Capítulo 7

1490 Words
O tempo passou e quando Bárbara se deu conta já fazia um ano que trabalhava na McCain Corp. Precisava admitir que não tinha do que se queixar. Na verdade, apesar do gênio imprevisível de seu patrão, tudo havia se saído melhor do que esperava e finalmente ela tinha aprendido a gostar de sua nova rotina. Além disso a McNamara Têxteis teve um crescimento meteórico, o que trouxe muitas alegrias para sua família. Chegou o fim do ano, época de divulgação dos índices de desempenho e os resultados não podiam ser melhores. As campanhas elaboradas por Bárbara haviam sido muito bem-sucedidas e as vendas aumentaram espantosamente. "Eu consegui!" - Pensou ela aliviada, enchendo os pulmões de ar e soltando em um longo suspiro, enquanto era aplaudida por seus colegas da diretoria ao término da reunião anual. Sim, ela conseguiu. Apesar de todos os obstáculos e de toda a pressão ela realizou magistralmente o trabalho para o qual foi contratada. Aquilo lhe trouxe imensa satisfação, pois além de ser uma profissional dedicada, para ela era questão de honra retribuir à altura os investimentos feitos por McCain. E para descrever a sensação de vê-lo ali, do outro lado da imensa mesa de reuniões aplaudindo também o seu trabalho, a única palavra que se encaixava era: surreal. Nada poderia ser mais surreal do que o reconhecimento do infalível McCain e ela adorou essa sensação. Tinha atingido seus padrões, superado suas expectativas, mostrou que era capaz e isso era formidável. Atravessou a sala com o intuito de agradecê-lo, mas quando parou em sua frente, ele deu início à conversa. - Meus parabéns, você realmente fez um trabalho digno de nota. - Apresentar um bom trabalho é o mínimo que eu poderia fazer diante de tudo o que tem feito por mim e por minha família. Agradeço imensamente a oportunidade de trabalhar junto à sua Corporação e também pelos investimentos que fez na McNamara. - Ora, não me agradeça. Todos nós lucramos com isso, não é? Na verdade acho que você merece ser recompensada por seus esforços, por isso vou levá-la ao baile. - Disse McCain com um sorriso astucioso. - Como é? - Bárbara perguntou com uma expressão de surpresa. - Isso mesmo que ouviu. Vou levá-la ao baile na sexta-feira. Foi então que Bárbara se deu conta que ele estava falando da festa anual da empresa que ocorreria na sexta-feira à noite. Era um evento prestigiado e muito comentado, do qual ela havia ouvido falar muito antes de trabalhar para McCain. Apenas membros do mais alto escalão da Corporação eram convidados para a noite de gala, além de proprietários e CEO's das mais bem-sucedidas empresas do país. Assustada com a perspectiva de estar nesse ambiente, apressou-se em livrar-se da oferta, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, McCain continuou: - Deixe-me reformular: estou lhe convidando para ser minha acompanhante no baile anual da empresa. Bárbara permaneceu paralisada, sem acreditar no que acabara de ouvir. Ele não só queria convidá-la para o baile, queria que fosse sua acompanhante! Sua mente se encheu imediatamente com um turbilhão de pensamentos. "Acompanhante? O que isso quer dizer exatamente? Ele vai me buscar em casa? Vou chegar com ele? Entrar com ele? Ser anunciada com ele?! Ah não, com certeza terei que dançar com ele! " Aquilo soava como um pesadelo. Estar no centro das atenções junto com Daniel McCain definitivamente não estava em seus planos. Trabalhar para ele era uma coisa, ir com ele à um baile era algo bem diferente. Envolvia mais, uma certa medida de i********e que ela não estava disposta a compartilhar com alguém tão...tão... Não conseguiu encontrar uma palavra que resumisse seus sentimentos. Ele era seu superior, e na absoluta maioria das vezes tinha uma postura impenetrável. Como poderia se sentir suficientemente à v*****e para ser sua acompanhante? Além disso as pessoas falariam sobre isso. Haveria muitos fotógrafos, pois o evento sempre era coberto pela mídia. O que sua equipe pensaria disso? Talvez estivesse exagerando. Talvez fosse algo simples e puramente profissional. Ou talvez não. Não sabia mais o que pensar. - Está pensando em recusar meu convite? -disse ele, como que lendo seus pensamentos. - Não faça isso. Será uma noite agradável, além do mais é uma bela oportunidade de apresentá-la à importantes parceiros de negócios que ainda não conhece. - Para ser franca não sei o que dizer. Não sei se seria apropriado chegarmos juntos ao baile. No fim de tudo somos um homem e uma mulher, acredito que isso geraria comentários nada benéficos a respeito. - Sempre tão sincera. Não se preocupe Bárbara, é uma festa corporativa. Não haverá suposições, lhe garanto. Sou muito discreto em r*****o a minha vida pessoal, por isso todos saberão que algo tão público se trata apenas de uma r*****o de trabalho. Bárbara olhou-o profundamente nos olhos. Não sabia explicar o porquê, mas a expressão de seu olhar não parecia refletir a verdade. Por fim, decidiu que estava exagerando. Era apenas um convite para uma festa corporativa como ele disse, não se tratava de um convite pessoal. E pelo menos desta vez ele a convidou ao invés de impor sua v*****e. Isso era uma evolução com certeza. - Está bem. Aceito acompanhá-lo. - Excelente. Esteja pronta pontualmente às vinte horas, odeio atrasos. - Disse ele. Com aquela frase autoritária, Bárbara percebeu que havia comemorado cedo demais. - E deixe avisado sobre minha chegada na portaria. - Completou. - Como sabe se moro em apartamento e não em uma casa? - Questionou ela. - Sempre sei de tudo. Arrogante como sempre. Mas agora estava feito. Tinha que se preocupar com o que vestir para a ocasião. Já havia estado em eventos de gala antes, mas não fazia a menor ideia de qual era o parâmetro para aquele evento, então decidiu tirar a tarde de folga para comprar um vestido e alguns acessórios. Foi para sua sala para pegar sua bolsa e alguns minutos após entrar, ouviu batidas à porta. - Entre. - Senhorita McNamara bom dia. - Disse a secretária pessoal de McCain ao entrar. - Bom dia Samanta, pois não. - O Sr. McCain me pediu para avisá-la que seu estilista pessoal estará aqui às quinze horas para tirar suas medidas para o vestido do baile de gala. Era sério isso? - Agradeço, mas não será necessário, tirarei a tarde de folga para este fim. - O Sr. McCain pediu para avisar que não aceita um não como resposta, e que esse é um presente da empresa para a senhorita, por seu bom trabalho. Como já havia tido novidades demais para um só dia, Bárbara achou melhor aceitar sem questionar. Um presente da empresa, não dele, então tudo bem. - Ok Samanta, vou esperar. - Obrigada. Pontualmente às quinze horas o estilista chegou, e Bárbara se deu conta de que realmente ninguém se atrasava para atender ao chamado do poderoso McCain. Enquanto tirava suas medidas, Samanta ligou novamente para avisar que mais uma pessoa a aguardava. Desta vez era o representante da maior joalheria da cidade, que trouxe algumas joias para que ela escolhesse a que mais combinaria com seu novo vestido. A secretária disse tratar-se de um empréstimo para o baile de gala, então Bárbara escolheu um colar e um par de brincos discretos - se é que diamantes podem ser discretos. - Pelo menos os sapatos vou poder comprar - Disse Bárbara para o estilista, enquanto lhe entregava a amostra de tecido que tinha escolhido. - Creio que não senhorita. Aqui está o catálogo para que escolha o que deseja. - Respondeu ele entregando-lhe um livro. Bárbara olhou-o surpresa. - Acho que poderei escolher ao menos minha maquiagem e cabelo então. - Disse com um sorriso. - Claro senhorita. Nossa equipe de cabeleireiros e maquiadores a visitará no horário que preferir do dia do evento. - Certo. - Respondeu ela. Se era assim que tinha que ser, então que fosse. Que mulher se chatearia com um dia de princesa? Na verdade, era até bem engraçado ter tantas pessoas preparando-a para um baile. Parecia algo meio "Cinderela". Bárbara decidiu que levaria a situação com bom humor. Ter especialistas responsáveis pelos detalhes a deixava de certa forma mais segura. Não conseguia deixar de pensar, porém, que tudo aquilo parecia automático demais. Não era à toa que McCain era como uma pedra de gelo. Ter pessoas o tempo todo cuidando de todas as suas necessidades, mesmo as mais simples, era um tanto estranho. "Será que um assistente o barbeia e o veste todas as manhãs como se fazia antigamente?" - Sorriu ao pensar. Não duvidava que fosse assim, mas o que realmente lhe intrigava, era o d****o de saber se existia um ser humano como os outros por baixo daquela armadura de aço. Provavelmente não, concluiu. Pelo pouco que pôde ver de McCain durante o ano, o poder havia eliminado qualquer característica sua que pudesse ser considerada humana. Se é que um dia ele havia tido alguma.
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