Dia 6

1039 Words
É muito irônico eu estar morto e ter que fugir da Morte, que nesse caso é o Ceifeiro, quando vim parar nessa dimensão achava que meu maior problema seria a Dona Morte, mas não, nesse caso tudo o que ela quer é me ajudar a completar minha missão para que eu possa pegar meu ticket e dar o fora daqui, ou como as pessoas costumam dizer “descansar em paz”. É estranho porque mesmo com todo o m*l humor, estou gostando da companha dela, e talvez eu me arrependa de dize isso depois porque essa Morte é muito instável. Paramos de caminhar quando ela me olha, diretamente no fundo dos meus olhos, sem piscar, sei que tem algo errado e olho em volta todo alarmado achando ser o Ceifeiro, mas não, é muito pior: — Carter, sua amiga está em estado grave no hospital. Meu coração dispara e eu fico tenso por um minuto temendo o que ela vai me pedir, mas ela logo me conforta: — Vou te levar para visitá-la. — Muito obrigado! Meu coração aperta com o pensamento de perder Nancy, ela não merece, ela e uma garota incrível, tem um coração enorme e já fez muito por muitas pessoas. Ela é inteligente e carismática e tenho certeza que vai salvar muitas pessoas quando melhorar. Eu preciso correr para pelo menos salvá-la. Morte me deixa na porta de Nancy, e eu hesito antes de entrar temendo o que eu posso ver. Respiro fundo, varias vezes antes de entrar, nesse caso passar entre as paredes e paro ao lado dela na cama. Nancy está deitada, com uma mão na barriga com varias coisas medicas pelo seu corpo, ela está muito pálida e seu rosto está inchado, ela esteve chorando. Aproximo-me da cama e paro ao seu lado, respirando fundo, se eu ainda fosse um humano, eu estaria chorando agora, provavelmente, mas esse meu corpo de agora não responde nem a isso, mesmo eu estando muito triste por dentro. Como se adivinhasse minha presença, Nancy abre os olhos, alarmada e senta, olhando o quarto a sua volta, ela parece bem pior do que da última vez em que a vi, tem dificuldade em respirar e se mexer. Deposito minha mão sobre a dela, e ela arregala os olhos, olhando para a própria mão, nesse momento até eu me assusto. — Carter? Carter você está ai? — Ela pergunta, com sua voz fraca. — Estou! — Consigo dizer, mesmo sabendo que ela não vai me escutar. E, então ela começa a chorar. — Ai Meu Deus, Carter! E-eu... eu sinto sua presença. Você não... n******e ter morrido. Os médicos me disseram que você está hospitalizado, que você sofreu um grave acidente. Eu sei que ela não me vê, mas isso não a impede de falar, Nancy é o tipo de garota que sempre acreditou em vida pós a morte. Quero abraçá-la, quero dizer que tudo ficará bem, mas nem tocá-la direito eu consigo. — Disseram que você está entre a vida e a Morte eu escutei — ela choraminga — Carter, eu amo você, você é a melhor coisa que me aconteceu. O melhor amigo que alguém poderia ter. — Eu também te amo, Nancy. Muito. Então ela começa a chorar e eu estaria chorando com ela se esse corpo ainda tivesse necessidades fisiológicas, mas não, tudo o que eu sinto é uma enorme tristeza dentro de mim. E só. — Eu vou cuidar de você! — Digo — Vou conseguir a sua segunda chance. Você vai se curar dessa doença maléfica e vai se tornar uma garota incrível. Eu acredito! Desejo poder tocá-la, e abaixo minha mão nessa tentativa, quando de repente, minha mão não passa por ela, ao invés disso consigo colocar minha mão sobre a dela. Mais uma vez ela olha e fecha os olhos: — Obrigada Carter. Dou um beijo em sua testa antes de me virar e sair, com Morte esperando do lado de fora olhando de um lado para o outro do corredor, ela me olha e abaixa a cabeça, — Ela ainda tem tempo! — garante. Eu assinto com a cabeça sem saber o que dizer — Já tenho sua próxima missão. Eu não questiono, apenas assino com a cabeça e a sigo, preciso em esforçar se quero salvar Nancy, ela está piorando cada dia que passa. Estamos de frente à um enorme salão e muitas pessoas entram e saem animadamente: adolescentes formandos, comemorando o fim de um ciclo. Eu estava na faculdade antes disso tudo acontecer, em pouco tempo, eu também seria um formando, mas então, estava indo para aquela entrevista e tudo aconteceu, mudando todos os meus planos. Se tem uma coisa que aprendi foi que: se você pode fazer uma coisa hoje, não deixe para amanhã, porque pode ser tarde. Eu ia esperar a entrevista para me confessar para Nancy, no entanto tudo aconteceu muito rápido, mas o que me conforta é ela saber eu amo muito, mesmo que seja como um amigo. Eu sei que ela vai encontrar uma pessoa maravilhosa, ela sempre soube escolher suas companhias. Morte aponta para um adolescente saindo do salão, cambaleando e rindo sozinho, logo atrás vem mais dois adolescentes que não parecem estar em uma situação melhor. Ele caminha até o carro e já seio que vai acontecer. Morte me passa sua foice e isso se confirma: vejo o adolescente entrar no carro e um dos seus amigos tentar pará-lo, mas sem sucesso, pois ele diz que está bem, em seguida os três entram no carro e ele dá partida, mais a frente um acidente de carro e minha missão é ceifar a vida desse adolescente. Me dói muito essa imagem: alguém que poderia ter um futuro brilhante pela frente, acabou de se formar e perder a vida assim, de uma forma trágica sendo que poderia ter evitado se não dirigisse bêbado, e ainda colocou a vida de outras pessoas em risco. Está ai outra lição: nunca dirija bêbado e nunca tome decisões quando não estiver em um bom estado. Meu coração aperta por ter que fazer isso, mas não questiono. Meu humor também não está nada bom. — Sua alma será ceifada! — Digo — descanse em paz.
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