Cap. 4 ACORDANDO

3055 Words
No dia seguinte, Scarlet é acordada por Clarisse. A latina estava com a cabeça encostada na cama, mas em nenhum momento soltou a mão de sua namorada. - Scarlet, querida. Acorde! _ A menor assusta-se e quase vai ao chão. - Victoria! _ Ela grita, pois as lembranças logo vieram. - Ei, calma. Ela está bem, está ao seu lado.             Scarlet olha para sua amada. No fundo queria que tudo não passasse de um pesadelo, mas vendo Victoria naquela cama tão indefesa, não resistiu e as lágrimas voltaram. - Ela não pode nos deixar, Clarisse, eu não consigo viver sem ela. - Eu sei, Scarlet. Ela está bem, nós não vamos perdê-la.               A senhora Jamison abraça sua nora, pela primeira vez se deixa desabar nos braços da menor. Ela passou a noite aos prantos, mas não perto de alguém, agora Scarlet via sua total fragilidade. Elas se abraçam forte, deixando liberar todo o sofrimento por Victoria. Nesse instante o doutor Mendes entra na sala. - Desculpem-me. - Tudo bem. _ Clarisse limpa suas lágrimas e em segundos sua personalidade forte volta. Scarlet conhece bem a sogra para saber como agir perto dela. – O que tem para nós Sebastian? - Certo. Ela está reagindo bem, por isso resolvemos logo tirá-la do coma. Iremos diminuir a medicação aos poucos, se tudo ocorrer bem, em menos de dez horas ela acordará. - Ela corre algum risco? _ Scarlet pergunta. - Ainda não sabemos, senhorita Cannon. Como eu já havia falado, ela está respondendo bem, porém seu cérebro está sob efeito de remédios fortes, só saberemos a real situação quando ela acordar. Sobre a possível perda da visão, também só teremos resultados após o coma. A cirurgia foi perfeita, mas temo que a lesão não possa ser revertida por cirurgia. O processo foi apenas para a retirada do coágulo, mas se a pancada foi tão forte como aparenta, acreditamos que não se possa fazer nada em relação a isso. Mas não perderemos as esperanças. Após ela acordar, realizaremos exames mais detalhados e aí sim, poderemos ter um relatório exato.             As duas escutavam atentamente, saber que Victoria pode ficar cega, é um golpe muito grande para as duas, sabem também que a morena iria preferir morrer a isso. O pensamento dá calafrios em ambas. Perder Victoria não é uma opção e nunca será. - Scarlet querida, vá para casa, descanse. Tome um banho e coma algo. Vi que dormiu na poltrona. Eu ficarei aqui com ela. _ Disse Clarisse, olhando para sua nora. - Eu não vou sair do lado dela. - Scarlet, ela não acordará agora. Como eu disse, só daqui a no mínimo dez horas, isso se ela for reagindo bem com a diminuição dos medicamentos. Vá e descanse. _ Fortaleceu o doutor Mendes. - Tudo bem. _ Scarlet suspirou, sabia que era uma causa perdida. – Mas, por favor, Clarisse, me ligue se acontecer algo. A noite eu volto. Não deixe de me ligar. Amanhã terei plantão, preciso realmente descansar. - Não se preocupe com isso, Scarlet, você tem direto a uma licença, também acredito que ser sogra da diretora tenha suas vantagens. _ Clarisse disse sem esboçar um sorriso. - Tudo bem, mas não quero usufruir disso. Se tudo ocorrer bem, só precisarei dessa semana. Quando Victoria acordar, ela estará bem e voltaremos para casa.             Scarlet tenta soar esperançosa, mas todos sabem que a realidade pode ser duramente c***l. Ela abraça os dois colegas de trabalho e se encaminha para casa. Sabe que precisa estar forte para sua amada, se o pior acontecer, Victoria ficará em pedaços.             Ao chegar em casa é recebida por Madelyn e Antony, os dois logo tratam de abraçar sua filha. Não foram ao hospital a pedido de Scarlet, na verdade, não era necessário, mas estavam tão preocupados quanto todos. - Ela não pode me deixar, mãe, eu não posso perdê-la. _ Scarlet chora nos braços da latina mais velha. - Eu sei, meu amor, eu sei.             Os Cannon’s não sabem o que falar à sua filha. A dor que ela sente não pode ser comparada a nenhuma, o que resta é só consolá-la. Depois de alguns minutos Scarlet vai para seu antigo quarto e se deita em sua cama, lembrando das tantas vezes que dormiu ali com Victoria. Preferiu não ir para seu apartamento, queria ficar sozinha, mas não se sentir solitária em um lugar. Saber que existiam pessoas ao seu redor ajudava na dor. Tomou um banho e logo pegou no sono. Cerca de seis horas depois, às 14:00hs, sua mãe a acorda para ela comer algo, pois não comera há um bom tempo. Depois de alimentada ela liga para Clarisse, mas tudo ainda estava da mesma forma, como dito, os medicamentos estavam sendo diminuídos, aos poucos Victoria ia mostrando sinais de despertar. Scarlet disse que passaria a noite com a namorada novamente, iria dormir mais um pouco, porém no começo da noite estaria no hospital, Clarisse concordou e desligou.             Victoria sentia uma terrível dor de cabeça. Estava desorientada, mas seu pensamento só estava em um lugar, ou melhor, em alguém, sua latina tomava-lhe os pensamentos até em sonho, para ela tudo era um sonho e estava apenas dormindo. - Ela está reagindo bem.             Ela escutou alguém dizer, mas não identificou a voz masculina. Tentava abrir seus olhos, mas tudo era escuridão. O desespero começou a lhe preencher. Ela queria acordar, mas nada acontecia. Então resolveu se acalmar e lembrar-se de algo. Feito isso veio as luzes, o caminhão, o acidente, a dor, as sirenes. A conclusão fora óbvia, ela sofrera um acidente, só poderia estar no hospital. Então nesse caso estava viva, isso era bom. Aos poucos tentou se mexer, mas uma dor de cabeça a atingiu novamente, por isso gemeu um “hum” bem fraco. - Calma, mocinha. _ Essa voz Victoria conhecia. - Ma... mãe. - Tudo bem, meu amor, você está bem. - O... que... acont... - Não se esforce, filha. Você sofreu um acidente, mas está bem. Como se sente? - Cabeça, dói. - Eu sei. Você bateu a cabeça muito forte. - Porque... consigo... abrir... olhos?             Victoria pôde ouvir o suspiro de sua mãe, isso não era um bom sinal, nunca era quando sua mãe demonstrava algum sentimento perto de alguém. - Filha... _ Clarisse tentara mostrar que não estava chorando, mas foi impossível. - Mãe, eu... eu... estou... _ Victoria não consegue terminar.             O desespero tomou-lhe conta. Isso não poderia ser possível, não com ela, não quando estava preste a pedir sua amada em casamento, pensou, assim voltou a lembrar-se de sua namorada. - Scarlet. _ Fala aos prantos. - Ela está bem, meu amor. Passou a noite aqui, mas mandei ela ir para casa descansar, ela não saiu do seu lado um minuto até então. - Eu... não... posso... - Shi, não pense nisso agora. Vamos fazer exames em você. Tudo fiará bem. - Não! Eu... não... quero... ver... Scar. _ A morena se esforçava para formar uma frase. - Victoria, você não pode fazer isso. Scarlet sofreu por cada minuto do seu lado. - Isso... Ela... sofrer. - Claro, minha querida, ela te ama, se fizer isso irá se arrepender.             Victoria não raciocinava direito, só não queria que sua namorada a visse daquela forma, cega. Pensar que nunca mais poderá ver seu rosto, seu sorriso, seu corpo, nada. Isso era terrivelmente doloroso. Não poderia deixar Scarlet passar por isso, não iria permitir que a mulher que amava sofresse por ela dessa forma. - Não... quero. - Victoria... _ Clarisse tenta. - Não!             Victoria se altera, fazendo os bips das máquinas aumentarem. Sua reação assusta Clarisse. Ela sabia que as duas iriam sofrer por isso, mas tinha que respeitar a decisão de sua filha. Minutos depois a enfermeira entra para aplicar algo no soro para acalmar Victoria, a fazendo dormir novamente. Clarisse apenas observa sua filha pacificamente, ela estava arrasada com tudo isso. Já na cada dos Cannons, Scarlet acorda na manhã seguinte horrorizada pelo horário, foi vencida pelo sono e cansaço. - d***a, mãe, por que não me acordou? Inferno! _ Ela estava desesperada, descendo a escada. - Scarlet, acalme-se. Está tudo bem. - E se ela acordou e não me viu? Eu sou uma péssima namorada. Como pude deixá-la sozinha? _ Scarlet já vai pegando as chaves do carro. - Filha. Calma. Se for dirigir assim teremos outro acidente. _ Madelyn fala, tentando soar tranquila. Scarlet suspira, ela sabe que a mãe tem razão, se tivesse acontecido algo, Clarisse teria ligado. - Desculpe. Eu só quero vê-la. - Eu sei, meu amor. _ Madelyn beija sua testa. – Dirija com cuidado e com calma.             Scarlet sai, em poucos minutos estava na entrada do hospital. Na sala de espera, estavam todos, Clarisse, Michael, Amélia, Janete e até Alyson. Ela não saberia definir se isso era bom ou r**m. - Quem está com Victoria? _ Ninguém respondeu, apenas se olharam, todos já sabiam da decisão de Victoria de não ver Scarlet. – Por que estão me olhando assim? Quem está com Victoria? _ Repete. - Ela está fazendo alguns exames. _ Clarisse disse. - Ela acordou? - Sim. _ Todos suspiram. - Isso é ótimo. Eu quero vê-la. _ Disse e já ia saindo da sala. - Scarlet, espere. _ Michael diz. - Não! Eu quero ver minha namorada. - Ela não quer ver você. _ Clarisse disse, rápido. - O...  o que disse? _ A latina fala, gaguejando. - Ela disse que não quer ver você. _ Dessa vez foi Amélia. - Isso não tem graça nenhuma. Eu quero ver Victoria agora. - Você não pode, Scarlet. Ela não pode ter nenhuma emoção forte que afete seu cérebro. _ Michael disse. - Então ela ficar sem me ver não é emoção forte? - Scar... _ Sua irmã mais velha tenta falar. - Não, Janete, isso não é justo. Eu quero ver minha namorada. - Scarlet, ela...             Antes que Clarisse terminasse de falar, Scarlet saiu em direção ao quarto de Victoria o mais rápido que pôde. Todos ficaram sem reação, mas também preferiram deixá-la. Talvez assim Victoria tirasse essa ideia louca da cabeça. Quando Scarlet chegou ao quarto, encontrou a maior sendo colocada na cama novamente. - Senhorita Cannon. _ Doutor Mendes disse. Na verdade, essa foi uma forma de mostrar a Victoria quem estava lá. - Amor. _ Scarlet disse, se aproximando de Victoria. Beijou seus lábios, mas logo notou a diferença, a morena não retribuiu ao toque, a mais nova resolveu ignorar isso. – Como você está? _ Scarlet falou isso chorando, o que deixou Victoria mais arrasada. Ela abaixou seu olhar, assim evitando que Scarlet percebesse sua real situação. - Eu... eu disse que não queria te ver. _ Victoria se esforçou para dizer isso. - Victoria, que loucura é essa? - Eu não quero te ver, Scarlet. - Você... por quê? O que eu fiz? Você não está bem? - Scarlet, por favor. Saia! - Victoria pare com isso. Olhe para mim. _ Scarlet chorava muito. - Senhorita Cannon, ela não pode se esforçar. _ Disse o doutor Sebastian Mendes. - Não! Ela tem que me explicar o que está acontecendo. _ Victoria tinha que falar alguma coisa para fazer Scarlet ir embora, só precisava machucá-la e tudo estava resolvido. - Scarlet, eu não quero mais. Acabou! - Victoria, pare com isso. Você enlouqueceu? Amor, olhe para mim, isso não tem graça. - Scarlet eu... eu conheci alguém, ia terminar com você no dia do acidente. _ Scarlet engoliu seco. Mas que m***a era aquela? Como assim conheceu alguém? Quem? Pensou. - Você... está mentindo.             Scarlet derramava cada lágrima como se essas machucassem seu rosto, porém nenhuma dor física poderia ser comparada à que ela estava sentindo naquele momento. Nada poderia ser mais doloroso que escutar e sentir aquilo. - Eu não quero mais você. _ Victoria soava fria. - Pare de dizer isso. - Vai embora, Scarlet, me esqueça. - Que d***a, Victoria. O que está acontecendo? Por que está fazendo isso? Amor, olhe para mim, sou eu aqui, a sua Scarlet.             Victoria não aguentou e começou a chorar. Estava destruindo o que tinha de mais lindo em sua vida e da pior forma possível, mas, mesmo assim ainda estava convencida de que não poderia fazer Scarlet passar por aquilo, ela não merecia se prender a uma pessoa inútil, pois era assim que se sentia agora. Preferia ter morrido naquele maldito acidente, assim não faria ninguém sofrer por ela. - Eu quero que vá embora. - Victoria, pare. - Vá, Scarlet. - Amor... - Eu... eu não te amo mais.             E com essas palavras Scarlet se deixou cair. Seus joelhos vão de encontro ao chão. Seu coração se aperta em seu peito. Suas pernas não têm mais força. Victoria escuta o barulho, mas logo Sebastian se manifesta. - Scarlet, você está bem? _ Ele a ajuda a levantar. Ela nada fala, mas olha para Victoria. - Eu não sei o que está acontecendo, Victoria. Mas saiba que você está me quebrando, me destruindo. Um dia eu te prometi que a amaria pelos restos dos meus dias, você me prometeu a mesma coisa. Você a está quebrando. Mas eu nunca quebrarei a minha. Vou te amar para sempre. Porém você não me... _ Scarlet suspira, está aos prantos. – Eu nunca vou te perdoar por isso, Victoria, nunca!             Victoria escuta todas as palavras de sua amada. Ela não sabe de onde tirou coragem para falar aquilo, mas era preciso. Só assim Scarlet iria embora. Conseguiu o que pretendia, mas a dor foi ainda maior com as palavras da morena. - Scarlet... - Não! Você quer isso? Ok, eu não quero nunca mais olhar para você. Vejo que está muito bem. Eu passei cada minuto aqui com você. Cada dor que você sentiu eu sentia junto. Cada sonho, tudo. Porém, você me quer longe. Eu irei respeitar isso. Espero que você seja muito feliz, Victoria. Quero que saiba que a culpa será toda sua. Você não consegue nem me encarar, o quanto isso é covarde da sua parte? Pode até ter um motivo para o que está fazendo, mas nada irá mudar, você acabou de destruir o que tínhamos de mais lindo. Espero que essa outra pessoa que eu tenho certeza de que não existe, te faça feliz. Adeus!             Scarlet sai do quarto e se deixa cair no corredor do hospital, acabara de perder a pessoa que mais amava na vida, tudo por culpa de Victoria, seja o que for que tenha acontecido, ela não tinha o direito de falar aquelas coisas. Poderiam enfrentar qualquer coisa juntas. Tudo seria superado, com elas juntas. Mas agora já não existe o “juntas”, se deixa explodir em lágrimas. Sua amada sobrevivera, mas acabara de matá-la. - Scarlet... meu Deus! O que aconteceu? - Tire-me daqui, Lilian, por favor, me tire daqui.             A baixinha ruiva apoia o corpo de Scarlet no seu, ajudando-a a levantar, segurando-a com firmeza. Lilian Garcia era uma grande amiga de Scarlet. Elas fizeram faculdade juntas, conseguiram o emprego juntas no hospital. Porém, Lilian era ortopedista, tinha 24 anos. O que Scarlet não sabia era que a ruiva não a via como amiga, sempre fora apaixonada pela latina, mas sempre respeitara seu relacionamento, notara que elas se amavam. Então nunca demonstrava seus sentimentos. Em trinta minutos elas estavam no apartamento de Lilian, onde Scarlet as vezes ia para aproveitar com a amiga. Agora ela só precisava de um ombro para chorar, foi o que fez deitada na cama da ruiva e deixando-se ser consolada por sua amiga.             No hospital Victoria estava da mesma forma que a latina, a diferença era que ela carregava o sentimento de culpa consigo, isso ela não perderia nunca. Chorava desesperadamente. Sabia que acabara de perder a pessoa mais importante da sua vida. - Satisfeita? _ Essa foi Janete ao entrar no quarto da cunhada. - Você também não. Todos já me julgaram o suficiente. - Que bom que sabe. Eu até gostava de você, Victoria. Mas vejo que você não passa de uma i****a. Eu quero te ver sofrer tudo o que está fazendo com minha irmã. - Você não sabe de nada. - Ah, eu sei. Sei que está sofrendo também, mas para mim não é o suficiente. _ Janete se aproxima da cama e fica bem perto de Victoria. – Sabe quem está consolando minha irmã nesse momento? Claro que não. Você acabara de dar ela de bandeja para Lilian Garcia. - O que você está falando? _ O coração da morena acelera. - Você é tão burra, Victoria. Não sei o que quer com tudo isso. Eu sei que ainda se amam, rezo para que tudo isso se resolva, mas agora estou com tanta raiva, tanta raiva de você que nem consigo sentir pena do seu estado. Está viva, teve uma nova chance, mas o que fez? Mandou embora a pessoa que mais te ama, e por quê? Por medo, egoísmo?             Victoria sente seu peito apertar, seu coração acelerar. O que ela foi fazer? Ela é uma completa i****a, pensa. Suas lágrimas aumentam. - Suas lágrimas estão vindo tarde demais. Eu até poderia entender o que quis fazer, mas me pondo nessa situação, pensando em ficar sem Amélia, meu Deus, eu nem consigo. - Você não entende. - E nunca vou entender. Você foi egoísta, Victoria. Na verdade, seu motivo foi egoísta. Você fez uma escolha que ela deveria fazer. Nós sabemos qual seria a escolha dela, todos sabem disso, mesmo assim você não a fez. Ou achava o que, que quando ela soubesse iria abandonar você? O pior é que você sabe que não. Então, Victoria Jamison, viva com sua culpa. _ Ela fala e sai do quarto, deixando Victoria chorando desesperada. Não havia espaço para arrependimento. Ela fez uma escolha, não voltaria atrás. Mas isso não quer dizer que não estava sofrendo também.             Janete não era uma pessoa vingativa e nem rancorosa. Mas quando ela viu o estado da sua irmã naquele corredor e Lilian a ajudando, sabia o que tinha acontecido, sabia também o motivo. Para ela Victoria foi egoísta, mesquinha e burra. Scarlet nunca a abandonaria. Isso todos sabiam, mas a morena a abandonou. Ela poderia até ser a irmã de sua noiva, mas nunca a perdoaria pelo que fez. 
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