ondulado atrás da orelha. — Obrigada, rapazes, mas eu preciso ir embora mesmo. Estou acostumada à dormir dentro do carro. — Adeline disse, porque por mais que a oferta fosse tentadora, ela sequer os conhecia direito. A garota entrou na velha caminhonete e abaixou o vidro da porta — que estava quebrado e só abaixava até a metade —, antes de insistir novamente no pagamento, mas assim que eles negaram, Adeline os agradeceu, se despediu e começou a dar ré para fora da oficina.
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