CAPÍTULO 164 CARIOCA NARRANDO O baile tava fervendo. A quadra lotada, o som batendo no peito, as luzes piscando rápido demais, e eu ali, encostado na grade do camarote, com um copo de uísque na mão, fingindo que tava curtindo. Mas na real, nada me distraía. Desde que cheguei, a cabeça não parava nela. Por mais que eu tentasse manter o semblante de quem tava “suave”, o peito parecia uma porrä de tambor batendo. O Juninho vinha toda hora falando com os seguranças, ajeitando as coisas, mas eu só fingia que ouvia. — Tá tudo certo lá fora, chefe — ele disse, gritando pra competir com o som. — O baile tá fluindo bonito! Assenti sem olhar. Dei um gole no copo e continuei observando o povo lá embaixo, aquele mar de gente se mexendo, dançando, bebendo, se pegando. O morro inteiro parecia pul

