Amada mamãe

1951 Words
HADES   Acordei com o sol em meu rosto causando-me desconforto pela quentura, grunhindo quando percebo que não vou conseguir permanecer dormindo levanto xingando a maldita bola de fogo. Estava me sentindo bem, a anos não dormia tão confortavelmente. Observando o quarto no qual estava e bufando ao perceber que não era o meu mas sim o quarto do queridíssimo boneco Ken, ainda que aquele quarto fosse muito mais minha vibe, um quarto completamente preto com detalhes vermelhos, nunca estive em um motel porém suponho que seja assim. Sem sentir-me acuada, começo a fuçar entre suas coisas, em seu armário existia uma repetição de cores escuras. Lucifer parecia bem mais uma versão estereotipada de vampiro e não um lobisomem quente. Abro suas gavetas procurando algo interessante quando escuto a porta ser aberta pouco antes de ver o boneco ken de gelo entrar vestindo pela primeira vez algo além de ternos. Uma calça moletom e uma regata da mesma cor que todo seu quarto. Ele olha para mim com uma sobrancelha levantada, por outro lado apenas me limito a lançar-lhe um sorriso largo antes de fechar a gaveta que continha alguns cadernos de aparência antiga. Era hora de voltar ao meu quarto e tentar me fundir com minha cama.  Movo-me em direção a porta, lhe ignorando, porém antes de alcançá-la escuto sua voz calma e fria como um iceberg. —Arrume-se e encontre-me na sala. — Ordena como o maldito dono do mundo.  …   Ele está fazendo malditos abdominais como se estivesse fazendo algo ridiculamente fácil. Isso sem mencionar a maldita visão do paraíso que estou presenciando.  Cruzo meus braços apoiando-me no batente da porta, a sala de exercícios era moderna diferente de todo resto da casa que não tinha um sequer eletrônico tirando a geladeira e o fogão. Eu sabia, ele é um rato de academia, essa era a única explicação para aquele monte de músculos, bem isso e esteroides. —Quanto tempo você planeja ficar ai babando?.— Pergunta interromper as abdominais para falar. Ele sequer me olhou, suponho que seja mais uma das coisas de lobisomens. —Posso ficar aqui olhando o dia todo, meu amor, a visão está maravilhosa.— Murmuro sorrindo para ele sem me incomodar em falar a verdade já ele por outro lado para de fazer as abdominais e olha-me pela primeira vez desde que entrei.  Observo quando ele se levanta e vem em minha direção, ele sequer estava a soar, ao menos seu abdômen não estava, já que meus olhos estavam colados no tanquinho bem definido. —Você não tem vergonha?.— Pergunta levando a mão a meu queixo e levantando para olhar  seu rosto já que sequer me dei ao trabalho de olhar seu rosto. —Você realmente não me conhece, não é mesmo?—  Indago com um sorriso nos lábios. Deslizei meu dedo indicador sobre seu tanquinho enquanto abro um sorriso ainda maior. — Você é realmente um boneco Ken de gelo.  Observo seus músculos ficarem tensos quando ele se distancia como se minha pele estivesse queimando a sua. —Vamos logo começar. — Ordena arrancando-me um suspiro preguiçoso, estava me iludindo sobre uma boa vida sem precisar fazer qualquer esforço para isso. Ele vai até um armário pegando luvas de boxe pretas e as jogando em minha direção antes de puxar-me para ficar de frente para um saco de boxe. Resmungo enquanto coloco as luvas com certa dificuldade, mesmo com sua ajuda.  — Pelo que vi você sabe socar. — Murmura dando dois tapinhas no saco de box à minha frente. Após alguns segundos ele me pede para que socasse suas mãos desprotegidas. —Para começar vamos fazer você ficar com raiva. Fala e bate sua mão em minha testa e volta para a posição de antes, repetindo esse movimento sempre que minha guarda se abaixa. Permanecemos nisto até cansar. —Que estranho pensei que seria fácil.— Murmura enquanto tiro as luvas de boxe com os dentes, sem afastar meu olhar dele. —Vou tentar levar isso como um elogio boneco Ken.— Devolvo enquanto me afasto para beber agua. — Se quer saber o motivo de não ser tão fácil, minha progenitora, me segurei por anos para não espancar ela colocar ela de cabeça pra baixo amarrada em uma árvore com formigas saúvas e deixar ela lá por umas quatro horinhas e depois voltar e começa a tacar ovo nela,  e então lá fedendo a noite toda até dar a hora de comer ai eu comeria uma coxa de galinha bem suculenta na frente del...— Era uma vingança por ela me abandonar na floresta que planejei ainda com meus 14 anos, suponho que nunca terei coragem para machucá-la realmente apesar de toda raiva que sinto. E mesmo sem querer admitir, talvez aquela raiva que me acompanhou fosse algo além de mágoa e sim minha forma de responder ao medo que tinha dela, ao menos era isso que meu melhor amigo costumava dizer. —Entendi não precisa continuar.— Me interrompe roubando a garrafa de água de minhas mãos. — Ou seja, sua mãe é a única que pode irritar você?.— Pergunta e eu afirmo com a cabeça indo enquanto saio da sala de treinos e vou em direção a cozinha sedenta por algo que me alimente. Sobre a mesa vejo algumas frutas que não pensei duas vezes em pegar e morder. —Progenitora. — Corrijo a última parte com a boca cheia, sem importar-me em fechar a boca para mastigar enquanto desfruto a aversão em sua face. Vejo ele sumir e logo voltar usando novamente uma camiseta e com uma chave de carro em sua mão esquerda. —Onde vai?.— Pergunto a ele enquanto me apoio na bancada da cozinha. — Nós vamos visitar sua amada mamãe.— Ri com a doce voz que ele usou ao se referir a ela. —Não, Tampouco amanhã, nem nunca. —  Rebati perguntando-me se fazer tanto exercício fez faltar oxigênio em seu cérebro. —De jeito nenhum eu vou ver aquela velha. — Tudo sai da minha boca com um único sopro de ar. Ele se aproxima sem demonstrar qualquer reação e me pega como um saco de batatas sobre seu ombro musculoso e anda até a garagem. —Nem pense em fazer isso! — Grito enquanto sinto o sangue ir todo para meu rosto. — Seu boneco Ken sem cérebro! — Xingo debatendo-me enquanto me pergunto onde foi toda aquela força de Super-herói de ontem. Ele abre a porta do carro e me joga  dentro dele.  Tento sair de todas as formas possíveis, mesmo tentando fazê-lo parar o carro à força, porém quando percebo já estamos na frente da casa dela. Meu coração acelera enquanto observo a casa. —Desça.— Ordena fazendo meu corpo se movimentar sozinho. —  Não volte. — Quando as palavras abandonam sua boca sinto minha garganta fechar, como assim não voltar? ele vai me abandonar neste inferno depois de me mostrar como é dormir em uma cama e ter três refeições ao dia? —  Não saia de casa. Vejo que seu carro está estacionado em frente a casa e não preciso de mais que isso para saber que ela está na casa. Suspiro tentando controlar meu corpo, porém não parece funcionar já que quando vejo estou dentro de casa. E lá estava ela, lendo a bíblia vestida como sempre, uma saia uma blusa que cobria tanto quanto poderia além do cabelo preso, meu cabelo era a única coisa que tinha herdado dela, um cabelo escuro como a noite. Quando ela percebe minha presença, posso ver a aversão em seu rosto. Quando estava fora de casa sempre me perguntava se era real, se ela realmente me odiava, tudo o que ela fazia para me manter longe era tão irreal que sempre achava que estava apenas inventando, porém toda vez que chegava e ela me lançava aquele olhar sujo eu entendia que era real. —Eles já te mandaram de volta?  Ele já conseguiu o que queria de você, presumo. -- Após poucos dias sem minha língua afiada, demorou alguns segundos para que pudesse reagir a ela, pronta para machucá-la com minhas palavras fosse verdade ou não o'que saia de minha boca. —Não sou como você.— Não precisei dizer mais nada para que ela entendesse o que significava. —Bem, como eu falei, você se foi, e não vou te aceitar — Declara antes de levantar e pegar-me pelo braço tentando me arrastar em direção a porta. Vejo o lenço separando minha pele da sua e me seguro para não rir —Volte de onde você veio ou vá para um abrigo, eu não ligo.— Puxo meu braço em um movimento violento e começo a andar pela casa sabendo que isso irá provocá-la, ela me achava suja e odiava que tocasse em suas coisas saísse de “meu quarto”   Ela me segue pela casa tentando me impedir de tocar em suas coisas enquanto tenta me impedir de avançar. Paro do lado de um vaso e uso apenas um dedo para fazê-lo cair quando ela empata a passagem do corredor com seu corpo. —Sabe, quando pequena eu não entendia o motivo de você não me amar, não entendia o que eu teria feito de tão errado para que você me abandonasse na floresta como joão e maria. — solto um longo suspiro.— Mas sabe ? Demorou mais tempo ainda para perceber que a culpa não foi minha, eu não fiz nada de errado e lamento por ser sua filha, porque eu sinto nojo de alguem que faz o que você fez com sua filha, deixa-me sem comer e beber, abandonar-me na floresta, em shoppings e em todo maldito lugar que você achasse perigoso. Eu era uma fodida criança que só queria seu maldito amor, mas sabe? não se preocupe agora eu te odeio e espero que você pague por ter fodido minha cabeça, que pague da forma mais dolorosa que é possível, vivendo sozinha. ninguém nunca vai te amar, não como um dia eu amei, acha que não sei o motivo de realmente nunca ter me enviado para um orfanato? Você queria que eu voltasse ou você não teria ninguém, já que na sua maldita cabeça de alguma forma isso faz sentido. — Suspirei penteando meu cabelo com os dedos enquanto pigarreava, podia ver seu rosto desabar conforme as palavras saiam de minha boca— Simplesmente tenha uma vida longa e solitária. Minha mão deslizou na parede e vi ela se aproximar para tentar me impedir de continuar tocando em sua parede, porém levantei o braço a empurrando. —Você acha que é diferente de mim? ninguém nunca te quis por perto! Apenas fazemos isso por obrigação e assim que você completar 18 boa sorte para viver sozinha. — Conforme ela falava sua voz ia ficando mais alta e fina. — Pois nesse momento todos vão te largar assim como me largaram quando meus pais morreram! — Ela grita e eu saio de casa com toda a raiva que posso ter em meu coração, eu simplesmente queria sair de perto dela e daquela casa que tanto me sufocava. Quando coloco meus pés fora de casa vejo o boneco Ken sair do carro e vir em minha direção. Ele ainda estava lá. E então percebi que tinha desobedecido suas ordens. Ele é diferente?...  Está aqui pois tem uma obrigação?  Penso mesmo sem querer. Eu não tinha raiva, só desejava a vingança a tal ponto que o prazer pelo susto e tristeza em seu rosto havia me causado prazer. Vejo o sorriso se formar em seus lábios enquanto encarava-me profundamente. Podia sentir algo errado em meus olhos, porém não disse nada.   — Perfeito...
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