entre a razão e o desejo

574 Words
Bianca saiu daquela casa com o coração descompassado. A chave ainda estava na mão. Pesada. Como se não fosse apenas um objeto… Mas uma escolha. Ela caminhava rápido, tentando organizar os pensamentos. — Isso tá errado… muito errado… — murmurava para si mesma. Mas, ao mesmo tempo… um sorriso insistia em aparecer. Porque, por mais que lutasse contra… ela queria voltar. --- Durante o dia… Bianca tentou focar. Tentou prestar atenção na aula. No professor. Nos livros. Mas era impossível. A mente sempre voltava pra ele. Pro olhar. Pro toque. Pra forma como ele falava. “Você é minha…” Ela fechou os olhos por um segundo, respirando fundo. Aquilo mexia com ela. De um jeito perigoso. --- Enquanto isso… Rafael estava no controle de tudo. Ou pelo menos… era o que parecia. Sentado no ponto mais alto do morro, ele ouvia seus homens, dava ordens, resolvia problemas. Frio. Direto. Implacável. Como sempre. Mas, por dentro… não era bem assim. Ele pegou o celular algumas vezes. Olhou o número salvo. Bianca. Passou o dedo pela tela. Pensando. Esperando. --- — Chefe… — um dos homens chamou. Rafael voltou à realidade na mesma hora. — Fala. — Tá tudo tranquilo por enquanto. Ele assentiu. Mas sua mente já estava em outro lugar. De novo. --- A noite chegou. Lenta. Pesada. Carregada de expectativa. Bianca saiu da faculdade já cansada. Mas não era só isso. Era ansiedade. Ela olhou o celular. 23h. Respirou fundo. Caminhou mais um pouco. E parou. Ficou alguns segundos olhando para a tela. Pensando. Sabia que, a partir dali… não tinha mais volta. Mas mesmo assim… ligou. --- O telefone tocou uma vez. Duas. E foi atendido. — Já tava esperando — a voz dele veio do outro lado, baixa, firme. Bianca fechou os olhos por um segundo. — Eu saí agora… — Fica aí — ele respondeu na mesma hora. — Eu já tô indo. Sem espaço pra discussão. Sem hesitação. --- Não demorou. O carro parou perto dela. Vidro baixo. Rafael ao volante. O olhar direto nela. — Entra. Bianca olhou ao redor por um segundo. Coração acelerado. E entrou. --- O caminho foi em silêncio. Mas não um silêncio vazio. Era carregado. Quente. Cheio de tudo que eles já tinham vivido… e do que ainda queriam viver. Rafael apoiou uma mão no volante. A outra… deslizou devagar até a perna dela. Sem pressa. Sem pedir. Bianca prendeu a respiração. Mas não afastou. --- — Você voltou… — ele disse, olhando pra frente. Bianca respondeu baixo: — Eu disse que vinha… Ele soltou um leve sorriso de canto. Satisfeito. --- Quando chegaram… A casa estava exatamente como antes. Mas o clima… não. Estava mais intenso. Mais direto. Mais sem barreiras. Rafael fechou a porta atrás deles. E, antes mesmo que Bianca dissesse qualquer coisa… ele a puxou pela cintura. Colando o corpo dela no dele. — Eu pensei em você o dia inteiro — murmurou. Bianca olhou nos olhos dele. Sem fugir. — Eu também… E aquilo foi o suficiente. --- Ele a beijou. De novo. Mas agora… sem hesitação. Sem pausa. Sem controle. Bianca respondeu no mesmo ritmo. As mãos dele firmes na cintura. As dela no pescoço dele. O mundo lá fora… já não existia. --- Mas, no fundo… mesmo naquele momento… a verdade continuava ali. Pesada. Silenciosa. Perigosa. Eles estavam cruzando um limite… que não tinha mais volta. E, quanto mais se aproximavam… mais difícil seria escapar.
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