Dia 7

1088 Words
Geralmente quando ceifamos as almas, tem duas opções, a primeira: quando a pessoa já tem seu ticket garantido, sua passagem é direta, como por exemplo, a da senhora da praça, que tinha um coração enorme, a do mendigo, ou do politico corrupto que fez muitas coisas ruins e nesse caso sua passagem foi o inferno e não o céu, e tem a segunda: quando a pessoa está pendendo na balança que é a mesma coisa que meu caso, nem tão bom, mas nem tão r**m: essa pessoa recebe uma chance de se redimir e pagar pelos seus pecados, seja dando uma segunda chance para alguém que está vivo, seja para ceifar as almas e receber uma lição com isso. Quando isso acontece a pessoa também é designada para missões assim como eu para ter sua chance de conseguir uma entrada para o céu, o que foi o caso do adolescente recém formado. Após ceifarmos sua alma, Morte o encaminhou a outra Morte, que o encaminhou para suas missões após todas as explicações. No sétimo dia cumpro a minha missão logo cedo o que me dá um tempo para respirar, Morte nos teletransporta entre as dimensões para cumprir suas próprias missões. Minha v*****e é acabar com isso de uma vez, porém preciso esperar chegar ao decimo dia à meia-noite para assim conseguir minha passagem e a saúde de Nancy. Estamos seguindo para uma UTI para Morte ceifar uma vida e a sigo a todo momento não querendo ficar só. No começo, a achei muito ranzinza (claro depois de achá-la linda), mas percebo que ela se tornou assim por causa do que a vida, nesse caso a Morte exigiu dela. Deixar de sentir as coisas e ceifar todo tipo de vida independente de ser uma criança, adulto ou alguém de idade, mexe com a gente. Ninguém quer fazer isso, posso até não estar sentindo muita coisa nesse momento, mas tenho as memorias dos meus sentimentos e ainda consigo ficar feliz ou triste, confuso ou indignado. E acho que o mesmo se aplica a ela, ter perdido a vida repentinamente e de repente ser obrigada a fazer isso e depois, ter que fugir de uma criatura esquisita que quer te levar para o inferno, não é nada legal. Ela dá as costas para a mesa de UTI e sigo com ela para o corredor, e percebemos tarde de mais: o ar está estranho a nossa volta e parece mais escuro, sinto bem perto do meu ouvido os gritos de almas terríveis que escutei da outra vez e quando viro, bem na minha frente, está o ceifeiro que solta um grito estridente e agarra a Morte com sua mão esquelética. Todas as luzes do corredor começam a piscar como em um filme de terror. Eu entro em desespero sem saber o que fazer, mas parece que não é problema pra ele, pois vira na minha direção e coma outra mão me ergue também. Não consigo respirar e sacudo enlouquecidamente tentando fazer a criatura me soltar e seus olhos estão vidrados na Morte: — Você tem me causado muitos problemas — Diz com uma voz estranha que é quase um sussurro, mas ainda aterrorizante. — Sua alma, me pertence. Você não é mais dessa dimensão. Morte não consegue dizer nada e nem eu, estou tentando chutar ou arranhar a criatura, mas ela é esquelética e mesmo assim muito forte. Ele vira em minha direção: — E você...Não acho que essa dimensão sentirá sua falta se eu ceifar sua vida antes da hora. Sinto muito medo por causa da sua voz e o jeito sem expressão de me encarar, — Não pode... fazer... isso! Não... está na minha hora! — Consigo dizer. Ele ruge como um dragão e então me sinto fraco, percebo que ele encara Morte, mas nesse caso, parece que ele está sugando a alma dela ao invés de ceifar, percebo ela se desfazendo no ar assim como a minha e me desespero mais ainda. Nesse momento enfio minha mão na cara dele e dou um chute meio sem jeito no ar o acertando em algum lugar, sou jogado no chão e levantado rápido, pensando em uma estratégia. Pego a foice da Morte e corro em direção a Morte puxando-a quando a criatura grita, soltando-a, e agarro no braço dela batendo a foice no chão e nos imaginando no jardim. Ela cai no chão quando nos teletransportamos e largo a foice correndo até ela, que está se convulsionando no chão. — O-o que eu faço? — Começo a questionar, assustado. Ela não consegue me responder, está tremendo muito e fico mais desesperado ainda repetindo muitas vezes o que devo fazer, quando a vejo apontando para a foice. Corro e entrego a ela, que segura e no mesmo instante some me deixando só e mais confuso ainda, em questão de segundos ela aparece de novo. — Foi por pouco! — Ela diz, mas percebo eu está com dificuldade em respirar e que há pontos negros espalhados em sua pele como se ela estivesse se desfazendo em... cinzas. — Eu mereço uma explicação. Ela desvia o olhar de mim — Seu tempo está acabando Carter, e o meu também. Não consigo mais me recuperar porque estou usando toda minha energia restante para ajudar você. Não conseguirei me recuperar até que cumpra sua missão. É como se usasse energia por nós dois já que você está por minha conta. — E ele vai continuar vindo atrás! Ela assente com a cabeça. — Temos três dias, preciso te manter a salvo até lá. Até que consiga sua passagem. — E você? O que vai acontecer com você? — Não é da sua conta! — Passou a ser desde que aquela criatura começou a nos perseguir. Ela revirou os olhos — Sejamos sinceros, você sabe o que vai acontecer comigo. — Você burlou as regras, não devia estar mais aqui, então você vai para o... inferno? — Muito esperto. Finalmente! — Não é engraçado! — Retruquei, chocado com a capacidade dela de fazer piada com tudo. — Não, não é. Além disso, não temos tempo para discussão, não podemos ficar muito tempo no mesmo lugar ou ele vai nos encontrar. Vamos sair daqui. Eu a encaro, com raiva. Mas não dela, dessa situação. Não é justo ela ser condenada a ir para esse ugar só porque ela não quis ceifar a vida da própria amiga, não é justo. Quero ajudá-la, mas não sei como. Sei que não vou desistir e tenho três dias ara pensar em algo
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