Encontro com o Estranho

4220 Words
    Perdida em meus pensamentos e em minha leitura, não percebi o carro se aproximando do portão: - Parece estar com problemas – ele sorria aquele sorriso lindo e dirigia uma Jeep Renegade preta.      Eu quase não consegui acreditar quando vi que era o mesmo estranho que havia sorrido para mim enquanto eu corria no East Garden na semana anterior. Meu coração disparou e eu, apesar da raiva que estava sentindo, tentei parecer o mais natural possível.   - Ah, e eu estou – eu ri um pouco para tentar parecer descontraída - mas logo vou solucionar...  - Precisa de ajuda? - ele perguntou - Ou sei lá, quer que eu troque o pneu pra você? – ele parecia interessado em ajudar.  -Não – sorri sem jeito, como explicar que eu deveria ser a garota mais detestada da escola logo no primeiro dia de aula? – na verdade, foram dois pneus, então, precisei apelar para um reboque. - Nossa, que azar – ele seguiu me encarando – telefone de reboque? Eu tenho um amigo...   - Já chamei, obrigada. - respondi, não queria ficar parada conversando com ele, não sabia nem o porque. - E companhia? Tá ficando tarde... - ele insistiu. - Realmente eu estou legal – estava era muito irritada, mas tentei ser educada – de verdade.  - Tudo bem então. Era você correndo no East Garden, né? Tenho certeza que sim - ele disse.  - Sim – eu sorri – era eu sim - fiquei visivelmente sem jeito.  - Então, a gente podia correr juntos uma hora dessas, o que você acha? Acho que você gosta de correr, mas se não gostar podemos fazer outra coisa, sei lá...  - Sim, eu realmente gosto de correr – sorri – podemos combinar sim.  - Perfeito – ele seguia sorrindo, parecendo um pouco bobo enquanto um outro carro tentava em vão sair do estacionamento, e buzinou para que ele andasse – bem, eu preciso ir, nos vemos por aí.      Aguardei pacientemente, com coração disparando, quase me esqueci que estava com raiva, e logo o reboque chegou, e eu estava salva. Um senhorzinho bem velhinho se aproximou e conversou comigo enquanto um outro rapaz simpático trabalhava para levar o meu carro para a oficina deles.   - Ivanov, Nicolav Ivanov... Todos me chamam de Nick. - É um prazer Sr. Ivanov – eu disse sem pensar, fazendo o velhinho sorrir e me encarar até eu dizer – Nick. Eu sou Mariah Martinez...  - Martinez... Por um acaso do East Garden? - ele pareceu pensativo. - Sim – respondi. - Esse Impala, eu provavelmente conhecia o seu avô, ele era mecânico, não? O velho Martinez... Nós dois trabalhamos juntos por alguns longos anos na Ford...  - Exatamente - eu sorri - acontece que herdei esse Impala a pouco tempo...  - ... e o High School super selvagem de Hidden Hills já começou a destruí-lo – o rapaz simpático apresentou-se – sou Daniel Ivanov – ele sorriu – você provavelmente conheceu ou então conhecerá meu irmão Peter, ele estuda aqui.  - Ah sim, mas eu sou nova, logo devo conhece-lo... - Bem - o rapaz falou baixo e rindo - ele anda com gente bem b****a, então pode ser que não, você parece ser legal – ele riu.  - Obrigada – sorri, aquilo deve ter sido um tipo de elogio.      Sr. Ivanov levou-me no carro dele para a oficina, que não ficava muito longe da escola. Desmontaram e consertaram os meus pneus enquanto eu balançava minhas pernas em um banco super alto e tomava um café, por vezes conversava alguma coisa com Daniel quando ele ficava parado por perto, mas ele estava trabalhando no atendimento dos clientes.  Por longos minutos fiquei ali, sentada esperando pelo meu carro, então alguém entrou na oficina e quase cai do banco pensando no tamanho da coincidência: era ele, o cara da corrida... Parecia ter saído de um filme, tinha os cabelos úmidos e um perfume maravilhoso, vestia uma camiseta branca lisa e justa e calças jeans escuras. Ele veio reto em minha direção e sorriu, e então ele desviou de mim e cumprimentou Daniel. Os dois conversaram alguns minutos, Daniel, saiu em direção à uma porta lateral.  - E então, moça? Problemas resolvidos? - ele sorria o tempo todo, ao menos se paresse de sorrir eu não ficaria olhando para ele como uma i****a. - Estão se resolvendo...  - O pessoal daqui é ótimo - ele começou a falar - Daniel é meu amigo há anos e o irmão dele estuda no Highland também, somos amigos. - Ah, legal – pensei imediatamente naquilo que Daniel havia dito sobre o irmão andar com gente bem b****a na escola e confesso que fiquei um pouco decepcionada.  - E então... Eu fiauei pensando que não tenho como combinar de ir correr com você se você não me der o seu telefone - ele disse convencido.  - Ah, claro – sorri sem jeito e em seguida cantei os números para ele.  - Vou te chamar – e chamou imediatamente no w******p – e ai conversamos.  - Certo – eu sorri e logo o Sr. Ivanov indicou que estava tudo pronto, e eu já tinha feito o pagamento para Daniel – preciso ir, esta tarde – acenei para Daniel que voltava pela porta – obrigada Daniel, até logo.  - Até logo, Mariah - ele fez movimento de negação com a cabeça - não, eu espero que não tão logo – ele riu – mas deixei o nosso cartão com a nota fiscal.   - Obrigada! – gritei enquanto afastava-me e me despedia do Sr. Ivanov dando graças a Deus mentalmente por estar em meu amado carro e tudo ter terminado bem. Eram quase 18:30 quando minha mãe ligou, e eu estava literalmente ligando o Impala. Atendi e disse que tinha tido um problema com o carro, mas que logo estaria em casa. Mais uns vinte minutos até que finalmente consegui chegar em casa. Não queria nem mesmo pensar em ver a cara da Mia, na verdade, eu não queria ver a cara de ninguém...      Cheguei um pouco suja, muito cansada e com muita raiva, entrei pela cozinha, mamãe estava linda, cozinhando com uma taça de vinho na mão, Brandon também tinha uma taça. - Oi gente - disse tentando parecer um pouco melhor do que eu estava. - Olá querida - mamãe olhou para mim - o que aconteceu? Fiquei preocupada...  - Ah, nada demais - suspirei. - Porque não ligou? Eu podia ter ido buscar você... - mamãe disse. - Sim - Brandon completou - pode chamar quando tiver problemas, nós conseguimos dar uma mão. - Não se preocupem, está tudo bem, foi só um probleminha, nada demais...  - Ligou para o seu pai? - mamãe perguntou.  - Não, era besteira - eu precisava diminuir o problema.  - Ah, como um pneu furado? - Brandon sorriu.  - Foi exatamente isso, na verdade, pneu furado - sorri sem graça - aí demorei porque já levei para o conserto e remontagem, só pra garantir - dei ombros - acabou demorando mais do que o previsto.  - Ah, menos m*l então - mamãe completou.  - Vou subir e tomar um banho - sorri - o cheiro está ótimo, mamãe.  - Sua mãe faz uma das melhores lasanhas que eu já comi - Brandon disse. - Eu já falei que adoro lasanha? - ri e caminhei lentamente pelo corredor.       Quando estava próxima da porta do meu quarto, Mia escancarou a porta do quarto dela rindo:  - Bem a sua cara chegar imunda a essa hora, é o que gente como você, que vem daquele lugar faz...  - Garota - respirei fundo - você só pode ser louca - mas então percebi, pelo jeito com que ela me olhou, que ela não sabia que eu já estava sabendo do que ela tinha feito e isso me deu um tipo de vantagem. - Você não faz ideia do quanto sou louca - ela riu - Papai quer que eu te trate bem, então vou ser legal com você, em casa, certo?  - Ótimo, vou ser legal com você em casa também - dei as costas.  - O que foi que você disse? - ela gritou histérica. - Exatamente o que você ouviu, Mia - parei e encarei ela novamente - só em casa.      Ela não disse mais nada, só bateu a porta do quarto. Eu respirei fundo, eu sabia que alguma coisa precisava ser feita, mas eu não fazia ideia do que fazer. Telefonei para Lindsey - de dentro da banheira, me sentindo uma diva, e contei para ela o que tinha acontecido, ela sugeriu que eu falasse com o Diretor Sanderson e pedisse para ele a imagem das câmeras de segurança, mas logo pensamos que isso apenas iria punir o garoto, não provaria, em momento algum que Mia havia feito alguma coisa. Então eu optei por esperar. Vesti shorts jeans e uma camiseta dos Lakers e desci com os cabelos úmidos e soltos e os meus óculos de grau. Brandon estava no telefone, falava baixo com minha mãe na cozinha, tudo o que eu ouvi da conversa foi Brandon dizendo "ele não vem" e minha mãe dizendo que, quem sabe, ele só precisasse de mais um tempo.  - Oi pessoal - sorri ao ver que Mia já estava no outro lado da cozinha.  - Como foi na escola? - minha mãe perguntou-me enquanto oferecia-me uma taça de vinho branco: na família do meu pai, até mesmo os mais jovens as vezes bebem um pouco e provavelmente minha cara dizia que eu estava precisando, aceitei, Mia revirou os olhos.  - Foi bem, normal... - dei ombros. - A Mariah foi incrível - Mia interrompeu - já até fez uns amiguinhos.  - Que legal - Brandon sorriu - o colegial as vezes é um pouco c***l.  - Com certeza, é bem selvagem - sorri satisfeita depois de um gole de vinho - mas com certeza eu supero. Isso aqui é um Chardonnay do Chile, né? - sacudi a taça. - Sim - Brandon sorriu - um Santa Carolina.  - Muito bom, bem frutado... - Ah sim, é um dos preferidos da sua mãe para o calor. - Mamãe tem bom gosto.  - E você o herdou, com certeza      Brandon dava um tapinha em minhas costas antes de sair da cozinha com algumas coisas para pôr a mesa no jardim. A noite foi o que se pode chamar de agradável... Ajudei mamãe com a louça, Brandon guardou as coisas, Mia já havia subido. O quarto dela era bem na esquerda, havia um espaço de estar com sofás e uma porta para a varanda, meu quarto bem na direita e o quarto de Spencer, ao fundo, ao lado das escadas do terceiro andar, onde ficava apenas a suíte de Brandon e da Mamãe. Mesmo que eu saísse na minha varanda e Mia na dela, não nos veríamos porque havia um recuo, e essa varanda da área de estar estava mais em frente, o que me deixou feliz demais. Deitei-me na rede que havia prendido na varanda, estava quase cochilando lá mesmo quando recebi uma mensagem:  - Oi Mariah, estou chamando você como o combinado.  - Oi ? - eu não sabia muito o que dizer para o meu desconhecido. - Então, resolveu o problema do seu carro?  - Sim, demorei, mas resolvi, obrigada por perguntar.  - E era muito sério?  - Nada demais, dois pneus cortados.  - Nossa, mas que m***a, hein...  - Sim, nada demais, só perdi tempo e me incomodei bastante.  - Com certeza. Mas se precisar resolver algo mais complicado, o Daniel da loja é um bom mecânico, ele só não está trabalhando só com isso para ajudar o avô dele, mas ele sabe muita coisa... - Nossa, que legal.  - Eles correm de carro nos fins de semana.  - Deve ser divertido, meus tios correm também...  - E o você o que faz pra se divertir?  - ele perguntou. - Eu corro, leio, desenho, vou à praia, faço biscoitos... E você?  - Você não tem cara de quem faz biscoitos - ele disse. - Porquê?  - Normalmente eu penso em gente velha fazendo biscoito. Minha avó faz biscoitos ótimos.  - Eu aprendi com a minha... Mas você não me contou o que você faz para se divertir. - Então, eu corro, jogo vídeo game, jogo football, vou à praia e fico longe dos meus pais. - Nossa, passivo agressivo - eu ri sozinha - e porque?  - Eles são separados, há anos, meu pai até que é gente boa, mas casou de novo e não temos muito em comum, minha mãe é fora da casinha e eu fico com a minha avó, a maior parte do tempo possível ou sozinho.  - Sei bem como é, meus pais são separados também.  - Sério? - Sim. - E você mora com quem?  - Morava com o meu pai, e bem,  agora um pouco na casa de cada um.  - Isso é bem complicado, essa coisa de duas casas e no fim a gente não se encaixa direito em nenhuma delas... - A verdade é que a gente complica as coisas, eu só quero simplificar - mas senti meu peito apertar um pouco quando pensei sobre não se encaixar direito em nenhum lugar. - Interessante você pensar assim... Quando é que nós vamos correr? - Quando você quiser - não sei porque respondi aquilo, não podia ser tão fácil. - No sábado? - ele perguntou.  - Tudo bem - de novo? Eu não sabia mais me comportar e precisava facilitar tanto as coisas? - Nós podemos ir correr no East Garden ou você pode me dizer onde mora, e pensamos em algum lugar que fique bom pra você.  - Ah, não, no East Garden está ótimo - eu estaria lá no fim de semana mesmo.  - Então, te encontro no Flynn's e nós saímos de lá?  - Pode ser - o Flynn's era uma lanchonete que ficava há dois quarteirões da casa do pai, então, seria perfeito.  - Então está combinado. No sábado, seis horas no Flynn's.  - Combinado, então. Até sábado.      Larguei o meu celular dando um surtinho, escovei os dentes, coloquei meu pijama e fui dormir, como uma pessoa normal. Era verdade o que Daniel tinha dito, que o colegial era selvagem, então eu precisava estar descansada para o segundo round da semana. Dormi logo que me deitei sonhei toda a noite com o meu crush sem nome.       O segundo dia de escola foi melhor que o primeiro, eu já tinha alguns conhecidos, e isso fez com que eu me sentisse mais confiante, mas me incomodei com o fato de que muita gente parecia saber das fotos de biquíni de Mia, menos ela. Aparentemente ela não sabia que todos sabiam, e apesar do que ela havia feito comigo, pensar em fotos minhas de biquíni circulando pela escola não pareciam uma boa ideia, fiquei chateada por ela:  - Preciso dizer pra ela, acho muita exposição, é c***l – disse antes de dar mais um gole no meu suco.  - c***l? Ela foi muito c***l - Phill disse no mesmo minuto, parecendo não acreditar no que eu tinha dito - podia ter causado um acidente, podia ter machucado pessoas.  - Mas entendo o que a Mariah quer dizer - Lindsey interpôs - é muito íntimo.  - Ela fez a escolha dela - Ming rosnou ainda com a boca cheia – e isso ai das fotos é apenas uma  consequência dessa escolha – ele deu ombros – mas você quem sabe.   - Acho que sim, concordo, mas sabem? Ela não pensou direito, ela tá com raiva, com ciúmes também, acho que ela não mediu o que estava fazendo – suspirei – sei lá.   - Você vai tentar ajudar ela? – Lindsey me encarou confusa.  - Não sei - respirei fundo - quem sabe eu converso com ela em casa, conto para ela, ela decide o que fazer.  - Pode tentar, se ela não enforcar você com o cabo do carregador do celular ou sei lá - Phill sorriu - ela não é legal.  - Eu sei disso - sorri - mas esse é um problema dela, não meu. Se ela não me der atenção, juro que eu desisto.  - Está certo – Ming agora sorria – você é legal demais, até com quem não merece.   Nós todos nos separamos na aula de violão - eu subi e os garotos desceram. Havia três pessoas na sala, um garoto simpático com os cabelos caindo nos olhos, outro garoto gordinho que não falava com ninguém e uma menina que era do time de Handebol também. O professor entrou e constatou que "Spencer começou bem, não veio no primeiro dia" o garoto simpático sorriu e eu não pude deixar de notar uma semelhança com alguém que eu havia conhecido: aquele só poderia ser Peter Ivanov, irmão de Daniel e eu sorri quando pensei nisso, porque me fez pensar em meu lindo desconhecido, o que me manteve distraída por todo o período. Eu sabia tocar violão, estava ali para cumprir horário, e foi o que eu fiz. Consegui sair no horário e me considerei feliz de poder chegar em casa e encontrar Mia sozinha na piscina.  - Oi Mia - anunciei antes de me jogar na água.  - Olha só, ninguém chegou ainda então não fala comigo, não me obriga a fazer teatro sem necessidade... – ela revirava os olhos, parecendo enojada somente de ter que falar comigo.   - Tá, cala a boca - encarei ela - é o seguinte: o colégio inteiro está compartilhando fotos suas de biquíni, só pra você saber.  - Como assim? - ela parecia chocada. - Olha, eu realmente não sei para quem você enviou, mas essa pessoa compartilhou - respirei fundo - não somos amigas, te contei para você pelo menos saber do que estão rindo na escola.   - Rindo? – ela estava visivelmente surpresa.  - Sim, tem uns memes, tipo, um canudo plástico com um biquíni... Uma vassoura...   - Isso só pode ser mentira – ela parecia perplexa – está tentando me irritar.  - Não, não é. Se você tivesse amigos, já teria visto.     Dei as costas a ela que em poucos minutos estava furiosa ao telefone com alguém, ela sumiu da piscina logo em seguida. Mais tarde, em meu quarto, ouvi a porta do quarto do Spencer, depois os gritos histéricos de Mia implorando que ele a ajudasse. Desci para buscar a pizza quando ouvi o entregador, mamãe e Brandon tinham um jantar com um cliente, comi no quarto, enquanto terminava uma lição de história que seria para a outra semana. Meu telefone tocou, era o cara, mas eu não sabia o nome dele ainda.  - Alô? - disse distraída. - Oi Mariah, tudo bem? - até a voz daquele cara era perfeita. - Ah, oi, tudo bem e com você? - perguntei. - Normal - ele respirou fundo.  - Normal não parece muito bom.  - Verdade, estou incomodado com umas coisas...  - Uhm, e ai, quer falar sobre isso?  - Quero falar sobre qualquer coisa, menos isso.  - Está certo - franzi a testa e me ajeitei na cama - tá fazendo o que?  - Arrumando o meu quarto - ele riu - um deles, pelo menos, sabe como é, pais separados...  - Sei sim - sorri boba pensando nele arrumando o quarto. - Então... Guardando livros e instalando meu computador. E você? Está fazendo o que?  - Comendo pizza, terminando um trabalho de história e conversando com você.  - Pizza?  - Vai, pode me julgar e me chamar de gorda.  - Não - ele riu alto - na verdade estou pensando em pizza também desde que cheguei, mas tenho treino amanhã cedo, vou deixar para outro dia.  - Certo - comecei a rir - eu como por você.  - Você é  bem c***l, sabia? - Tem gente bem pior do que eu.  - Do tipo?  - Uma garota que mandou cortar os pneus do meu carro.  - Você já descobriu quem foi? Foi muita irresponsabilidade, você denunciou?  - Na verdade eu não quero complicar as coisas...  - Entendo. Minha irmã teve problemas na escola também...  - Nossa, sério? Que chato, o colegial é selvagem demais as vezes.  - Com certeza é - ele riu - o Daniel que dize isso, e bem, vou deixar você fazer seu trabalho, gostei de falar com você, Mariah.  - Eu também gostei de falar com você... - E eu posso te ligar amanhã?  - Pode, com certeza - respirei fundo - mas você ainda não me disse o seu nome, estranho.  - Ah, verdade - ele riu - meu nome é Spencer, boa noite.  - Boa noite - foi tudo o que eu consegui dizer.      Senti um arrepio na espinha: não podia ser verdade. De todos os caras de Los Angeles inteira, não podia ser ele. Era muita coincidência r**m em uma mesma semana, eu não podia ser uma pessoa tão sem sorte na vida amorosa. Quando amanheceu e eu não tinha dormido nada, apenas tinha pensado e chorado um pouco, escutei um ronco de motor e corri para a varanda: em direção ao portão ia a Jeep Renegade preta, era com certeza o mesmo Spencer.      Totalmente desiludida e infeliz, desci as escadas, dei bom dia para minha mãe e Brandon:  - Ah, querida - mamãe parecia ter lembrado de alguma coisa - vamos ter uma "festinha" na sexta-feira à noite, para comemorar nosso noivado - eu sabia do noivado - você pode ficar não é mesmo?  - É claro - não iria correr com ninguém mesmo - sem compromissos.  - Pensamos em passar o fim de semana no chalé do pier, o que você acha?  - Por mim tudo bem - enfiei outro pãozinho de queijo na boca.  - Está tudo bem mesmo? - Brandon questionou olhando para mim  - Você está estranha...  - Com certeza - respirei fundo - só não dormi direito.  - Spencer fez muito barulho?  - Brnadon perguntou preocupado. - Ah, não... Nem ouvi que ele estava aqui. - Ele saiu cedo para o treino. Mas vocês se falaram ontem, não? - minha mãe perguntou.  - Não - e era verdade, pelo menos oficialmente - não o vi.  - Spencer é bem complicado - Brandon interpôs - vive para cima e para baixo, fala pouco e tem poucos amigos, pode ser meio agressivo as vezes...  - Legal - sorri sem graça - ele deve ser adorável. Bem, eu preciso ir, bom dia pra vocês.  - Bom dia - eles responderam em coro.      Pude ouvir antes de sair Brandon questionando minha mãe "será que está tudo bem com ela" e minha mãe respondendo um "não sei o que te dizer" para logo os dois rirem. Eles nem desconfiavam do tamanho do meu problema. Eu havia combinado de buscar Lindsey em casa, o que foi bom, porque assim pude contar para ela que o meu crush lindo e maravilhoso era, na verdade, o irmão da Mia, filho do meu padrasto.  - Garota, ele é o Crush da escola toda – ela me encarou incrédula – de verdade, isso é quase redundante. - Porque é que eu tinha certeza de que você ia dizer isso? - fechei o armário - Eu só não faço a menor ideia do que fazer. Quer dizer, ele estava me dando bola, rolou um clima, mas agora...  - Agora o quê?  - Não posso namorar o filho do meu padrasto.  - Na verdade você pode...  - Tudo bem, então eu não posso namorar o irmão da Mia.  - Ai, garota, esse com certeza vai ser o seu verdadeiro problema, ela te odiou, sinceramente, ela nunca vai aceitar isso.  - Eu também sabia que você ia dizer isso - ri um pouco - tá ficando irritante. - Eu normalmente tenho razão - sorriu Lindsey - eu sei que pode não ser legal, mas esse é um dos meus pontos fortes, minha total capacidade de dizer a verdade para as pessoas, doa a quem doer - ela riu - bem, isso me causou problemas com Spencer uma vez, inclusive... - Conte-me mais - disse enquanto fomos caminhando juntas para o laboratório de química onde teríamos a primeira aula da manhã. - Ah, foi besteira - ela disse rindo - um dia ele estava muito gato, e ai ele passou por mim e por uma outra garota, que mudou de escola, Elise Morris - ela colocou as mãos sobre o rosto - que vergonha, Elise disse algo sobre ele ser muito gato, e eu falei, alto demais "Spencer seria muito mais gato se não fosse um b****a" e ele parou, olhou para mim e disse "e você seria muito mais gata se cuidasse da sua vida", eu não esperava por aquilo, quer dizer, nem imaginei que ele tivesse ouvido, então só sai correndo e fui chorar no banheiro - ela riu - bem i****a. - Nossa - revirei os olhos - mas vou ter que concordar - não parecia animada em dizer isso - o Spencer é realmente muito b****a as vezes.     Claro, eu poderia gritar ao sete ventos que ele era o maior i****a, que ele não prestava, que não valia a pena, e absolutamente nada disso mudaria o que eu sentia quando pensava nele e bem, isso estava me torturando agora que eu sabia exatamente quem ele era...
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