- Você enlouqueceu? _ Victoria grita para a loira.
- Me desculpe. Por favor! Eu não sei o que deu em mim. Eu só te vi aí, tão frágil e... Me perdoe, Victoria, eu sempre gostei de você.
- Vai embora, Keila, some daqui.
- Victoria...
- Vai embora. _ Victoria grita, o que assusta a mulher.
- Me desculpe. _ Ela fala baixo e sai do quarto.
Victoria, apesar de não ter nenhuma culpa, estava se martirizando por ter acontecido. Já era suficiente o que ela fez sua amada sofrer. Agora, se ela tinha alguma esperança, a perdera completamente. Seus olhos se enchiam de lágrimas, o pior de tudo é que ela só via a escuridão à sua frente.
- m***a, eu sou uma estúpida, imprestável, i****a. Burra, burra. _ Victoria se xingava aos prantos.
- O que aconteceu? _ Amélia entrou no quarto. – Por que não está em seu quarto? Por que está chorando? Porque a Scar estava daquele jeito?
- m***a.
- Victoria, o que aconteceu?
- Eu... eu... _ Ela só conseguia chorar.
- Por que está aqui?
- Aconteceu algo com o banheiro do outro quarto e me transferiram para cá.
- Certo e o que você fez para a Scar sair daquele jeito daqui?
- Ela entrou aqui e me viu...
- Viu o que, Victoria? _ A n***a estava irritada. Na verdade, ela não olhava mais para a sua irmã da mesma forma que antes.
- Beijando a Keila.
- O que? Você enlouqueceu, Victoria?
- Eu não tive culpa, eu juro. Ela que me beijou no exato momento em que Scarlet entrou. Eu juro, eu não tive culpa, eu... eu a amo, eu sempre vou amá-la. _ Victoria soluçava igual uma criancinha.
- Você tem uma forma bem estranha de amar. Mas que saber, Victoria? Eu desisti de entender quando você insistiu em continuar com essa ideia absurda. Me dói, irmã, me dói muito te ver assim, mas me dói mais ainda saber que a culpa é sua. Eu não vou mais tocar nesse assunto, você fez sua escolha, e Scarlet já fez a dela. Agora vou te apoiar na sua recuperação, é o que importa no momento, depois vocês decidem suas vidas.
- Do que está falando?
- Ah, você ainda não sabe?
- Fale, Amélia!
- A Scar vai embora, ela pediu demissão, colocará o apartamento a venda. Acredito que ela não pense em voltar aqui tão cedo. Ela nunca escolheria outra pessoa a não ser você, porém você deixou de ser uma opção para ela.
- Pare, Amélia, eu já estou sofrendo o suficiente.
- Talvez, só talvez você ainda tenha uma chance. Corra atrás, Victoria, você está cega e não inválida, não será esse gesso que fará você perder a mulher da sua vida. Então se ainda quer ser feliz um dia, é melhor ser rápida, pois aquela ruiva está investindo com tudo.
- Ela me odeia.
- Sim, assim como todos os Cannons, mas aquela latina nunca vai deixar de te amar Victoria. Só você não percebeu isso quando teve essa maldita ideia.
- E se ela não me quiser mais?
- Então você vai à luta, porque se a ama mesmo, não deixará ninguém, está ouvindo? Ninguém tomar o que é seu. Vai lutar até contra si mesmo por isso.
Victoria escutava sua irmã com atenção. O choque de realidade foi c***l, mas ao mesmo tempo necessário. Imaginar outra pessoa tocando a sua mulher era doloroso. Mas então pensou no que Scarlet viu.
- Ela pensa que estou com outra pessoa.
- Então mostre a verdade para ela.
- Como farei isso?
- Eu não sei, Victoria. Dá seu jeito. Só se apresse, pois pelo jeito que as vi do lado de fora, aquela ruiva está preste a dar o bote, Scarlet está tão fragilizada que pode considerar uma forma de escape, se isso acontecer, aí sim poderá ser tarde demais para você.
Elas se abraçam, como há dias não faziam. Estavam superando a barreira do desentendimento. A mais velha ainda estava muito zangada com sua irmã, mas era Victoria ali, sua eterna bebê. O amor entre as Jamison era além da compreensão de muitos.
- Obrigada.
- Só faça valer a pena a chance que o destino está lhe dando.
- Eu farei, mas preciso da sua ajuda.
- É só falar. _ Amélia diz.
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Scarlet chega em sua casa pior do que saiu. O que era para ser uma situação de superação acabou sendo o restante de sua destruição. O que eram pedaços de coração, agora não passavam de cinzas.
- Eu estou aqui, Scar. Juro nunca te abandonar. _ Lilian fala, acariciando o cabelo de Scarlet, aconchegando o corpo da mulher em seus braços. Estavam deitadas na cama da latina.
- Dói tanto, Lili, tanto. _ Scarlet não para de chorar por um segundo.
- Eu sei, Scar, eu sei.
Lilian sofria junto de sua amiga, não suportava ver a mulher que amava daquela forma. Mas sabia que a latina nesse momento só precisava de um ombro amigo para chorar. Assim elas passaram o resto da manhã e começo da tarde. Por cerca das 16:00hs, depois de Scarlet ter conseguido dormir, Lilian a chama.
- Scar. Acorde, baby. Você precisa comer algo.
- Hum...
- Acorde.
Aos poucos Scarlet ia despertando. Acordou desorientada, seu sono era pesado. Ela era uma completa preguiçosa ao acordar. A latina levantou o olhar e percebeu sua amiga com o maior sorriso que poderia existir.
- Lili...
- Sim, estou aqui. _ Scarlet esfrega seus olhos com as mãos e senta-se na cama.
- Me desculpe por te fazer de travesseiro.
- Pode fazer sempre que quiser. Adorei você ter dormido em meus braços. _ Lilian sorri ao lembrar da sensação de ter a mulher tão perto. Scarlet retribui o sorriso. – Você precisa comer alguma coisa.
- Você também. _ Scarlet olha para o relógio que tem perto de sua cama. – Nossa! Eu dormi isso tudo?
- Sim, mas está tudo bem.
- Vamos comer. Pode descer e sinta-se em casa. Acredito que não tenha ninguém. Só irei ao banheiro e desço já para onde você.
- Tudo bem, te espero. _ Lilian beija a cabeça de Scarlet e sai do quarto em seguida.
Scarlet não queria desmoronar novamente perto de sua amiga, mas quando as lembranças vieram novamente, toda a dor veio junto. Ela nunca iria esquecer a cena da mulher que ama beijando outra. Era sofrimento demais, não perdoaria Victoria. Porém ela foi sincera, havia outra pessoa no fim das contas, havia alguém, a morena não a amava mais, então talvez fosse o melhor a se fazer mesmo. Aquilo era uma realidade que a faria viver no sofrimento por um bom tempo. Elas tinham tudo planejado, já haviam falado de morar juntas, casar-se, ter filhos, mas a de olhos verdes jogou tudo fora.
- Por que você fez isso com a gente, Victoria? _ Scarlet falava para si mesma, olhando-se no espelho do banheiro. – Eu te amo tanto. _ E deixou as lágrimas caírem mais uma vez.
Minutos depois Scarlet foi ao encontro de Lilian, tentou ao máximo disfarçar o rosto inchado do choro. A ruiva esquentava uma lasanha que a senhora Cannon deixou para as duas garotas.
- Ei. Olha só, sua mãe deixou para a gente. Eu adoro sua mãe sabia? _ Lilian diz, mostrando a lasanha. – Vem, sente-se aqui, vamos comer. _ A ruiva se sentou à mesa e Scarlet logo a acompanha, porém não tinha nenhuma vontade de comer.
- Estou sem fome.
- Nem pensar, a comida da sua mãe é divina.
- É sério, Lili.
- Vamos fazer um trato. Se você comer, irei te dizer algo, que espero que goste. Na verdade, fiz sem sua permissão, mas...
- Lili, não faça isso. Você sabe que sou muito curiosa.
- Se comer, você saberá.
- Você é má. _ Scarlet diz, sorrindo.
- Você ainda não viu nada.
Scarlet é vencida pela curiosidade. Comeu bem pouco, mas já era o suficiente para seu corpo. Ela passou os últimos três dias se alimentando apenas de vitaminas que Madelyn a obrigava a beber, comida sólida só esse pedaço de lasanha. Depois de algum tempo elas estavam sentadas no sofá e a tevê ligada em um filme qualquer.
- Lilian Garcia, você não fez isso!
- Perdoe-me, Scar, eu só pensei que... me desculpe, sei que foi sem sua permissão, mas depois que falou que queria ir para outra cidade, lembrei do meu tio. Ele vivia me ligando pedindo para eu trabalhar no hospital da família, então falei com ele enquanto estávamos no hospital e você falava com a senhora Jamison. Eu sei que... _ Lilian foi interrompida pelo abraço de Scarlet, ela esperava até um t**a, menos um abraço.
- Obrigada!
- Espera, você não está brava?
- Claro que não, sua i****a.
- Certo, então isso é um sim.
- Isso é um “vou analisar”. Estamos falando de outra Estado, Lili, Los Angeles, do outro lado do país. É uma proposta ótima, mas tenho que pensar. Mas eu agradeço sua preocupação.
- Scar, eu sei que é muito em cima, mas tem um porém.
- Claro que tem, acho que o azar que não tive a vida toda, resolveu vir com força total essa semana. Então vai lá, manda.
- Você tem que estar lá na segunda. Eles estão precisando urgente de uma pediatra. A outra médica irá sair em duas semanas, então se você for assumir terá que ir logo, pois ela tem que repassar toda as informações para a nova pediatra.
- m***a! Lili, estamos falando de três dia. Hoje é quinta. Como irei me mudar assim? Sem mais nem menos? Onde irei ficar?
- Eu sei, Scar, mas eu tenho uma ótima notícia, quer dizer, eu acho que seja ótima.
- Então diga, melhore meu dia. _ Scarlet diz, sorrindo.
- Há duas semanas eu aceitei a proposta do meu tio. Eu já estou sob aviso no hospital. Irei para Los Angeles também. E há dias já organizei um lugar para morar, se quer saber é um apartamento bem espaçoso e que tem “dois” quartos bem legais. _ Lilian fala sugestiva.
- Lilian Garcia, você está me convidando para morar com você? _ Scarlet fala, séria.
- Oh, não, Scarlet Cannon, desculpe quebrar seu coração, mas sou muito nova para selar um compromisso tão sério assim. Porém estou lhe convidando para “dividir” um apê comigo. _ As duas mulheres sorriem.
- Meu Deus, Lili! Você é meu anjo da guarda sabia?
- Então isso é um sim?
- Acho que sim. Eu sei que é uma decisão difícil, e... mas eu preciso disso. Preciso começar do zero, saber que estará ao meu lado me ajuda muito.
As duas sorriem e se abraçam. Lilian nunca se cansará de sentir o cheiro delicioso de morango da sua amiga. Ela faria o possível para Scarlet superar essa fase, esquecer Victoria e quem sabe abrir seu coração novamente, estaria ao seu lado quando isso acontecer, seria seu porto seguro, seu recomeço, sua nova vida.
Quando chegou perto da noite, Lilian foi embora, disse à latina que confirmaria sua ida ao hospital em Los Angeles onde seu tio Adrian Marrone era diretor. O homem era jovem, de vinte e nove anos, porém era competente, o hospital era herança de família. Lilian tinha sua porcentagem nas ações, mas nunca quis morar em Los Angeles. Ela decidira ir depois de perceber que nunca teria Scarlet para si, não suportava ver todos os dias a latina nos braços de outra. Mas agora ela tinha outro motivo para ir embora, teria sua amiga mais perto que nunca e lutaria para conquistá-la.
Quando os pais de Scarlet chegaram em casa, ela contou logo a novidade. Eles de imediato não queriam sua filha longe, mas entendiam o motivo. Queriam Scarlet longe de Victoria, se isso significava outro lugar, eles a apoiariam em tudo. A médica agradeceu o apoio. Quando subiu para o quarto ligou para Janete, que pulou de alegria. A mais velha estava torcendo por um romance entre Lilian e a irmã. Ela sabia que não seria rápido, mas esperava que só o fato de estar longe de Miami, ajudaria para ela superar tudo. Desejou que desse tudo certo e prometeu ajudar com a mudança. Janete não concordava com a venda do apartamento, que a latina tanto lutou para conseguir comprar, no entanto compreendeu a decisão da irmã. Se a fotógrafa sabe da novidade, certa n***a também saberia e consequentemente certa mulher de olhos verdes. No dia seguinte, Amélia estava cedo no hospital.
- Temos um problema. _ Amélia fala, encarando o olhar vago da irmã. Era muito triste ver aqueles lindos olhos verdes perdidos no espaço.
- Qual?
- Scarlet vai embora na segunda.
- Como assim embora, Amy? Para onde? _ Victoria fala, nervosa.
- Não sei, Janete não me disse. Foi um sacrifício arrancar informações dela. Depois que eu falei que iria te dar uma chance ela se fechou em relação a assuntos sobre Scarlet. Então não sei para onde.
- d***a. E agora, Amy? O que farei? Eu não posso sair daqui!
- Vamos dar um jeito, Victoria.
Victoria se sentiu mais inútil agora, poderia perder para sempre sua mulher por estar presa àquela cama de hospital. O sofrimento só aumentava. Aquele maldito gesso a incomodava e aquela sensação de escuridão só piorava a cada dia. Ela nunca iria acostumar-se a isso, no fim afastou a única luz que poderia salvá-la, sua Scar.
Amélia pensou em muitas possibilidades. Mas nenhuma daria certo. Victoria não poderia sair e Scarlet nunca iria ao hospital. A latina evitou o lugar o máximo que pôde. Quando a n***a descobriu que Scarlet viajaria com Lilian, não falou nada a sua irmã, isso só pioraria a sua dor. Ela tinha que pensar em uma forma delas se encontrarem.
Scarlet já tinha tudo pronto para sua viagem. Clarisse agilizou sua documentação, Lilian e Janete a ajudaram a empacotar suas coisas, caixas e mais caixas. No fim, só ficou em seu apartamento os móveis. Ela queria vendê-lo com tudo, a latina não queria nada que lembrasse seu passado sôfrego. Por fim, chegara a segunda, viajariam pela manhã, quase cinco horas de voo, estavam todos os Cannons e Lilian no aeroporto.
- Eu sei que irei me arrepender disso. _ Disse Clarisse, dirigindo o mais rápido que podia.
- Mãe, eu não posso perdê-la. _ Victoria disse do banco traseiro.
- Você fez isso sozinha, Victoria.
- Já chega, mãe. Ela já entendeu a m***a que fez, agora está tentando concertar. _ Amélia disse no banco do carona.
- Só espero que não seja tarde demais. _ Clarisse fala baixo.
- Eu também espero. _ Disse Victoria, suspirando.
Lágrimas e mais lágrimas eram deixadas cair pelos rostos vermelhos dos Cannons. Eles entendiam tudo, mas era impossível não sofrer com a ida de Scarlet.
- Mana, promete que vem nos visitar sempre? _ Alyson pergunta.
- Sim, meu amor, você também poderá ir me visitar.
- Sério? Legal, pode esperar que eu vou.
A latina despedia-se de todos os seus parentes. Madelyn e Alyson eram as que mais choravam. Antony só queria a felicidade de sua menina assim como Janete.
- Espero que cuide muito bem da minha irmã, ruiva. _ Disse Janete.
- Eu vou. Ela será tratada como uma rainha. _ Lilian diz, lançando um olhar apaixonado para Scarlet.
A latina nunca olhara para Lilian com outras intensões, porém, aquela sensação que tivera sob o olhar de sua amiga era nova. Nunca percebera que a ruiva a olhava daquela maneira, mas não iria pensar nisso, ela não tinha cabeça e nem estruturas para pensar em nada mais que não seja sua nova vida, seu novo trabalho, sua nova casa. Tudo que precisava era superar e esquecer.
- Eu amo todos vocês. _ Scarlet disse ao ouvir a última chamada do voo.
Victoria se senta na cadeira de rodas rápido, logo é empurrada por um Amélia atenta aos movimentos para encontrar os Cannons. Mas nenhum sinal deles.
- Por favor, Amy, mais rápido.
- Victoria, eu não os vejo. m***a! Espera...
O coração de Victoria estava quase parado, ela não poderia perder sua mulher, se isso acontecesse se culparia pelo resto da vida. Scarlet era sua metade, ela mesma a mandou ir embora, não poderia suportar perder sua latina, não desse jeito.
- O que? Viu eles?
- Sim, Janete está ali. Mas...
- O que, Amélia?
Victoria não tem nenhuma resposta, mas continua sendo empurrada na cadeira. Quando de repente elas param. O silêncio é horroroso. Victoria não ver nada, mas sente a tensão.
- Tarde demais. _ Janete quebra o silêncio.
- Não, Janete, por favor, me diz que ela ainda está aqui, por favor.
Victoria choraminga, seu peito arde, seu corpo amolece. O sentimento de culpa se torna mais presente, a condição que se encontra não ajuda em nada.
- Desculpe-me, Vic, mas a Scarlet já foi. _ Alyson disse, triste, pois via a tristeza da morena.
- m***a, eu a perdi, eu a perdi, Amy.
- Calma Victoria.
- Victoria... _ Madelyn Chama, porém nota que a advogada não a olha. – Oh, meu Deus! Então é isso. _ A mulher leva a mão à boca, pois não sabia a verdade.
- Perdão. Eu não poderia fazer ela passar por isso, eu não poderia, Madelyn. _ Victoria diz aos prantos.
- Victoria, você fez tudo errado. Ela teria ficado ao seu lado, sempre esteve ao seu lado.
- Eu sei, por isso não poderia deixá-la sofrer.
- Não, Victoria. Você a fez sofrer mais do que qualquer outro motivo. Eu entendo seu medo, mas não apoio. Você fez muito m*l à minha filha, nunca te perdoarei por isso. Você foi egoísta. Ela a teria ajudado, vocês superariam tudo isso juntas.
- Perdoe-me. _ Victoria choraminga.
- O fato de estar nessa condição não muda nada, Victoria. _ Só então o Antony fala. – Vê-la daquele jeito, sofrendo e morrendo aos poucos, era h******l. Se não fosse aquela garota, Lilian, que a convidou para ir junto com ela para Los Angeles, eu nem sei o que teria acontecido. _ O homem estava mesmo temeroso quanto ao futuro da filha com seus dias melancólicos.
- Espera, o que? Ela foi com Lilian?
- Sim, você... Você não sabia? _ O ex-sogro pergunta.
- m***a, Amy, por que não me disse?
- Desculpe. _ A n***a disse baixo.
- Vá para casa, Victoria, acabou, você conseguiu o que queria, ela foi embora, estará longe dessa sua amargura e do seu ar destrutivo. Mesmo que esteja arrependida, é tarde demais, segue tua vida que a Scar vai fazer o mesmo. _ Janete fala as palavras com rancor.
- Amor, não fale assim, ela se arrependeu. _ Amélia defende a irmã.
- Amy, não vou discutir sobre isso com você. Eu te amo, mas estamos em lados opostos aqui. Você tem a sua irmã e eu tenho a minha.
- Tudo bem. _ Amélia suspira, no fim ela sabe que sua noiva tem razão.
Victoria não prestava mais atenção em nada. Só poderia chorar, se lamentar, sofrer. Ela deveria ter morrido naquele maldito acidente. Seria tudo mais fácil para todos, pensa.
- E então? _ Clarisse chega, ofegante.
- Eu a perdi, mãe, para sempre, eu perdi a mulher da minha vida, eu perdi a única pessoa que poderia me fazer feliz.
Todos se comovem com as palavras de Victoria. Vê-la daquela forma era surreal, de coração quebrado, naquela cadeira de rodas e cega. O brilho em seus olhos já não existia. Ela estava sofrendo e nunca iria se perdoar por isso, deixou Scarlet ir embora, todos tinham razão em culpá-la. Era o mínimo que ela merecia, o rancor, a indiferença, o ódio, o desprezo. Sentia isso tudo por ela mesmo, se puniria pelo resto da vida por perder sua Scar, a única que já amou e amará pelo resto de sua vida.