Capítulo 1
Ryan Walker
O sol brilhava forte naquele dia, banhando o parque com uma luz dourada que parecia prometer um dia perfeito. Eu estava sentado em um banco, observando a minha filha, Liza, no balanço. Ela ria, aquele riso inocente e contagiante que fazia tudo valer a pena. Me levantei e fui até ela para empurrá-la no balanço.
- Mais alto, papai! Quero ir mais alto! – ela gritou, com os cachos loiros saltando enquanto o balanço ia e voltava.
Olhei para ela com um sorriso.
- Mais alto? Se eu te empurrar mais forte, você vai voar até a lua!
- Então me empurra! Quero ver a lua de perto! – respondeu, rindo, e aquilo encheu meu peito de felicidade.
Eu a empurrei novamente, garantindo que ela sentisse o vento no rosto. O mundo parecia perfeito naquele momento. Nada mais importava. Só nós dois e o som da risada dela.
Mas a perfeição durou pouco.
O primeiro estampido cortou o ar, um som seco e alto que ecoou pelo parque, como um trovão que ninguém esperava. Eu me virei rapidamente, instinto militar gritando dentro de mim. Pais começaram a gritar, crianças choravam, e o caos tomou conta do lugar.
Meu coração disparou.
- Liza, desça do balanço agora! – puxei-a com força, segurando-a contra o meu peito enquanto os tiros continuavam.
- Papai, o que está acontecendo? – a voz dela estava cheia de medo, mas ela confiava em mim. Sempre confiou.
- Fique comigo, meu amor. Não solte minha mão, está bem? Feche os olhos.
Ela fez o que pedi, mas o terror era inevitável. Vi homens armados saírem de trás das árvores, disparando contra qualquer um que estivesse no caminho. Não havia um alvo definido – eles só queriam matar.
Eu corri, puxando Liza comigo, procurando um lugar seguro. Encontrei uma árvore grande e me abaixei atrás dela, tentando protegê-la com meu corpo.
- Papai, eu estou com medo... – ela sussurrou, as mãozinhas agarradas à minha camisa.
- Eu estou aqui. Nada vai te acontecer, prometo.
Mas nem todas as promessas podem ser cumpridas.
Enquanto tentava nos levar para um lugar seguro, senti o tempo desacelerar. Ouvi o som de um disparo, e então o corpo de Liza estremeceu nos meus braços.
- Não! – meu grito foi instintivo.
Ela olhou para mim, confusa e pálida. Um filete de sangue escorria de seu pequeno peito.
- Papai... dói... – sua voz era fraca, quase um sussurro.
- Vai ficar tudo bem, meu amor. Fique comigo, Liza. – Pressionei o ferimento com as mãos, mas o sangue continuava escorrendo, quente e implacável.
O pânico tomou conta de mim. Eu precisava fazer algo, qualquer coisa. Coloquei-a no chão por um instante, peguei a pistola que sempre carregava comigo – um resquício dos meus dias no exército – e comecei a disparar contra os atiradores. Acertei dois antes que a polícia e a SWAT finalmente chegassem e neutralizassem o resto.
Mas para mim, já era tarde demais!
Corri de volta para minha filha, pegando-a nos braços novamente.
- Socorro! Por favor, alguém me ajude! – gritei, com a voz embargada pelo desespero.
Uma paramédica se aproximou, puxando uma maca.
- Vamos levá-la agora! – ela disse com firmeza.
Coloquei Liza na maca, segurando a sua pequena mão.
- Aguente firme, meu amor. Papai está aqui. Não vou te deixar.
Na ambulância, eu só conseguia olhar para ela, tão frágil, tão pequena. Ela era tudo para mim, e agora... agora eu estava perdendo tudo.
Quando chegamos ao hospital, uma equipe médica nos aguardava.
- Vamos levá-la para a cirurgia. O senhor precisa esperar aqui.
- Não! Eu preciso estar com ela! – protestei, mas dois enfermeiros me seguraram e a levaram.
As portas da sala de cirurgia se fecharam, me deixando sozinho em um corredor frio e silencioso. Eu me sentei em uma cadeira, com as mãos trêmulas ainda cobertas pelo sangue da minha filha. Cada segundo parecia uma eternidade.
Minha mente voltava ao parque, àquele momento em que tudo estava bem. O riso dela ainda ecoava nos meus ouvidos, mas agora parecia distante, quase inalcançável.
Então, algo começou a mudar dentro de mim. A dor e o desespero deram lugar a algo mais frio, mais perigoso: raiva. Tirei o telefone do bolso e disquei um número que não usava havia anos.
- Estou dentro. Estou pronto para entrar nessa missão. Eu quero os nomes de todos os desgraçados que fizeram isso. Vou caçá-los até o inferno, se for preciso.
A voz do outro lado da linha respondeu com cautela.
- Você sabe o que isso significa.
- Não me importa. Eles tocaram na minha filha.
Depois de horas intermináveis, um médico finalmente apareceu. Levantei-me de um salto, quase tropeçando no caminho.
- Minha filha... ela está bem?
O médico hesitou, e o meu coração afundou.
- Fizemos o possível. Ela está viva, mas o tiro causou danos graves. Ela está em coma, e as próximas 48 horas serão cruciais.
- Coma...? – a palavra saiu num sussurro, como se não fizesse sentido.
- Vamos monitorá-la de perto. Mas... não podemos garantir nada.
Eu desabei na cadeira novamente, sentindo o mundo ruir ao meu redor. O sangue dela ainda estava nas minhas mãos, como um lembrete c***l do que aconteceu.
Fechei os olhos, respirando fundo, e jurei para mim mesmo.
Eles vão pagar. Todos eles!