Ryan Walker
O ambiente silencioso do quarto de hospital era quase insuportável. A visão da minha filha deitada naquela cama, com tubos e máquinas ao redor dela, me dilacerava. O tempo parecia se arrastar enquanto eu observava a sua respiração, tão suave, tão frágil. Eu sentia falta de ouvir sua risada, de vê-la correndo em minha direção, gritando "papai" com os braços abertos. Cada minuto ali reforçava a minha raiva e a minha determinação de encontrar os culpados pelo atentado que a colocou nesse estado. Eles tiraram a alegria dela, e eu iria fazer tudo ao meu alcance para trazer justiça, mesmo que isso custasse a minha vida.
Enquanto os meus pensamentos se perdiam em um misto de dor e ódio, senti o celular vibrar no bolso. Relutante, saí do quarto para atender. O número era desconhecido, mas decidi atender mesmo assim.
- Ryan falando. – minha voz saiu firme, embora o meu coração estivesse pesado.
- Aqui é Patrick Harrington. Precisamos conversar. Pode vir até a minha casa?
A ligação de Patrick me pegou de surpresa, mas aceitei sem hesitar. Ele era a chave que eu precisava para me infiltrar no meio dessa família e descobrir o que realmente aconteceu naquele parque.
- Estou a caminho.
Voltei ao quarto, observando a minha filha por mais alguns segundos antes de me despedir. Inclinei-me, deixando um beijo suave em sua testa.
- Prometo que vou voltar logo, minha princesa. – minha voz saiu rouca, carregada de emoção.
O caminho até a mansão foi rápido e tranquilo, embora a minha mente estivesse longe. Quando cheguei, havia seguranças por toda parte e não me surpreendeu. Depois do que aconteceu com Madison, era óbvio que a família tomaria medidas extremas. Caminhei até a entrada, onde fui conduzido à sala principal. A espera foi breve antes de Patrick aparecer, o rosto marcado por tensão.
- Ryan, obrigado por ter vindo. Me acompanhe ao escritório, por favor.
Segui-o sem dizer nada. No escritório, ele me indicou uma cadeira, mas permaneci de pé, encarando-o diretamente.
- Por que me chamou aqui? – perguntei, indo direto ao ponto.
Patrick suspirou pesadamente, passando as mãos pelos cabelos. Ele parecia exausto, quase desesperado. Sentou-se à sua mesa, os olhos encontrando os meus.
- Recebi uma ligação hoje de manhã que me deixou completamente apavorado. – ele fez uma pausa, claramente escolhendo as palavras. – Samuel Morales. Ele não se deu ao trabalho de esconder sua identidade. Disse que vem atrás de Madison.
Meu estômago se revirou ao ouvir o nome. Samuel Morales era conhecido por ser implacável, e se ele estava envolvido, a situação era mais grave do que eu pensava.
- O que exatamente ele disse? – perguntei, cruzando os braços.
Patrick respirou fundo novamente antes de continuar.
- Disse que a minha segurança é inútil, que ele consegue chegar até minha filha quando quiser. – ele hesitou, então me encarou com determinação. – Quero te contratar para proteger Madison. Não confio mais em ninguém para essa tarefa.
Minha mente processava rapidamente. Aquilo era perfeito. Se eu estivesse perto de Madison, teria acesso direto à família e às informações que precisava. No entanto, era preciso agir com cautela.
- Madison concorda com isso? – questionei, curioso para saber a reação dela.
Patrick balançou a cabeça.
- Com ela eu me entendo depois. Minha prioridade é a segurança da minha filha.
Acenei lentamente, fingindo hesitação, antes de finalmente assentir.
- Tudo bem. Aceito a oferta!
Patrick parecia aliviado, embora ainda houvesse uma sombra de preocupação em seu rosto.
Saímos do escritório, e Patrick me conduziu até a sala principal, onde Madison estava sentada. Ela estava acompanhada por sua madrasta, Elizabeth, e outras pessoas que deduzi serem os seus irmãos e cunhada. Quando Patrick anunciou minha presença, os olhos de Madison se arregalaram.
- Esse é Ryan. Ele será o novo segurança de Madison.
- O quê? – a voz de Madison foi alta e indignada. – Pai, eu não preciso de mais seguranças! Já tem um batalhão lá fora. Para que mais um?
Patrick manteve a calma, porém, sua voz firme mostrou que não aceitaria argumentos.
- Porque a ameaça que recebi foi séria, Madison. Não posso confiar a sua segurança àqueles homens. Samuel Morales deixou claro que é fácil chegar até você. Ryan é diferente. Ele é de confiança.
Madison me lançou um olhar irritado, claramente não gostando da ideia. Ignorei a expressão dela, mantendo meu rosto impassível.
- Você tem contatos que possa indicar para reforçar a segurança? – Patrick perguntou, voltando-se para mim.
- Tenho, sim. Posso trazer alguns homens em quem confio.
Patrick assentiu, satisfeito com a resposta. Enquanto ele explicava à família sobre as ameaças recebidas, notei os olhares avaliadores de Madison sobre mim. Ela parecia desconfiada, talvez até ressentida. Não me importava. Eu tinha conseguido o que queria: estar dentro daquela casa, próximo à família Harrington.
Quando Patrick terminou de explicar a situação, a tensão na sala era palpável. Madison ainda parecia incrédula, mas não discutiu mais. Sua madrasta, Elizabeth, lançou olhares para mim que claramente não tinham nada a ver com preocupação pela enteada. Já os irmãos de Madison estavam claramente incomodados com toda a situação, fazendo perguntas incisivas ao pai.
Enquanto tudo isso acontecia, minha mente trabalhava incessantemente. Eu havia conseguido a posição perfeita para descobrir a ligação desta família com o atentado ao parque. Agora, era uma questão de tempo até que as peças se encaixassem.
Madison, no entanto, continuava me encarando. Seus olhos, apesar da irritação, tinham algo mais. Desconfiança? Medo? Não importava. Eu estava ali para cumprir meu objetivo, e nada, nem ninguém, me impediria.