CAPÍTULO 161 CARIOCA NARRANDO Tava no QG, o sol já rachando o calçamento lá fora, e eu de cara fechada, conferindo a carga que tinha acabado de chegar. O cheiro forte da maconha misturado com o do pó tomava o ar, e o Juninho anotava tudo num caderno velho, caneta na orelha, do jeito dele. — Essa veio completa — ele disse, contando os pacotes. — Só falta o Neguinho trazer o dinheiro da última entrega. Assenti, sem tirar o olhar das caixas. — Confere de novo o peso antes de liberar, não quero vacilo. Juninho fez que sim, e eu fiquei ali, encostado na parede, tragando um baseado enquanto o rádio da contenção chiava. A cabeça tava em mil lugares ao mesmo tempo, mas no fundo… eu sabia bem qual deles me atormentava mais. Desde que a ruiva tinha ido embora, nada parecia encaixar. A casa ta

