CAPÍTULO 36 ALEMÃO NARRANDO E aí, favela… aqui quem fala é o Alemão. Patrão desse morro, dono da visão, e eu vou te contar como essa porrä toda começou. Assumi o morro cedo, cedo demais. Eu tinha só 16 anos quando meu pai morreu numa troca de tiro. Foi bala voando de tudo quanto é lado, polícia querendo tomar o morro, Negø traindo de dentro. Lembro da correria, do sangue, do grito dos menor no rádio. E no meio daquele caos, o meu velho tombou. Ele era minha referência, meu espelho. Não tive mãe não — essa aí sumiu no mundo quando eu ainda era pivete. Foi meu pai que me criou sozinho, na marra, na correria do crime. Ele nunca me escondeu a real: dizia que aqui no morro a lei era outra, que a gente não tinha escolha. Cresci ouvindo o som da rajada, cheiro de pólvora, a correria da boca. E

