CAPÍTULO 93 CARIOCA NARRANDO Nunca pensei que ia ver esse dia chegar. Eu, o Carioca, o cara que sempre falou que nunca ia botar aliança no dedo, agora tava ali — de frente pro espelho, de terno preto alinhado, gravata bem amarrada e o coração batendo mais rápido do que em dia de confronto. Passei a mão no cabelo, ajeitei o relógio e respirei fundo. O quarto tava com aquele cheiro de perfume misturado com o incenso que meu pai acendeu “pra espantar mau-olhado” diz ele. O som lá fora era o barulho do morro acordando, gente gritando, carro passando, moleque soltando pipa. Mas dentro de mim… o silêncio era pesado. Olhei pro espelho e balancei a cabeça. — Caralhø… nunca imaginei que ia me ver assim. — murmurei, meio rindo sozinho. — Pois se acostuma, meu filho. — a voz do meu pai veio at

