Lila Anderson
Acordei com a claridade do dia, estava ensolarado lá fora. Por um segundo, demorei a lembrar onde estava. O teto alto, o quarto espaçoso, o edredom macio... e o anel no meu dedo. A lembrança da noite anterior me atingiu como uma onda.
Fiquei olhando para a pequena pedra rosada que brilhava discretamente à luz que entrava pela brecha da cortina. Por mais que eu tentasse, não conseguia ignorar a sensação de que ela pesava mais do que devia. Era bonita, delicada, perfeita — e não era minha de verdade.
Suspirei e me sentei na cama, abraçando os joelhos. Hoje era o dia. O almoço com os pais de Asher.
Só de pensar nisso, o meu estômago deu um nó. Não fazia ideia de como me comportar, o que dizer ou vestir. E, pior ainda, como convencer aquelas pessoas — que provavelmente viveram uma vida inteira cercadas de luxo — de que eu, uma simples empregada doméstica, era a noiva do filho deles.
- Você consegue, Lila – murmurei para mim mesma, tentando reunir coragem. Porém, a minha voz soou mais trêmula do que firme.
Levantei-me e fui para o banheiro. A água quente do chuveiro caiu sobre mim, e por alguns minutos fechei os olhos, deixando que a água levasse o nervosismo com ela.
Eu nunca fui uma pessoa confiante, mas hoje, eu estava extremamente insegura.
Depois do banho, enrolei o cabelo na toalha e escolhi uma roupa simples, mas arrumada: sequei o cabelo deixando ele alinhado, coloquei um vestido azul claro que ia até o joelho e marcava a cintura. Passei um pouco de base, rímel e um batom suave. Nada chamativo, mas o suficiente para parecer apresentável.
Enquanto me olhava no espelho, uma parte de mim sentiu orgulho. A mulher refletida ali parecia... diferente.
Peguei a bolsa, o celular e respirei fundo antes de sair do quarto.
Asher ainda não desceu, deixei a minha bolsa no sofá e fui até a cozinha preparar o café, enquanto a cafeteira fazia o seu trabalho fiquei ali parada olhando pela janela, então escutei um pigarro atrás de mim. Era Asher, ele usava uma camisa branca e calça escura — simples, mas impecável, como tudo nele.
Os olhos dele estavam cravados em mim. O olhar dele percorreu o meu corpo de um jeito rápido, mas suficiente para fazer o meu rosto esquentar.
- Está linda. – disse, e a naturalidade com que falou me fez perder o ar por um instante.
- Obrigada. – respondi. O café está quase pronto.
Ele assentiu, e quando o café ficou pronto servi uma xícara para ele e uma para mim, ele perguntou se não iria comer.
- Eu não consigo, estou muito nervosa para isso. – ele sorriu.
Relaxa Lila, meus pais são ótimos, você vai ver.
Eu torcia para que sim, ele disse que também não iria comer, então depois que tomamos o café, lavei o que tinha sujado, e fui para sala pegar a minha bolsa.
Ele pegou as chaves do carro e abriu a porta.
- Pronta?
Pronta. A palavra ecoou na minha cabeça como uma ironia. Eu podia estar vestida e maquiada, mas pronta... não. Nem um pouco.
Assenti.
- Sim, acho que sim.
Descemos até o estacionamento em silêncio. O som dos nossos passos parecia mais alto do que o normal.
Quando entramos no carro, ele ligou o carro e a música baixa começou a preencher o espaço. Ficamos alguns minutos sem dizer nada, até que eu decidi quebrar o silêncio.
- E seus pais perceberam que tudo isso é uma mentira? – perguntei, tentando disfarçar o nervosismo.
Ele desviou o olhar da estrada e me lançou um sorriso de canto.
- Eles não irão desconfiar de nada, confia em mim.
Apenas assenti, sem conseguir falar nada, então ele continuou.
- Olha não tem porque você ficar tão nervosa assim, eles são gentis. E vão gostar de você.
- Não tenho tanta certeza. – murmurei, encarando a rua. – Somos de mundos diferentes, Asher. Eles podem achar que eu estou... interessada no seu dinheiro.
Ele suspirou, mas manteve o tom calmo.
- Eles não são assim, e logo irão perceber como você é, eu já percebi. – nessa hora olhei para ele, e ele me olhou de volta desviando o olhar da rua por um momento, e senti o meu coração disparar com a sinceridade dele.
Mas o medo ainda estava ali, latejando no peito.
O caminho até a casa dos pais de Asher pareceu interminável. O coração batia rápido, e as mãos suavam tanto que precisei enxugá-las no tecido do vestido.
Do lado de fora, a paisagem de Chicago parecia mudar a cada quilômetro — dos prédios altos e movimentados até os bairros tranquilos, com árvores alinhadas e casas que mais pareciam saídas de uma revista.
Quando o carro desacelerou diante de um portão de ferro preto, senti o estômago revirar. A mansão dos Bianchi se erguia imponente, cercada por jardins impecavelmente aparados e uma fonte no centro. Nada ali gritava ostentação — mas havia algo na elegância simples da casa que me intimidava ainda mais.
- Tudo bem? – a voz de Asher me trouxe de volta à realidade.
Assenti, apertando a bolsa contra o colo.
- Tudo, eu acho. – menti.
Ele me lançou um olhar de canto e riu baixo.
- Você está pálida. Relaxa, Lila. Meus pais vão adorar você.
Sorri sem graça, tentando acreditar nisso, e seguimos até a entrada. Antes que eu pudesse respirar fundo, a porta se abriu e uma mulher elegante, de cabelos castanhos e um sorriso acolhedor, apareceu.
- Asher! – ela exclamou, abrindo os braços para abraçá-lo. A voz era suave, mas cheia de energia. – Meu querido, quanto tempo!
Ela o abraçou com tanto carinho que por um segundo vi o homem ao meu lado se transformar em um garoto.
Logo, ela se virou para mim com um sorriso gentil.
- E essa deve ser Lila!
Os seus olhos brilharam quando estendeu as mãos e me puxou para um abraço inesperado.
- É um prazer conhecê-la, querida. Estou louca para saber mais sobre você, esse meu filho ingrato, não nos falou nada sobre você.
Corei, sem saber o que responder.
- O prazer é meu, senhora Bianchi.
- Por favor, me chame de Sônia. – disse, me segurando pelas mãos. — Nada de formalidades, está bem?
Assenti, encantada pela simpatia dela.