Samantha
Eu venceria Lee Wynn, mesmo que isso me matasse.
Voltar ao set depois de tudo o que aconteceu no meu trailer exigiu mais de mim do que eu queria admitir. Ainda assim, joguei-me na cena com tudo o que tinha. Enquanto Lee zombava de mim em meio às falas, ele acabou liberando nossa equipe para filmar em estúdio. As cenas mais importantes ficariam para depois, em locação. Por ora, focaríamos nas tomadas fechadas.
Não importava o quanto eu tentasse me concentrar no trabalho — eu sentia Dylan atrás de mim. Reconfortante, mas ao mesmo tempo, profundamente perturbador. Não seria profissional procurá-lo entre as tomadas, mas ele sempre estava lá, no limite da minha visão periférica. Bastava isso para me dar coragem.
— É isso aí por hoje, pessoal! — Lee finalmente gritou, e eu respirei fundo pela primeira vez em horas.
Entreguei meu figurino, e o cabeleireiro se dedicou a remover cada um dos quarenta e sete grampos do meu cabelo. Enquanto atravessava o estúdio, já sem a tensão das câmeras, ouvi a voz de Lee ressoar pelas paredes, distribuindo ordens e lembretes à equipe.
— E você — ele apontou para mim conforme eu passava — é melhor ajeitar esse cabelo.
Ele virou as costas para ir embora. Eu deveria ter deixado pra lá... mas não consegui.
Endireitei os ombros, como Dylan me ensinou.
— Com licença, Sr. Wynn?
Ele se virou, franzindo a testa.
— O que você quer?
Respirei fundo, buscando compostura.
— Você e eu vamos trabalhar juntos, e estou empolgada com isso. Sempre admirei seu trabalho, mas não vou aceitar ser tratada como fui hoje.
Lee cruzou os braços, desafiador.
— Sério?
— Sim, é sério. — Minha voz não tremeu. — Eu me recuso a trabalhar com alguém que acha que humilhar atores faz parte da direção. Se eu estiver errando, me corrija. Me oriente. Mas se me insultar de novo, vou acionar meu representante sindical e deixar que ele resolva isso com a produtora.
Antes que ele pudesse responder, virei-me e caminhei em direção a Dylan, que me esperava com um sorriso largo no rosto. Aquele tipo de sorriso que um garoto dá quando vê sua heroína ganhar uma batalha.
Ele era enorme, montanhoso, mas naquele momento parecia um menino orgulhoso.
Seus olhos varreram meu corpo com carinho. Ele já tinha me tocado... mas nunca me visto nua. E eu queria tanto que visse.
— Que f**a, Srta. Sands — disse ele quando me aproximei.
— Só estabelecendo limites saudáveis, Sr. Evans.
Ele colocou a mão firme na minha lombar enquanto saíamos do estúdio. Um simples toque... mas parecia uma armadura. Com ele atrás de mim, eu podia enfrentar qualquer coisa.
Lá fora, um SUV preto e imponente nos aguardava. O vidro traseiro desceu e London espiou.
— Se fizer referência a Meninas Malvadas, eu revogo oficialmente seu cartão de homem — gritou Dylan, e o jeito como London mordeu o lábio denunciava que ele tinha sido exposto.
Dylan me acompanhou até o outro lado do carro e abriu a porta para mim.
— Obrigada — murmurei, inclinando-me para beijá-lo rapidamente antes de me juntar a London no banco de trás. Flynn estava ao volante.
— O que vocês aprontaram hoje? — perguntei, acomodando-me.
— Finalizamos seu plano de segurança — disse London. — A produtora está... preocupada com o incidente do tijolo. Eles querem garantir sua proteção.
Flynn bufou.
— Eles querem garantir o investimento deles.
— Contanto que ela esteja segura — disse Dylan, acomodando-se no banco da frente. — Não me importo com os motivos.
Concordei. Não importava por que estavam fazendo aquilo, contanto que funcionasse. Eu queria estar segura — e queria mantê-los seguros também.
O carro partiu sob o céu crepuscular. Um toque sutil na minha coxa chamou minha atenção. Olhei para baixo. A ponta dos dedos de London deslizava pelo recorte da minha calça de ioga.
Meu corpo reagiu como se aquele toque fosse eletricidade.
Mesmo que Dylan tivesse dito que eu não precisava escolher entre eles — que podia ter o que quisesse —, eu ainda me sentia perdida. Nunca havia experimentado reações tão rápidas, tão cruas.
A ponta dos dedos virou uma mão inteira, subindo pela minha coxa. — O que está fazendo? — sussurrei.
London não respondeu de imediato, mantendo os olhos em Dylan. — Como está o estúdio? Algum ponto cego?
— A estrutura é simples — respondeu Dylan. — O verdadeiro problema são os trailers. Fáceis de se esconder atrás.
A mão de London deslizou lentamente, alcançando o centro do meu corpo. Um dedo provocou a costura da minha calça. Eu engoli em seco, um pouco alto demais.
— E os trailers? — perguntou Flynn. Todos pareciam distraídos. Meu coração, no entanto, martelava como um tambor de guerra.
Será que ninguém percebe?
Olhei para London. Havia um meio sorriso nos lábios dele. Um sorriso que dizia eu sei exatamente o que estou fazendo com você.
Resolvi jogar também. Abri as pernas, e London emitiu um som grave e abafado.
Enquanto os outros falavam de logística, ele encontrou o espaço entre minha pele e o tecido. Tocou minha b****a nua. Eu me curvei, arfando.
— Você não está de calcinha — ele murmurou.
Dylan olhou por cima do ombro.
— Ela estava mais cedo — disse, rouco. Ver aquele olhar, o modo como ele dizia isso... era demais.
— Garota safada, se livrando da calcinha desse jeito — murmurou London, pressionando o dedo contra meu c******s.
Gemendo baixo, arqueei as costas.
— Tão molhada para nós dois — ele disse alto o suficiente para todos ouvirem.
A tensão no SUV ficou quase insuportável. Quando ele circulou meu c******s com mais força, soltei um grito.
— Por favor... — supliquei, me movendo sobre sua mão.
— Por favor o quê, Samantha? — provocou London.
— Não a provoque, London — disse Flynn, com voz de pedra. — Faça-a gozar.
London curvou o dedo dentro de mim, tocando aquele ponto que acendia meu corpo como fogos de artifício.
— Impaciente — resmungou, e eu gritei, me agarrando ao braço dele.
— Por favor, me f**a, London.
Os dois da frente gemeram. Mas meus olhos estavam cravados nos de London. Ele me beijou como se fosse dono de mim, enquanto seus dedos me levavam ao limite.
Eu gozei com força, desabando contra ele, mas Flynn murmurou: — Ótimo. Agora faça-a gozar de novo.
— Ele está falando sério? — perguntei, ofegante.
London sorriu. E continuou. Segunda vez. Terceira. Meu corpo não aguentava mais. Quando finalmente o empurrei, ele lambeu os próprios dedos como se saboreasse um néctar raro.
— O que foi, Princesa? — perguntou ele, notando meu olhar.
— Faz menos de dois dias... e já me sinto confortável com vocês.
— E isso é r**m? — perguntou London. Ele tocou meu rosto. — Está franzindo a testa.
Suspirei.
— Não é r**m. É só... incomum pra mim.
— Incomum como? — perguntou Dylan, com a voz suave.
— Normalmente, é difícil pra mim... aproveitar. Sinceramente, eu nem sabia que conseguia.
Silêncio.
— Como assim? — London parecia mais sério agora.
— Já tive relacionamentos. Já fiz sexo. Já tive orgasmos. Mas, quase sempre, meu parceiro tirava mais proveito do que eu. Era como se minha satisfação não fosse importante.
— Quantas vezes teve que cuidar de si mesma depois? — ele perguntou, a voz mais baixa.
— Na maioria das vezes — confessei, sentindo o nó na garganta.
Todos ficaram em silêncio. Mas eu senti algo diferente: não era pena. Era raiva. Raiva por mim.
— Tudo bem — falei. — Não é grande coisa. Nem sei por que falei disso.
London me puxou para mais perto e me beijou devagar.
— Quem fez você acreditar que seu prazer não importa deveria ser condenado às piores torturas imagináveis — disse ele. — Qualquer homem que não consegue satisfazer uma mulher não merece tê-la.
Bufei.
— Ok, isso é arcaico. — Levantei-me e fiquei sentada sozinha, criando uma pequena distância entre nós. Ele ainda estava ali, um calor sólido ao meu lado, mas eu não queria que ele pairasse sobre mim como uma sombra. — Eu sou eu mesma — murmurei, mais para mim do que para eles.
— Claro que sim — disse Dylan, com uma pitada de desdém na voz. — Mas não era isso que o London queria dizer.
— Então qual era a intenção dele? — Minha voz saiu mais ríspida do que eu queria. Se estivéssemos de pé, provavelmente eu teria batido o pé, como uma criança contrariada.
London se aproximou de novo, suave, e beijou meu pescoço antes de falar: — Que você foi maltratada no passado... e isso me fere. Porque você merece muito mais do que isso.
Eu quis revirar os olhos — ainda parecia paternalista, ainda parecia ultrapassado — mas a sinceridade no tom dele me atingiu como um soco no estômago.
— Não quero ser injusta com meus ex — confessei. — Eles não eram maus. Não eram abusivos, nem manipuladores. Só... não estavam presentes da forma que eu precisava.
— Então me diga — murmurou London, com a voz baixa e intensa —, quem foi que cuidou das suas necessidades?
O jeito como ele disse aquilo me fez enrijecer. Instintivamente, me defendi.
— Eu sei cuidar de mim mesma. Sempre soube.
Mas a verdade era que eu mesma não sabia o que queria dizer com isso. Era automático. Algo que se diz sem pensar.
Dylan arqueou uma sobrancelha.
— Com que frequência você realmente faz isso, Sam? Cuida de você? Sério mesmo. Ou só lembra que precisa disso quando já está à beira de um colapso?
Fiquei em silêncio. O tipo de silêncio que confirma mais do que qualquer resposta.
Eu não conseguia me lembrar da última vez que me toquei por desejo, e não por frustração. Quando as coisas ficavam difíceis, prazer era a primeira coisa a ser cortada da minha rotina.
— Não é grande coisa — murmurei, tentando convencer a mim mesma mais do que a eles.
— Confie em mim, Princesa — disse London, seu olhar fixo no meu —, é grande coisa.
— Por quê? — perguntei, dessa vez sem sarcasmo. Eu realmente queria entender.
Antes de conhecer esses homens, o sexo era um pensamento distante, algo que só surgia quando se tornava inevitável. Agora, meu corpo parecia viver em estado de alerta constante, como se tivesse acordado depois de anos dormindo.
— Só porque vocês não conseguem imaginar um dia sem... — Comecei, e imediatamente me arrependi.
— Já passamos muitos dias sem — cortou Dylan, de forma seca. — Confie em mim.
Mordi o lábio.
— Eu não quis sugerir nada, de verdade. Só... — Suspirei. — Estou envergonhada. E quando fico envergonhada, viro uma pessoa mesquinha.
— Por que você está envergonhada? — perguntou London, sem soltar meu olhar.
— Além do fato de você ter me feito gozar na frente de dois outros homens? — tentei aliviar com humor, mas ele não aceitou a evasiva.
Fiquei em silêncio por um instante, depois soltei:
— Não estou acostumada a me sentir tão atraída por alguém... ainda mais por várias pessoas... e tão rápido.
— Você já disse isso antes — observou Flynn, a voz baixa e calma. Foi quase chocante ouvi-lo falar, depois de tanto silêncio desde aquele comando devastador: Faça-a gozar novamente.
— Está preocupada com sua imagem? — completou ele.
Bingo.
— Tenho conseguido me manter fora do radar público, e quero continuar assim — admiti, apertando as mãos no colo. — Não quero que ninguém mexa na minha vida privada. Ela sempre foi só minha.
— Nós também não queremos isso — disse Dylan com firmeza. — Nenhum de nós quer ser a razão pela qual sua carreira vá por água abaixo.
Essas palavras me trouxeram alívio, como um cobertor quente cobrindo uma parte do meu medo. Não era uma promessa definitiva, mas era o suficiente para eu me agarrar.
Antes que a conversa pudesse ir mais fundo, percebi que já estávamos entrando no meu bairro. O SUV desacelerou quando passamos pelo portão de segurança, sem problemas.
E, mesmo em silêncio, o carro parecia cheio. De tensão, de desejo, de sentimentos ainda sem nome. E de perguntas que eu ainda não sabia se queria fazer.