Capítulo 6

1296 Words
Giovanni Victoria é mais interessante do que eu esperava. Considerando o que sei sobre a família dela, imaginava que fosse do mesmo feitio que o pai: interesseira, previsível, sem qualquer traço de resistência. Mas há uma chama nela que me intriga, uma insolência sutil que eu não previ. Além do investimento no negócio do Romeno e da renda que receberei ao me tornar essencialmente acionista, não considerei muita interação com Victoria além do casamento e de algumas formalidades para facilitar sua adaptação aqui. E, no entanto, cá estou eu, com o batom dela ainda marcando minha boca e um desejo inesperado fervendo nas minhas entranhas. Que mulher. Ela permanece em minha mente pelo resto da noite, mesmo quando volta ao salão apenas para ser vista, não para interagir. Ela me ignora com maestria, concentrando-se em sua amiga, Natasha, como se eu não existisse. Não que isso me incomode de verdade — não preciso da aprovação dela. Mas, apesar das minhas tentativas de focar nos negócios, meus olhos insistem em procurá-la. Felizmente, ela finalmente tem algo para comer e o restante da noite transcorre sem incidentes. O corte do bolo acontece com formalidade. Victoria mantém-se distante, fazendo questão de limitar nossa interação ao mínimo aceitável. Enzo, sempre o diplomata, discursa brevemente sobre o casamento, agradecendo aos convidados antes de encerrarmos a celebração. Assim que os últimos se retiram, encontro Victoria à porta, despedindo-se de Natasha, que claramente bebeu mais do que deveria. Sem hesitar, peço a dois dos meus seguranças que garantam a segurança dela até em casa. — Você não precisava fazer isso — murmura Victoria, ficando ao meu lado enquanto observa Natasha entrar na limusine. — Fazer o quê? — Mandar um segurança com ela. — E arriscar aumentar ainda mais essa lista de ódio que você cultiva por mim? — comento, sem me abalar. — Não, obrigado. Além disso, todos os outros convidados receberam escolta. Não faria sentido deixar o "uma convidada" voltar sozinha pra cidade. Ela me lança um olhar semicerrado, como se ponderasse um comentário ácido, mas no fim opta por um bocejo contido. — Estou cansada. Aceno para um dos guardas. — Acompanhe Victoria até o quarto. — Não preciso de escolta para encontrar uma porta. — Vá logo. Volto em breve. — Aonde você vai? — A exaustão parece desaparecer, substituída por curiosidade. — Resolver algumas coisas. E, francamente, lidar com esse vestido impossível de tirar não parece algo que você queira fazer na minha frente. — Tanto faz. — Carrancuda, ela se afasta e sobe as escadas sem esperar por mais explicações. Observo-a desaparecer antes de seguir por um corredor que leva ao meu escritório. Enzo ergue uma sobrancelha ao me ver, mas não diz nada, apenas abre a porta e se afasta. Lá dentro, como esperado, Romeno Catalano me aguarda, afundado no sofá de couro com um charuto apagado nos dedos. — Fumar mata, Romeno. Apaga essa merda. — Você mesmo deu de lembrancinha, ora — ele rebate. — Não era pra fumar? — Não aqui. — Lhe lanço um olhar fulminante. Ele apenas suspira, esmagando o charuto com o sapato enquanto me posiciono atrás da minha mesa, abrindo as janelas para dissipar o cheiro. — O que você quer? — Vim garantir que você vai cuidar da minha filha. Solto uma risada seca. — Deveria ter pensado nisso antes de vendê-la pra mim. Não é agora que os termos vão mudar, Romeno. — Isso estava implícito no acordo. Eu a quero segura. Foi por isso que fiz isso. — Não foi essa a impressão que me passou. Na ocasião, tudo o que lhe interessava era o dinheiro: para salvar seu negócio, garantir seu lugar no mercado farmacêutico, manter seu nome relevante. Termos e promessas sobre sua filha não foram mencionados. Romeno se remexe desconfortável, franze a testa até que seus olhos desaparecem sob as sobrancelhas espessas. — Não ouse sugerir que não me importo com a minha filha. Ela é a única coisa que importa. — Então fez um péssimo trabalho demonstrando isso. — Cuidado com o que diz, garoto. — Eu toNatasha cuidado você também, Romeno. Você bebeu, está emotivo — sua atitude quase me diverte. — Mas entenda: tratarei Victoria como achar melhor, dentro dos termos que você negociou. A não ser que meu dinheiro tenha perdido valor para você? Ele silencia, lutando contra as próprias escolhas. A retrospectiva é c***l e, por um momento, vejo um homem dividido entre o orgulho e o arrependimento. — Peço desculpas — cede ele, afinal. — Emoção do dia, entende? — Natural. O primeiro pagamento estará na sua conta amanhã. Vá pra casa, Romeno. — Ergo o queixo, indicando a porta. — A menos que queira ver Victoria antes? — Não, não, está tudo certo. Boa noite. E parabéns. — Boa noite. Observo-o sair com um peso incômodo no peito. Há algo em Romeno que me desagrada profundamente, além da óbvia transação envolvendo sua filha. Talvez seja a Timóteo andade com que tratou tudo isso. Enzo me avisa que cuidará da volta dele, e fico satisfeito. Não podemos correr riscos, especialmente em noites como essa. O fato de tudo ter ocorrido sem problemas hoje não me tranquiliza. Pelo contrário, me deixa desconfiado. Em nosso meio, sossego demais costuma ser prenúncio de tempestade. Pretendo verificar as coisas, mas, quando abro as câmeras de segurança no segundo monitor, perco o foco imediatamente. Victoria está no centro do quarto, lutando com o fecho do vestido de noiva. A cena é hipnotizante — ela se contorce, puxa, xinga em silêncio. Qualquer outra pessoa pediria ajuda. Ela, não. Teimosa. Persistente. Fascinante. Quando finalmente se livra da peça, sua reação é tão espontânea que quase me faz rir: joga a cabeça para trás, os lábios entreabertos em uma expressão de satisfação silenciosa. O vestido cai no chão, e ela o afasta com um chute. A visão de suas curvas reais, livres da opressão do tecido, me atinge como um soco no estômago. O desejo me acerta com força bruta. Meus dedos encontram o zíper das calças quase por instinto, libertando a rigidez dolorosa que lateja entre minhas pernas. Não consigo desviar o olhar enquanto ela passa loção nas pernas, lenta e meticulosamente, massageando os músculos com dedos longos e elegantes. Imagino minhas próprias mãos ali, substituindo as dela, sentindo sua pele, explorando cada curva. Ela continua se despindo — ela tira o sutiã, acaricia os s***s, desliza as mãos pelas costelas, e meu autocontrole desaparece por completo. O orgasmo me atinge sem aviso, uma descarga potente e urgente que m*l consigo conter. O nome dela escapa dos meus lábios como um grunhido enquanto me limpo às pressas. Mas Victoria não termina ali. Quando a vejo se deitar e deslizar a mão sob o lençol, a provocação se torna insuportável. Ela se toca... sozinha. Sem mim. Isso não vai acontecer. Subo as escadas decidido, invado o quarto sem cerimônia. Victoria salta como se tivesse sido pega em flagrante, corando até a raiz dos cabelos. — Que diabos? Você não sabe bater? — Por que bateria para entrar no meu próprio quarto? — Seu quarto? — Ela arregala os olhos. — Disseram que era onde eu devia dormir. — E acertaram. Vamos dividir esse quarto. — O quê? Isso não significa que devemos dormir na mesma cama! — Você pode dormir no chão, se preferir. Eu vou dormir aqui. Largo minha gravata, depois o paletó, e quando começo a despir a camisa, os olhos dela vacilam, incapazes de resistir. Ela finge desdém, mas as bochechas coradas a traem. Quando finalmente me deito ao lado dela, com o corpo relaxado, percebo que sua inquietação só aumenta. Ela zomba, irritada, mas não ousa se mover. E eu sorrio. Porque, no fim das contas, o jogo acabou de começar.
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